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segunda-feira, novembro 03, 2014

Entrevista Joel G. Gomes

Boa Noite Estrelinhas, como estão vocês?
Mais brilhantes que uma estrela cadente, oh eu sei...vejo o vosso brilho daqui hehe

E apesar de eu chegar tarde e a más horas. Aqui estou eu, para vos trazer... uma Entrevista!!! Oh sim, com o Sr. Joel G. Gomes, han? Como assim não se lembram? Aiii ora vejam aqui: Nacionalmente Bom 4.. Ahhhhhhh agora recordaram-se não é? Eu sabia...então vamos lá, a nossa fantástica entrevista.

Com vocês, o nosso autor Joel. G. Gomes!

1º Joel pode falar um pouco de si, o que faz, o que gosta e detesta.

O que eu faço é escrever. Não só, mas sobretudo. Gosto de brincar com ideias aleatórias, misturá-las e combiná-las numa história comum. No meu mundo da escrita não há assim nada que deteste. Fora desse mundo, ervilhas com ovos. É um prato que para mim está sempre incompleto.

2º Uma vez que vamos falar de livros, de que género literário gosta?

Em termos de ficção, leio de tudo, embora tenha preferência pelo suspense, fantástico, policial, ficção científica, terror e humor. No caso da não-ficção, tudo aquilo que possa ser útil para algum projecto corrente ou futuro.

3º Algum autor preferido? Porquê?

Eu não importaria nada de dizer alguns nomes. O problema é que os outros todos iriam ficar aborrecidos.

4º O que o motivou a escrever?

Uma vez trancaram-me numa sala com um maço de folhas e cinco canetas Bic. Disseram-me que ficaria ali para sempre, a não ser que escrevesse uma história. Consegui sair entretanto, mas de vez em quando dou por mim nessa mesma sala, com uma história para contar.

5º Das 4 obras que já tem ao acesso dos leitores, qual é, para si, o seu menino? E porquê?

Cada obra, à sua maneira, é como uma parte de nós que é partilhada com o mundo. Todos eles têm o elemento de primeira vez: “Um Cappuccino Vermelho” foi o primeiro romance que escrevi e publiquei, “A Sopa” foi o primeiro conto de ficção científica que consegui publicar (não foi o primeiro), “Pátria Atravessada” foi o meu primeiro livro de viagens e “A Imagem” foi o meu primeiro segundo livro. Neste momento é para este que vai grande parte da minha dedicação, visto que acabei de publicar a edição oficial no passado dia 25 de Outubro.

6º As suas obras vão desde Fantástico a Ficção, dando ao leitor vários géneros de literatura. Para si, há algum tema que seja mais difícil ou fácil de escrever?

Qualquer tema é difícil de escrever se não se estiver devidamente preparado. Seja em termos de pesquisa (caso haja necessidade disso), seja em termos da própria história e dos seus personagens.

7º “A Imagem” foi agora recentemente lançado. Pode falar-nos sobre ele?

“A Imagem” conta a história de um jovem chamado Lucas que para manter segredo sobre algo que fez, é obrigado a compactuar com situações bem piores. Ele sente-se encurralado, mas falta-lhe a coragem para enfrentar quem o pôs nessa situação. Até ao dia em que se depara com uma imagem “viva” que o leva a tentar fazer precisamente isso.


É uma obra que vem na sequência do meu livro anterior, “Um Cappuccino Vermelho”. Tem muitos personagens comuns, mas é uma história diferente. Tentei que não fosse necessário ler um para poder ler o outro, mas quem já leu os dois afirma que é preferível assim.

8º Das suas obras, qual seria a primeira a recomendar?

“A Imagem”. Quem gosta de histórias com horizontes amplos, passadas em Portugal, com personagens portuguesas, penso que irá gostar. Não é uma leitura fácil (não me refiro aqui à necessidade de ler ou não o trabalho anterior), mas é uma leitura exigente e, espero que, compensadora.

9º O que acha mais difícil, quando se é escritor em Portugal?

Olhando para o exemplo de outros autores, diria que é conseguir resistir à tentação da publicação fácil. Por mais alertas que se façam, continua a haver quem ache que publicar pela Chiado Editora ou pela Porto Editora - os nomes aqui são apenas um exemplo, não tenho qualquer interesse investido em nenhuma destas duas empresas – é a mesma coisa. E não é.
Quando não há uma resposta imediata, ou quando não se tem a opção de publicar por conta própria, o difícil é saber esperar.

10º O que aconselha aos novos escritores, que mantêm o manuscrito na gaveta?

