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sexta-feira, novembro 14, 2014

Entrevista a Ana C. Nunes [Leitores vs Passatempo]

Boa Noite Estrelinhas!!

Hoje trago-vos as restantes perguntas feitas no passatempo Pack de eBooks, as questões foram respondidas pela autora, Ana C.  Nunes.



Perguntas semelhantes, foram "juntas" para dai evitar a repetição.

Espero que tenham gostado de ver a vossa perguntinha respondida pela autora

Quando se deu conta pela primeira vez que queria ser escritora?

Precisar um momento único é difícil, porque poucas coisas na vida acontecem de repente. Mas há sempre uma situação que eu costumo associar com esse meu gosto: que foi quando entrei no secundário e descobri que umas das minhas colegas gostava muito de desenhar e escrever histórias. E eu, porque gostei da ideia e porque achava que conseguia ser tão boa como ela, comecei a treinar e cada vez a ir mais longe. A tentar fazer. Essa outra pessoa que me inspirou, mais tarde chegou a trabalhar comigo na BD. Chama-se Natacha Salgueiro.


Sempre foi o seu sonho ser escritora?

Não creio que fosse. Pois apesar de adorar ler e imaginar histórias, quando era mais nova sonhava ser veterinária. Depois quando descobri que isso significava ter que tratar feridas e coisas que tal, mudei de ideias. Ehehe! O sonho de ser escritora veio muito mais tarde, quando tinha cerca de vinte anos.


Qual é a sua fonte de inspiração para os livros? / O que a inspira a escrever? / A sua inspiração vem de onde? Vê algo e pensa: seria um bom tema...?

Digo sempre que tudo me inspira, e essa é a verdade. Não há uma coisa só que me leve a escrever ou que me afecte mais que outra. Tudo o que vejo, sinto e cheiro, me move de alguma forma e é possível que, mais cedo ou mais tarde, entre numa das minhas histórias de forma mais ou menos clara. Se me perguntarem o que inspirou determinada cena, ou determinada personagem, raramente saberei precisar algo único. Existe uma amálgama de experiências e conceitos, conversas escutadas e momentos observados, mesmo que subconscientemente, que se entranham e mutam até se transformarem naquilo que escrevo.


Porquê essas histórias?

Porque são as que me dão gozo escrever. Não escolho as ideias que me tomam de assalto. Elas é que me comandam! E claro que por vezes tenho ideias menos fantasiosas e às vezes até as escrevo, mas por alguma razão o fantástico, a mitologia e a ficção científica, são os temas que mais me levam a escrever. Algumas acabam por não dar furto, é verdade! Mas felizmente a maioria satisfaz-me e maravilha-me. Nem tudo se aproveita. Nem tudo o que escrevo é bom, mas considero que a grande maioria das histórias que conto merecem ser lidas.


A escrita é um escape à realidade, ou um exteriorizar do seu universo interior?

Pergunta muito interessante! :) É sem dúvida um exteriorizar do meu universo interior, ou melhor dizendo, das galáxias que crio no pequeno universo do meu pensamento. Mas não deixa também de ser um escape à realidade, ou um reflexo da mesma, já que é impossível não deixar que a minha escrita seja afectada pelo que se passa à minha volta, no mundo. A crise financeira e um velho costume, serviram de base para o meu conto "Dispensáveis" (na antologia "Por Mundos Divergentes"), por exemplo.
Há quem diga que o acto de escrever é uma espécie de exorcismo. Talvez seja essa a definição mais correcta.


Como se sente quando está a escrever?

Depende dos dias! Às vezes sinto-me bem, completa, capaz das coisas mais incríveis. E depois há dias em que só quero atirar com o computador contra a parede, eliminar tudo o que já escrevi e berrar com toda gente. Bem, é como tudo na vida. Temos dias bons, dias maus, e dias perfeitos, e outros que são para esquecer. Felizmente posso dizer que, na maioria dos dias, escrever é para mim algo que faço sem esforço, que me consome mas não de forma debilitante. Acho que já não conseguiria viver sem escrever, desenhar, fazer algo com os mundos que criei e que entretanto vou formando.

Como redige os seus livros? À mão em papel?, Dactilografados? Digitados no computador? Ou como?

