quarta-feira, outubro 29, 2014

Entrevista Ana C. Nunes

Boa Tarde Estrelinhas!!!

Entrevista Fresquinha com a nossa autora, Ana C. Nunes.



1º Ana, pode falar um pouco de si, o que faz, o que gosta e detesta.

Olá! Antes de mais obrigada por me receber aqui no blog. É sempre excelente ver como bloggers dedicados se esforçam por divulgar o que é nacional. Muitos parabéns!
Ora, eu sou uma rapariga do Norte, mais concretamente da cidade do Galo. Já tenho idade para ter juízo (mas falta saber se o tenho, efectivamente) e trabalho no atendimento comercial de uma empresa. Gostava de viver da escrita e da ilustração mas para já isso ainda não é possível.
Eu adoro, como é fácil de perceber, escrever ficção. Desenhar é a minha segunda paixão artística e gosto de conciliar ambas, especialmente na BD, mas também noutros formatos (contos ilustrados, por exemplo). Também amo os animais, a natureza, e a família (a minha acima de todas, claro está).
Detesto detestar coisas, pois queria ser imune a isso, mas não o sou, por isso detesto pessoas hipócritas e falsas, detesto ver lixo nas ruas e não gosto particularmente de centopeias. Ehehe!


2º Uma vez que vamos falar de livros, de que género literário gosta?

O fantástico, em todas as suas vertentes (ficção científica e terror incluídos). E de entre esses a ficção científica e o realismo mágico, assim como a mitologia, são os meus favoritos. Adoro descobrir e redescobrir o que os povos de outros tempos acreditavam, e imaginar quais poderiam ter sido as bases da criação dessas crenças que, na verdade, não são mais fantásticas ou imaginárias que a nossa crença no Deus uno, se formos analisar bem as situações.
A ficção científica fascina-me pelo seu potencial de realismo e porque mesmo os clássicos, datados que já estão, não deixam de ser fascinantes de analisar.
Já o realismo mágico me agarra pelo facto de eu querer acreditar que ainda existe um pouco de magia à nossa volta.

No entanto tento não me cingir apenas ao meu género de eleição pois já aprendi a admirar e apreciar todos os géneros literários, embora ainda tenha que explorar mais a fundo a poesia, o texto dramático e a não ficção, que são géneros pelos quais me aventuro pouco.

3º Algum autor preferido? Porquê?

Não tenho propriamente um autor que possa referir como favorito de todos os tempos, mas alguns nomes vêm-me logo à cabeça: Edgar Allan Poe, Markus Zusak, Robin McKinley, J.K. Rowling, Italo Calvino, Minetaro Mochizuke. E é impossível esquecer os portugueses: João Barreiros, Luís Filipe Silva, Marcelina Gama Leandro, Manuel Alves, Inês Montenegro e Vitor Frazão.
Todos escreveram dois ou mais trabalhos que adorei, nunca decepcionaram e sempre me fascinaram com as suas histórias. Há escritores que nos apanham só com um livro (Robin McKinley) e outros que demoram mais um pouco, mas no fim são estes os nomes que estão em primeiro plano e são os autores cujos trabalhos sigo com mais afinco, mesmo quando o tempo é curto.


4º O que o motivou a escrever?

Sempre adorei a língua portuguesa e a sua complexidade mas só no secundário senti o apelo da escrita criativa. Tinha muitas ideias e como havia uma colega que escrevia e desenhava, decidi imitá-la e passar a expressar-me em traços de lápis e rabiscos de esferográfica. Desde então não parei. Fiz uma pausa na escrita narrativa, há uns anos atrás, mas mesmo nesse tempo a escrita fez parte da minha vida através da Banda Desenhada, dos guiões.
Escrever para mim é uma terapia e por isso o último ano tem sido um pouco difícil, já que não tenho encontrado o equilíbrio que me permita escrever como noutros tempos. Não é por falta de ideias, mas sim de harmonia.
E, mesmo assim, nunca me distancio da escrita. Estou sempre a trabalhar em algo, por mais pequeno que seja. E o que mais me motiva é o mundo que me rodeia (especialmente a natureza e as pessoas) e o saber que se não escrever as histórias me vão ficar entaladas na garganta.


5º Das várias obras que já tem ao acesso dos leitores, qual é, para si, o seu menino? E porquê?

O meu menino será sempre o “Angel Gabriel – Pacto de Sangue”, não só por ter sido o primeiro romance que disponibilizei ao público em geral, mas especialmente porque foi aquele a que dediquei mais tempo até agora. E porque, apesar das suas falhas, o considero um texto que vale a pena ser lido. Os leitores, no entanto, parecem achar que o meu menino é o “A Última Ceia”, já que foi sem dúvida o que recebeu mais feedback até hoje e também foi o primeiro que publiquei em ebook.