Quando se decidirem que está na altura de pô-lo cá fora, releiam primeiro o que escreveram. As hipóteses de vocês já não serem a pessoa que eram quando escreveram esse manuscrito são muito altas. A última coisa que querem fazer é publicar uma história com a qual já não se identificam. Peguem no manuscrito, releiam-no, se ainda gostarem do lerem, façam uma revisão, procurem leitores imparciais para ter opiniões. E se chegarem à conclusão que a obra está “pronta” a ser publicada, entrem em contacto com editoras e informem-se sobre o que é necessário para submeter um trabalho para publicação. Sigam essas regras. Tenham em atenção que uma resposta, seja ela positiva ou negativa, costuma demorar algum tempo.

Desconfiem sempre que o prazo de resposta seja de poucos dias

ninguém irá ler e avaliar o vosso trabalho em tão pouco tempo).

Desconfiem sempre que houver dinheiro ou qualquer outro encargo (obrigação de adquirir exemplares próprios, por exemplo)envolvidos: 

quem deve assumir os custos de publicação é a editora, não o autor. Ao autor cabe apenas escrever e promover o seu trabalho. E já é muito.


Não caiam em armadilhas. Saibam esperar por uma resposta. Se não quiserem esperar, podem sempre optar por fazer uma edição de autor ou (muito mais simples e económico): uma edição electrónica.



E por aqui ficamos! Obrigado Joel, pela sua disponibilidade e simpatia. E já agora...ervinhas e ovos? nhamiii...bem...dispenso aquelas criaturinhas pequenitas e redondinhas...e verdes...verde...parece que ja teve melhores dias...naaaa... mas adoro o molho e os ovos oh simmm ehehehhe

terça-feira, setembro 23, 2014

Entrevista a Manuel Alves

Boa Noite Estrelinhas,

Desculpem só agora dar o ar da minha graça, mas fui raptada!!!! Por criaturinhas cor de rosa com bolinhas amarelas e risquinhas azuis...deveras assustador!!!

Para compensar.... uma ENTREVISTA!! Ao escritor Português, Manuel Alves, que apresentei aqui, no Nacionalmente Bom 2


Ora conheçam então o nosso autor!

1º Manuel podes falar um pouco de ti, o que fazes, o que gostas e detestas.

Olá. Resumindo, posso dizer que nasci e tenho-me aguentado. Apesar das várias tentativas de assassinato da parte do Universo. Já escapei a uma asfixia (idiotices de crianças), a afogamento (duas vezes… aprendi a nadar um bocado tarde… mas não demasiado, felizmente), a um acidente de viação (capotar é divertido, mas não recomendo que se faça de propósito), e vou fazendo fintas às rasteiras da vida em geral. De resto, isto de estar vivo, e poder aproveitar um bocadinho as sortes que nos calham, é fixola.
O que faço? Bem… sou ilustrador, quando tenho trabalho, e sou escritor, quando não tenho. Mas é costume uma coisa meter-se no caminho da outra. Ciúmes, e isso. Quando a ilustração e a escrita chegam a um acordo, felicidade e harmonia. Gosto de tangerinas descascadas ao fim da tarde, sentado numa cadeira aquecida pelo sol, a apreciar a lentidão da vida durante o Verão. Detesto que o Verão esteja a tornar-se uma criatura mitológica com avistamentos raros. E nabo, naturalmente. Detesto nabo.

2º Uma vez que vamos falar de livros, de que género literário gostas?

Gosto de livros que me fazem gostar de ler. O género literário não é factor decisivo na escolha, no sentido em que posso passar os olhos por vários livros de um determinado género e acabar por escolher um de outro, para leitura integral. Mas, se for para responder sobre quais os géneros literários que mais leio, são (sem nenhuma ordem de importância): ficção literária, fantasia e ficção científica.

3º Algum autor preferido? Porquê?

Como leio livros, e não autores, as minhas preferências não se prendem com a proveniência das palavras que mas sim com o efeito que a leitura tem em mim. Por melhor que cada um seja naquilo que faz, ninguém é absolutamente constante na capacidade de o fazer, e o autor que pode agradar-nos num livro pode igualmente desagradar-nos em outro. Parece-me mais sensato dizer que há livros que me divertiram bastante, na altura em que os li (alguns dos quais, agora, talvez não tivessem o mesmo efeito). O prazer da leitura é, como tudo em geral, relativo. Aproveita-se enquanto dura, e é o melhor que se pode esperar do que quer que seja.

4º O que te motivou a escrever?