Gosto muito de escrever à mão e algo na escrita com a máquina de escrever que me fascina mas, por questões práticas, normalmente escrevo no computador, num processador de texto simples. Contudo a maioria dos apontamentos de ideias está em cadernos e pequenos post-its, escritos à mão. As revisões faço-as sempre à moda antiga, com a caneta vermelha em riste.
Técnina mista, portanto. :)


Um grande Obrigada a nossa querida Ana, pela atenção e carinho.

Bom fim de semana, com muitas leituras

quarta-feira, outubro 29, 2014

Entrevista Ana C. Nunes

Boa Tarde Estrelinhas!!!

Entrevista Fresquinha com a nossa autora, Ana C. Nunes.



1º Ana, pode falar um pouco de si, o que faz, o que gosta e detesta.

Olá! Antes de mais obrigada por me receber aqui no blog. É sempre excelente ver como bloggers dedicados se esforçam por divulgar o que é nacional. Muitos parabéns!
Ora, eu sou uma rapariga do Norte, mais concretamente da cidade do Galo. Já tenho idade para ter juízo (mas falta saber se o tenho, efectivamente) e trabalho no atendimento comercial de uma empresa. Gostava de viver da escrita e da ilustração mas para já isso ainda não é possível.
Eu adoro, como é fácil de perceber, escrever ficção. Desenhar é a minha segunda paixão artística e gosto de conciliar ambas, especialmente na BD, mas também noutros formatos (contos ilustrados, por exemplo). Também amo os animais, a natureza, e a família (a minha acima de todas, claro está).
Detesto detestar coisas, pois queria ser imune a isso, mas não o sou, por isso detesto pessoas hipócritas e falsas, detesto ver lixo nas ruas e não gosto particularmente de centopeias. Ehehe!


2º Uma vez que vamos falar de livros, de que género literário gosta?

O fantástico, em todas as suas vertentes (ficção científica e terror incluídos). E de entre esses a ficção científica e o realismo mágico, assim como a mitologia, são os meus favoritos. Adoro descobrir e redescobrir o que os povos de outros tempos acreditavam, e imaginar quais poderiam ter sido as bases da criação dessas crenças que, na verdade, não são mais fantásticas ou imaginárias que a nossa crença no Deus uno, se formos analisar bem as situações.
A ficção científica fascina-me pelo seu potencial de realismo e porque mesmo os clássicos, datados que já estão, não deixam de ser fascinantes de analisar.
Já o realismo mágico me agarra pelo facto de eu querer acreditar que ainda existe um pouco de magia à nossa volta.

No entanto tento não me cingir apenas ao meu género de eleição pois já aprendi a admirar e apreciar todos os géneros literários, embora ainda tenha que explorar mais a fundo a poesia, o texto dramático e a não ficção, que são géneros pelos quais me aventuro pouco.

3º Algum autor preferido? Porquê?

Não tenho propriamente um autor que possa referir como favorito de todos os tempos, mas alguns nomes vêm-me logo à cabeça: Edgar Allan Poe, Markus Zusak, Robin McKinley, J.K. Rowling, Italo Calvino, Minetaro Mochizuke. E é impossível esquecer os portugueses: João Barreiros, Luís Filipe Silva, Marcelina Gama Leandro, Manuel Alves, Inês Montenegro e Vitor Frazão.
Todos escreveram dois ou mais trabalhos que adorei, nunca decepcionaram e sempre me fascinaram com as suas histórias. Há escritores que nos apanham só com um livro (Robin McKinley) e outros que demoram mais um pouco, mas no fim são estes os nomes que estão em primeiro plano e são os autores cujos trabalhos sigo com mais afinco, mesmo quando o tempo é curto.


4º O que o motivou a escrever?

Sempre adorei a língua portuguesa e a sua complexidade mas só no secundário senti o apelo da escrita criativa. Tinha muitas ideias e como havia uma colega que escrevia e desenhava, decidi imitá-la e passar a expressar-me em traços de lápis e rabiscos de esferográfica. Desde então não parei. Fiz uma pausa na escrita narrativa, há uns anos atrás, mas mesmo nesse tempo a escrita fez parte da minha vida através da Banda Desenhada, dos guiões.
Escrever para mim é uma terapia e por isso o último ano tem sido um pouco difícil, já que não tenho encontrado o equilíbrio que me permita escrever como noutros tempos. Não é por falta de ideias, mas sim de harmonia.
E, mesmo assim, nunca me distancio da escrita. Estou sempre a trabalhar em algo, por mais pequeno que seja. E o que mais me motiva é o mundo que me rodeia (especialmente a natureza e as pessoas) e o saber que se não escrever as histórias me vão ficar entaladas na garganta.