6º As suas obras estão dentro de vários géneros literários, dando ao leitor uma variedade de escolha. Para si, há algum tema que seja mais difícil ou fácil de escrever?

Se me pedissem para escrever poesia eu ia trepar paredes! Não tenho jeito! Mas fora isso acho que me dou bem com quase todos os meios de escrita, até guião. Uns melhor que outros, claro. Estou mais versada na ficção, especialmente na fantasia e no terror/suspense mas não planeio nunca limitar-me a um só género, a um só estilo. Não tenho nada contra quem o faz mas, para mim seria sufocante. A história pede e exige, eu apenas a transcrevo.

7º A Heroína e o Vilão, foi o seu trabalho mais recente. Pode falar-nos sobre ele?

Esta história é a segunda aventura da “Heroína”, uma personagem que criei há uns anos, e o seu propósito é ser uma espécie de sátira às típicas fantasias (não só da ficção). As histórias são basicamente independentes mas estão interligadas por um fio comum que se vai desvendando a cada nova aventura. Com este trabalho eu quis testar a minha escrita de comédia e abusar dos clichés, fazer troça dos lugares comuns mas sem nunca lhes faltar ao respeito. 
Neste “A Heroína e o Vilão” a protagonista acorda para uma terra a tremer e enfrenta o seu inimigo mais patético. Pantufas em forma de leão, berlindes mágicos e varinhas de condão são apenas três das coisas que só farão sentido quando lerem a aventura. J


8º Das suas obras, qual seria a primeira a recomendar?

Talvez o “Electro-dependência”, o conto que foi publicado na antologia “Lisboa no Ano 2000” (Saída de Emergência), já que tem reunido críticas muito positivas e basicamente toda a gente gostou/adorou a história.






9º O Que acha mais difícil, quando se é escritor em Portugal?

Chegar ao público! Isto porque o público em si já é muito limitado. Afinal a grande maioria dos portugueses não lê livros assiduamente e quando lêem a maioria vai para os bestsellers, os romances dos jet7 e outros semelhantes. É muito difícil para o pequeninho ser notado, especialmente quando as editoras nos fecham as portas. E eu até entendo que a crise os impossibilite de apostar mais nos escritores novos mas acho que, mais que isso, a cortesia é algo que está muito em falta no mercado editorial português. Isto porque se um autor submete um manuscrito a uma editora, quer o seu trabalho seja bom ou mau, o mínimo que podem fazer é responder-lhe. Dar-lhe um feedback, nem que seja um simples «Não estamos interessados.», que é coisa que a maioria das editoras não se dá ao trabalho de fazer. 
Mas já divaguei. Desculpem.
Enfim, eu acho que há muito pouca aposta na divulgação do trabalho de novos autores e, mais que isso, acho que há muito pouco incentivo à leitura em Portugal, especialmente com os preços que se praticam. E depois chegamos ao ciclo vicioso: as pessoas não lêem porque os livros são muito caros, e os livros são muito caros porque ninguém os compra. E dá a volta e calha no mesmo sítio. Enfim, é triste …


10º O que aconselha aos novos escritores, que mantêm o manuscrito na gaveta?


Escrevam, escrevam e continuem a escrever. Experimentem novos desafios, novos géneros, novos formatos (se costumam escrever romances, façam um conto, ou vice-versa).
E claro, leiam muito. Leiam no género que querem escrever e fora dele. Não se limitem só a um estilo pois a diversidade é um bom estímulo.
Aconselho também a que peguem nesses manuscritos que têm nas gavetas, percam o medo, e os entreguem a duas ou três pessoas (a família não conta, nem os melhores amigos). Pessoas imparciais, pessoas que não vos vão passar a mão na cabeça e dizer só: “Ai que giro!”. Não! Vocês precisam de quem vos diga: «Olha, isto está mal. E isto também, e adorei esta parte porque isto, isto, e aquilo.». Poderão nem concordar com tudo o que eles dizem, e isso é legítimo. Afinal não podem agradar a gregos e a troianos, mas vejamos que se entregam a três pessoas e duas delas concordam num ponto, provavelmente é porque devem prestar atenção a isso.
Não tenham medo! O escritor tanto pode ser o maior crítico como o mais cego dos leitores quando está a ler o seu próprio trabalho. Tudo depende de para que lado da cama acorda. Daí que não seja viável fiar-mo-nos apenas na nossa opinião. Não tenham medo de dar a ler. O pior que pode acontecer é esses textos voltarem à gaveta, com mais riscos e anotações nas margens.

Muito Obrigada Ana, pela atenção e carinho. É um prazer ter-la neste cantinho.

E para os meus queridos seguidores, eu e a autora, Ana C. Nunes, estamos a preparar uma coisita muitoooo boa.

Acredito que vocês irão adorar.

Boas Leituras

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