Há quem diga que sou um espírito contemplativo e, se isso é verdade, suponho que cria a necessidade de capturar o resultado da contemplação em invólucro menos fugaz do que o pensamento dedicado ao momento. A escrita é a memória perene das coisas. Pelo menos, enquanto durar. É certamente mais fiável do que a minha memória. Quantas vezes, durante o dia, surgem pensamentos sublimes (sempre sublimes, claro) que serão apagados para sempre (talvez) se não forem registados. É um tormento aceitar que as ideias vêm até nós apenas para existirem a brevidade de um instante. Não se pode escrever tudo, naturalmente. E talvez nem se deva. Mas há ideias que merecem vida longa e partilhada. A escrita é (também) isso. Escrever é uma fome de espírito, uma sede de coração. É descobrir e partilhar as descobertas. É uma das vias extraordinárias que os seres humanos criaram para se expressar e ser entendidos entre os semelhantes. Se bem que, às vezes, é uma via que complica as coisas no esforço irónico de as simplificar. Não há sistemas perfeitos e, diga-se, os seres humanos são criaturas de entendimento complicado. Hum… qual era mesmo a pergunta?

5º Das 12 obras que já tens ao acesso dos leitores, qual é, para ti, o teu menino? E porquê?

O meu menino lindo é (capaz de ser) “A invenção de um conto de fadas”. É o primeiro romance publicado. Escrevi o livro para tentar mostrar a uma pessoa que uma relação não tem de acabar apenas porque se altera. As pessoas podem ser amigas quando não há razão sensata para não serem. Há circunstâncias em que as relações que se querem não são possíveis apesar da vontade de ambas as partes. A vida não transforma mundos inteiros, da noite para o dia, apenas porque as vontades querem. Ainda bem e ainda mal, que é assim. É o estado das coisas. Então, escrevi o livro para falar dos afectos nas cinco fases da vida (divisão minha, sem qualquer pretensão científica): infância, adolescência, vida (jovem) adulta, meia-idade e terceira idade. Gostaria que a vida tivesse tido um bocadinho mais de paciência para me deixar acabar o livro a tempo de essa pessoa o ler, quando a leitura poderia fazer a diferença. Não sei se essa pessoa leu o livro ou se alguma vez lerá. Mistérios que temos de aceitar até ao momento em que talvez tenhamos a sorte de descobrir as respostas.

6º As tuas obras vão desde Ficção Cientifica a Romance, dando ao leitor vários géneros de literatura. Para ti, há algum tema que seja mais difícil ou fácil de escrever?

Para mim, é fácil escrever. Talvez o termo mais indicado seja natural, porque chegar ao fácil dá muito trabalho (o que, vendo bem, não significa que seja difícil). O que faço é adequar o registo de escrita à história que pretendo contar. Não penso muito em qual género literário se incluirá. Deixo essas considerações para quem entender fazê-las e tenha maior conhecimento do que o meu, nessa área. Naturalmente o meu estilo próprio (se é que tenho um) acaba por passar para tudo o que escrevo, seja qual for o género, mas a escrita molda-se consoante a história, tal como o nosso discurso quando falamos para pessoas diferentes. Conheço pessoas que se movem em contextos culturais distintos, e seria complicado se falasse para todas da mesma maneira. Não é, numa visão simplista, usar palavras caras para umas e vocabulário reduzido para outras; é adequar o meio de comunicação à mensagem que pretendemos transmitir aos destinatários em questão. Uma não é (nem deve ser) melhor ou pior do que a outra, é apenas a adequada ao objectivo em mente. Considerações técnicas à parte, consigo escrever o que quer que seja acerca do que quer que seja. Depois, as palavras agradarão a quem quer que seja, como quer que seja (não vamos falar de possibilidades negativas). Se é para falar de coisas difíceis (ou que, pelo menos, dão mesmo muito trabalho), falemos de revisão. Mas não agora. Dá muito trabalho.

7º Há alguma obra a caminho? Podes falar-nos sobre ela?