5º Das várias obras que já tem ao acesso dos leitores, qual é, para si, o seu menino? E porquê?

O meu menino será sempre o “Angel Gabriel – Pacto de Sangue”, não só por ter sido o primeiro romance que disponibilizei ao público em geral, mas especialmente porque foi aquele a que dediquei mais tempo até agora. E porque, apesar das suas falhas, o considero um texto que vale a pena ser lido. Os leitores, no entanto, parecem achar que o meu menino é o “A Última Ceia”, já que foi sem dúvida o que recebeu mais feedback até hoje e também foi o primeiro que publiquei em ebook.


6º As suas obras estão dentro de vários géneros literários, dando ao leitor uma variedade de escolha. Para si, há algum tema que seja mais difícil ou fácil de escrever?

Se me pedissem para escrever poesia eu ia trepar paredes! Não tenho jeito! Mas fora isso acho que me dou bem com quase todos os meios de escrita, até guião. Uns melhor que outros, claro. Estou mais versada na ficção, especialmente na fantasia e no terror/suspense mas não planeio nunca limitar-me a um só género, a um só estilo. Não tenho nada contra quem o faz mas, para mim seria sufocante. A história pede e exige, eu apenas a transcrevo.

7º A Heroína e o Vilão, foi o seu trabalho mais recente. Pode falar-nos sobre ele?

Esta história é a segunda aventura da “Heroína”, uma personagem que criei há uns anos, e o seu propósito é ser uma espécie de sátira às típicas fantasias (não só da ficção). As histórias são basicamente independentes mas estão interligadas por um fio comum que se vai desvendando a cada nova aventura. Com este trabalho eu quis testar a minha escrita de comédia e abusar dos clichés, fazer troça dos lugares comuns mas sem nunca lhes faltar ao respeito. 
Neste “A Heroína e o Vilão” a protagonista acorda para uma terra a tremer e enfrenta o seu inimigo mais patético. Pantufas em forma de leão, berlindes mágicos e varinhas de condão são apenas três das coisas que só farão sentido quando lerem a aventura. J


8º Das suas obras, qual seria a primeira a recomendar?

Talvez o “Electro-dependência”, o conto que foi publicado na antologia “Lisboa no Ano 2000” (Saída de Emergência), já que tem reunido críticas muito positivas e basicamente toda a gente gostou/adorou a história.






9º O Que acha mais difícil, quando se é escritor em Portugal?

Chegar ao público! Isto porque o público em si já é muito limitado. Afinal a grande maioria dos portugueses não lê livros assiduamente e quando lêem a maioria vai para os bestsellers, os romances dos jet7 e outros semelhantes. É muito difícil para o pequeninho ser notado, especialmente quando as editoras nos fecham as portas. E eu até entendo que a crise os impossibilite de apostar mais nos escritores novos mas acho que, mais que isso, a cortesia é algo que está muito em falta no mercado editorial português. Isto porque se um autor submete um manuscrito a uma editora, quer o seu trabalho seja bom ou mau, o mínimo que podem fazer é responder-lhe. Dar-lhe um feedback, nem que seja um simples «Não estamos interessados.», que é coisa que a maioria das editoras não se dá ao trabalho de fazer. 
Mas já divaguei. Desculpem.
Enfim, eu acho que há muito pouca aposta na divulgação do trabalho de novos autores e, mais que isso, acho que há muito pouco incentivo à leitura em Portugal, especialmente com os preços que se praticam. E depois chegamos ao ciclo vicioso: as pessoas não lêem porque os livros são muito caros, e os livros são muito caros porque ninguém os compra. E dá a volta e calha no mesmo sítio. Enfim, é triste …


10º O que aconselha aos novos escritores, que mantêm o manuscrito na gaveta?