Estou (quase, quase, mas mesmo quase) na fase final da reescrita/revisão de um manuscrito antigo que decidi ressuscitar. E ressuscitar é o termo adequado, porque o livro também aborda a ideia de que a morte não é um fim definitivo. Terá como título “A Cativa”, e será o primeiro volume de “Wulfric”, uma série de fantasia que se alongará, pelo menos, por quatro livros. O personagem central é Wulfric, um dos Mestres da Ordem, uma organização milenar secreta (naturalmente), que assegura a manutenção, na Terra, do equilíbrio de poderes entre os Lados (Céu e Inferno). Se tiver de enquadrar a série em géneros literários, direi que tem por base a fantasia urbana (ou isso), com ramificações para romance, terror, ficção científica, e até ficção histórica. A história está ancorada no presente, mas há partes da acção no passado (Wulfric é muito antigo), algumas em Portugal, durante o cerco da cidade do Porto, na guerra entre Liberais e Absolutistas. Num dos livros da série, parte da acção poderá mesmo passar-se no futuro. Mas, isso, só mesmo o futuro o dirá. No primeiro livro, aparecem lobisomens, fadas, anjos, demónios, Lúcifer, Mefistófeles, uma feiticeira que guarda a cruz de Cristo, Cativas (é preferível ler o livro do que perguntar-me o que são) e, claro, Wulfric, o Mestre Lobo. O grande problema que ele terá de enfrentar no primeiro livro é a questão do desentendimento entre Lúcifer e Mefistófeles, uma ameaça considerável para a manutenção do equilíbrio entre os Lados.

8º Das tuas obras, qual seria a primeira a recomendar?



As minhas recomendações são as sinopses. Os leitores que as leiam e decidam. Procuro ser o mais honesto possível na exposição daquilo que poderão esperar das respectivas histórias. Se é algo sempre feito com sucesso, é difícil (sobretudo, para mim) avaliar. Novamente, deixo ao critério dos leitores. Não vou dizer que todos os meus livros são como filhos (porque é uma comparação absurda e um bocado aldrabona), e que gosto de todos de maneira igual. Tenho carinho especial por alguns, e eles compreendem-me (ahah), porque mesmo os livros menos acarinhados recebem afecto em abundância. Talvez possa fazer umas sugestões. O “Z” foi, de certa forma, o tiro de partida para a publicação. É um conto de ficção científica centrado em dois personagens dotados de intelectos superiores, e aparentemente antagonistas. Z, um jovem gerado num útero artificial, e o Professor, o cientista que o criou. É gratuito e está disponível para quem quiser conhecer as razões de ambos os personagens. Para quem gostar de fantasia para crianças que é, na verdade, para miúdos e graúdos, arrisco garantir que gostará de conhecer a “Lili”. Houve quem a comparasse a “Coraline”, de Neil Gaiman, algo que me parece que deixaria o Neil Gaiman contente (ahah). Também compararam, em parte, a “O Estranho Mundo de Jack”, de Tim Burton. Mais uma comparação feliz, portanto. É uma série de contos ilustrados, com dois livros já publicados e o primeiro é gratuito. Para além do já mencionado “A invenção de um conto de fadas”, tenho de incluir o meu romance mais recente “Terra Fria”, uma história que recua aos tempos da ditadura salazarista, altura privilegiada para encontrar nas pessoas o pior e, felizmente, também o melhor da humanidade. Para quem ler e gostar de um destes livros é quase certo (mas não garantido) que poderá gostar de qualquer um dos outros mencionados.

9º O Que achas mais difícil, quando se é escritor em Portugal?