Escrevam, escrevam e continuem a escrever. Experimentem novos desafios, novos géneros, novos formatos (se costumam escrever romances, façam um conto, ou vice-versa).
E claro, leiam muito. Leiam no género que querem escrever e fora dele. Não se limitem só a um estilo pois a diversidade é um bom estímulo.
Aconselho também a que peguem nesses manuscritos que têm nas gavetas, percam o medo, e os entreguem a duas ou três pessoas (a família não conta, nem os melhores amigos). Pessoas imparciais, pessoas que não vos vão passar a mão na cabeça e dizer só: “Ai que giro!”. Não! Vocês precisam de quem vos diga: «Olha, isto está mal. E isto também, e adorei esta parte porque isto, isto, e aquilo.». Poderão nem concordar com tudo o que eles dizem, e isso é legítimo. Afinal não podem agradar a gregos e a troianos, mas vejamos que se entregam a três pessoas e duas delas concordam num ponto, provavelmente é porque devem prestar atenção a isso.
Não tenham medo! O escritor tanto pode ser o maior crítico como o mais cego dos leitores quando está a ler o seu próprio trabalho. Tudo depende de para que lado da cama acorda. Daí que não seja viável fiar-mo-nos apenas na nossa opinião. Não tenham medo de dar a ler. O pior que pode acontecer é esses textos voltarem à gaveta, com mais riscos e anotações nas margens.

Muito Obrigada Ana, pela atenção e carinho. É um prazer ter-la neste cantinho.

E para os meus queridos seguidores, eu e a autora, Ana C. Nunes, estamos a preparar uma coisita muitoooo boa.

Acredito que vocês irão adorar.

Boas Leituras

terça-feira, outubro 07, 2014

Entrevista Carina Rosa

Boa Tarde Estrelinhas, como estão?

Hoje trago-vos uma pequenita entrevista, desta vez com a nossa querida Carina Rosa :)



1º Carina, pode falar um pouco de si, o que faz, o que gosta e detesta?

Por onde começar sem ser demasiado extensiva? Sou natural de Lisboa, mas vivo no Algarve desde sempre, tenho 28 anos e uma grande paixão pelo desporto, pela arte e pela cultura no geral. Quando começou isto? Talvez quando a minha mãe me inscreveu na ginástica, tinha eu seis anos. Muito resumidamente, apaixonei-me por aquilo e quando dei por mim estava na competição. Esta levou-me à alta competição, uma época em que fiz parte da selecção Nacional de Trampolins e Desportos Acrobáticos, como atleta de par feminino de Ginástica Acrobática. O desporto, porém, não era a minha única paixão e eu lia e escrevia nos tempos livres. Não me licenciei em desporto, como muitos e a maioria dos atletas, mas em ciências da Comunicação, para poder dar largas à minha paixão pelas letras. Fui jornalista de imprensa, de rádio e de uma televisão online, mas era a imprensa que me apaixonava, até que o jornal onde eu trabalhava fechou, vítima dessa nuvem negra que nos abate constantemente, mesmo em dias de sol, chamada crise. O que faço hoje? Ginástica. Depois de alguns anos afastada daquela que foi desde sempre a minha casa (por muitos motivos, sendo o cansaço e as lesões os piores deles) regressei, quando a minha antiga treinadora me chamou para trabalhar com ela, dando aulas de ginástica de formação a crianças e jovens. Aceitei e é lá que me encontro até hoje, vai fazer três anos, acho. Estou de momento a tirar o curso de treinadores de ginástica de primeiro grau e a escrita é um hobbie que levo muito a sério. Acho que sou muito versátil, gosto de muita coisa distinta, sou várias personagens dentro de uma. À parte esta vida e estas paixões agitadas, sou muito tímida, reservada, gosto muito do meu refúgio e de um pouco  de solidão. Por outro lado, adoro a minha família e ter a oportunidade de passar algum tempo com eles. O que detesto? Não diria bem detestar, mas não gostar muito: saídas à noite em bares e discotecas dispenso; o meu serão de sonho é silêncio e um bom livro nas mãos ou uma boa sessão de cinema. Detestar mesmo só o cinismo, a falsidade e a maldade. Não sou pessoa de grandes ódios. Gostos? Muitos: leitura, cinema, dança, música, desporto e tudo aquilo que tiver em si uma essência artística.

2º Uma vez que vamos falar de livros, de que género literário gosta?

Cresci como a menina dos romances contemporâneos e durante muitos anos era tudo o que lia, com pena minha. Um autor deve também ser diversificado, ler muita coisa e de géneros distintos para poder alargar a sua capacidade de entendimento do mundo e de escrita. Actualmente, leio de tudo um pouco e um bom livro é um bom livro, independentemente do seu género. No entanto, pessoalmente, opto por géneros como o contemporâneo e o histórico.

3º Algum autor preferido? Porquê?

Tenho muitos. Durante muitos anos, adorei Nicholas Sparks e Nora Roberts, mas a idade e as experiências também nos alargam os horizontes e confesso que, a nomear alguém, a minha escolha recairá sobre Natasha Solomons. Li apenas um livro dela, «Uma casa de família» e é um excelente livro, mas não é por esse motivo que a nomeio. Temos grandes autores e grandes obras em todo o mundo, mas nem sempre encontramos escritas peculiares. A escrita de Natasha Solomons é especial, na capacidade que a autora tem em revisitar o passado, em causar suspense e tensão a cada linha, em levar o leitor a enamorar-se de cada diálogo, de cada frase. Acho que é inexplicável tudo aquilo que ela me fez sentir ao longo da história.

4º O que a motivou a escrever?

Necessidade, talvez. A necessidade que eu tinha de deitar para fora aquilo que tinha cá dentro: tantos pensamentos, tantas ideias escondidos, presos, retraídos. Tinha de o fazer. Acho que quando começamos a escrever, é uma espécie de missão aquilo que nos domina. No meu caso foi assim. É também um vício criar histórias e personagens, um vício tão grande que é impossível parar, depois de termos começado. A escrita é o meu refúgio, a forma que tenho de me esconder, mostrando-me, poder dizer ao mundo aquilo que sinto e penso, através de outras histórias e outras pessoas. Ou por outro lado, por vezes, poder usar pensamentos e acções de outros e torna-los meus: ser outra pessoa por momentos, fazer coisas que nunca fiz e que gostaria ou que jamais me atreveria. Escrever é ser livre, no fundo, e penso que foi também essa liberdade aquilo que me motivou a escrever. Num jornal, temos um assunto e um espaço contado, com linhas e ideias restritas e eu sentia-me sempre presa quando tentava os meus floreados. Quando vejo uma folha em branco, sinto-me livre e isso é felicidade.

5º  Das duas obras já publicadas, qual é para si o seu menino? E porquê?

Seria fácil escolher entre ambas em termos de qualidade, por motivos óbvios como a experiência e a prática, mas é difícil fazê-lo quando são ambos meus filhos. «O intruso» tem muito de mim, demasiado, até, no tema, com o qual me identifico, na personagem principal, que tem muitos dos meus problemas e complexos, na forma de escrever, que nessa altura era curta, concisa, muito adaptada a um jornal. Posso dizer que «O intruso» é todo meu, porque não foi revisto, nem apreciado por verdadeiros críticos, nem leitores-beta. Quem me conhece, reviu-me nele e isso é bom e mau ao mesmo tempo. Um bom escritor consegue distanciar-se tanto de si mesmo na história que o leitor não consegue vê-lo, conhecê-lo. Sei que não me distanciei nada ou muito pouco nesse meu primeiro romance, mas será sempre o meu menino, o meu primeiro. «As Gotas de um Beijo» leva outra bagagem, outra experiência e qualidade. Foi revisto, foi modificado, melhorado e, na minha opinião, é um melhor romance. Cada um à sua maneira tem o seu valor e não consigo escolher entre um e outro para meu preferido. Para os leitores, sem dúvida: «As Gotas de um Beijo».

6º  O que podem as leitoras encontrar nos seus Romances?

Disse leitoras, mas acho que são romances para leitores, não obstante a capa de «As Gotas de um Beijo» ser demasiado cor-de-rosa (já me avisaram). Amor, paixão, carinho e ódio, sentimentalismo e verdade é o que os leitores poderão encontrar. Verdade, sem dúvida. Não gosto de escrever romances cor-de-rosa. Gosto de escrever histórias reais, com personagens cheios de defeitos e algumas qualidades. Também adoro um toque de ousadia.

7º Há alguma obra a caminho? Pode falar-nos sobre ela?

Sim! Estou tão ansiosa de poder falar abertamente sobre ela! Tem como título provisório «O palácio dos meus sonhos» (poderá ser alterado) e fala de amor, de vários tipos de amor, e do facto de nem sempre amarmos uma única pessoa ao longo da nossa vida. Acima de tudo, tento passar, através deste livro, a mensagem de que, por vezes, o amor não basta, e que a idade e a experiência acabam por ditar-nos aquilo que será mais importante na nossa vida: a paixão ou a estabilidade. Clara e Santiago são os dois protagonistas da história e vivem um casamento feliz, planeando construir um palácio de sonho. Mas quando, numa concentração de motas, Clara reencontra o homem que quase destruiu a sua vida, o passado mistura-se com o presente e a sua felicidade ao lado de Santiago pode estar ameaçada.
É uma história de amor e de amizade, de sonhos e de perdas, que nos leva ao mundo do crime, das drogas e da discriminação racial. Um tributo à família, à paz e à estabilidade, um mundo de escolhas e de segundas oportunidades, uma ode aos que amam e sabem amar-se, e à felicidade nas pequenas coisas.
Segundo a editora, a obra estará na rua em finais de Novembro ou inícios de Dezembro e vai ser uma nova experiência para mim, numa nova casa e num novo formato, que me causa alguma ansiedade. Só posso desejar que os leitores que me acompanharam até aqui possam continuar a fazê-lo e que a obra seja tão lida ou mais ainda do que as outras têm sido. Eu diria que valerá a pena.

8º  Das suas obras, qual seria a primeira a recomendar?

Sem dúvida «As Gotas de um Beijo». Não que «O Intruso» me envergonhe, mas o meu segundo romance está melhor acabado, melhor pensado e acredito que a maioria dos leitores vá apreciá-lo, como tem apreciado até aqui. As críticas têm sido bastante boas, na sua maioria, e só me posso sentir feliz. É um livro para românticos, com personagens e problemas da vida real, e penso que o leitores se identificam com todo esse cenário.

9º O Que acha mais difícil, quando se é escritor em Portugal?

Primeiro: chegar aos leitores. As obras chegam a uma ninharia, não só porque Portugal é pequeno, mas principalmente porque o leitor português não valoriza o autor português. O leitor português quer o bestseller internacional, o autor internacional que escreveu o bestseller e torce o nariz a obras de autores portugueses. Acho que isso tem muito a ver com o espírito da maioria do português, que acha que só é bom o que é feito lá fora. As editoras apoiam essa corrente, porque publicam aquilo que vende e aquilo que vende é estrangeiro. Logo, os autores portugueses têm pouca oportunidade de publicação e quando têm, não vendem porque ninguém acredita neles. Quando se é um autor novo e desconhecido, a situação é ainda mais preocupante. Salva-nos apenas o facto de não escrevermos, nós, autores, para vender ou sequer ser publicados. Escrevemos por prazer e esse prazer mantém-se, mesmo quando as obras estão na gaveta. É claro que todos queremos, depois disso, levar a nossa obra ao mundo, e isso só se consegue com muito trabalho, persistência e paciência, mas sobretudo amor às letras.


10º O Que aconselha aos novos escritores, que mantêm o manuscrito na gaveta?


Escrevam por prazer. Quando o prazer passar a obrigação, não vale a pena continuar a escrever. É isso que faz da escrita um bom momento de lazer e não um trabalho. Sejam humildes o suficiente para aceitar os próprios erros e melhorá-los. Não sejam medianos, sejam os melhores, criativos, originais, únicos. Escrevam primeiro para vós, depois para os outros. Apaixonem-se pelos vossos personagens e pela vossa história. Sejam corajosos para enviar os vossos escritos a leitores-beta que os avaliem e ajudem a melhorar e nunca desistam de transmitir a vossa mensagem a quem um dia sentirá o cheiro do vosso livro e a textura das páginas folheadas. 

Obrigada Carina, pela atenção e simpatia :)

Página do Facebook da Autora

quarta-feira, novembro 21, 2012

Primeira entrevista ao Blogue "O Nosso Mundo Sobrenatural"


Boa Tarde minhas queridas e meus queridos leitores.
 Hoje tenho dois boas noticias para partilhar convosco, se bem que uma por boa se seja e má também (para mim)

 Primeiro: o nosso mundo sobrenatural foi entrevistado pela a administradora Rute do Blogue Rute Canhoto. Muito obrigada querida por esta oportunidade, gostei muito. E para quem não conhece este bloguinho aconselho a irem espreitar, vão gostar :)

Deixo-vos aqui o link
Livros&Blogues| Books&Blogs




Segundo: A partir de Dezembro ao que tudo indica terei muito mais tempo para fazer as actualizações e tudo o que ate agora tenho pendente aqui no blog (opiniões/sugestões). Pois e vocês perguntam-se porque não é? Bem devido a crise, o café-restaurante a onde trabalho, está a fazer uns cortes. Até que chegou as empregadas, neste caso eu. Foi dispensada, o que não quer dizer que mais tarde se melhorar não volte para lá para ir trabalhar. Assim sendo como mencionei anteriormente em Dezembro terei muito tempo livre. Boas noticias han...

Beijinhos até breve