Ser escritor em Portugal (ahah… rir para não chorar). Para sermos justos, suponho que é sensato concluir que é difícil ser escritor em qualquer país. Mas, em Portugal, algumas dificuldades agravam-se. Para começar, presumindo que se escreve em português, o escritor está confinado (no sentido comercial) a uma língua que não pertence ao grupo muito reservado das que dominam o mercado editorial a nível mundial. Hoje em dia, é bom que consideremos as coisas globais dentro da sua verdadeira escala. A internet possibilita a publicação de ebooks em todo o mundo. Segundo os dados de que disponho, desde o início do ano, os meus livros foram adquiridos em, pelo menos, 17 países, a grande maioria dos quais não tem o português como língua oficial. Deve ser mesmo verdade que há portugueses em todos os cantos do mundo. A propósito, acho que está na altura de se começar a usar a expressão “curvas do mundo”. Afinal, já passaram alguns séculos desde que se estabeleceu que a Terra não é plana e que, tecnicamente, não tem cantos. É só uma ideia. Voltando ao assunto… Em Portugal, segundo aquilo que me é dado perceber, os leitores a sério lêem muito e compram livros sempre que podem. O problema é que não há muitos leitores a sério. Não vou dizer que compreendo as razões da escassez de leitores que folheiam, vá lá, um livro por mês (já não seria mau, se fosse o mínimo dos mínimos), e duvido que alguém compreenda inteiramente. Em Portugal, não há cultura de protecção da cultura (redundância intencional). Não se trata de obrigar todos a ler, porque todos devam forçosamente ler, trata-se de criar as condições para que todos os que queiram fazê-lo de livre vontade possam ler sem, por exemplo, se verem obrigados a escolher entre comprar um livro ou pão para o mês inteiro. Em grande parte, é essencialmente um problema de educação cultural. Nem todos têm de gostar de ler (os gostos deverão ser, por definição, espontâneos), mas os que gostam (e os que poderiam gostar, se lhes fosse permitido) deviam poder usufruir de uma estrutura institucional que lhes facultasse o acesso aos livros. Estado Português, queres comentar?
(…)
Pois, a cobardia silenciosa do costume. Para completar o par de sapatos de cimento que afundam o desafortunado escritor português nas águas editoriais, lá estão também as editoras a fazer peso. Não vou debater a necessidade óbvia de as empresas terem de gerar receitas para serem viáveis financeiramente. Ponto. Mas o facto é que, cada vez mais, as editoras jogam pelo seguro e publicam autores maioritariamente estrangeiros, com garantias relativas de sucesso, em virtude das vendas internacionais, e fecham-se para as apostas em autores portugueses emergentes que, dentro do território nacional, poderão ser igualmente rentáveis. Não pretendo, de modo algum, afirmar que se dê oportunidade aos autores nacionais apenas porque são de cá, e escrevem em português. Há que publicar autores estrangeiros que merecem ser lidos, e há que dar trabalho a tradutores que, como os escritores, precisam de comer. O que pretendo afirmar é que se dê oportunidade, ponto final. Para colocar as coisas em perspectiva, comecei a publicar há menos de dois anos (um completo desconhecido dos leitores, na altura) e, até ao momento, o número de aquisição dos meus livros ronda os 30 mil. Uma pena (financeiramente), que a maioria se deva a downloads gratuitos mas, ainda assim, é válido levantar uma pergunta. Quantos autores nacionais, nos últimos dois anos, conseguiram fazer chegar às mãos dos leitores 30 mil livros? Mesmo sem saber números concretos, arrisco que não serão muitos (alguém me corrija, se o palpite for ao lado), principalmente se começaram a publicar há menos de dois anos. É caso para se dizer que, afinal, a coisa (para mim) até nem está muito mal em Portugal, certo? Bem, não vamos deitar foguetes antes da festa. A grande maioria dos meus leitores vive no Brasil. Abençoada existência de outros países falantes de português. Só para terminar a questão, mais uma coisinha. Nos últimos tempos, dois dos maiores grupos editoriais de Portugal começaram (aparentemente) a apostar em plataformas de autopublicação, para dar oportunidade aos novos escritores e tudo muito bonitinho embrulhado com lacinho. Acontece que as oportunidades maiores são, claro está, para as próprias editoras, que colocam os livros (ebooks) a preços demasiado elevados para autores desconhecidos (sejamos sensatos) e, desses valores, reservam margens ridículas de ganho para os autores, em comparação às oferecidas por exemplo, pelo Smashwords, a editora dos meus livros. Para fazer um pequeno teste (porque eu sou um malandreco, admito), enviei para uma dessas editoras os manuscritos dos meus dois romances já publicados. Passado mais ou menos o tempo indicado para a resposta prevista, recebi um email a elogiar os dois livros, afirmação explícita de que apreciaram “sobremaneira” (estou a citar) a qualidade da escrita, mas que era uma pena verificarem que os livros já se encontravam publicados, condição que inviabilizava a publicação pela editora (algo que eu já sabia através da leitura do regulamento, pois claro). Fizeram questão de reiterar os elogios e manifestaram o desejo de que eu contactasse a editora em relação a futuros trabalhos. Certo. Uma pergunta. Afinal, qual o impedimento em dar uma oportunidade de facto e celebrar um contrato para a publicação física? Não seria o primeiro autor a mudar de editora. Posso apenas presumir que, todos os dias, recebem de cada autor aos dois livros que consideram excelentes, prova verificada da qualidade da escrita que se mantém de um livro para outro. Dito isto, espero que os autores que beneficiam dessa tal oportunidade, e similares, tirem o devido (justo) proveito do seu trabalho.

10º O que aconselhas aos novos escritores, que mantêm o manuscrito na gaveta?


Nem tudo o que se escreve merece ser publicado. É bom que se avalie a realidade e se ponha o ego de lado. Há manuscritos que servem apenas (e não é pouco) como treino de escrita. Eu comecei a publicar há menos de dois anos, mas escrevo há uns vinte. Portanto, em contas simples, treinei uns dezoito anos para saber que manuscritos tirar da gaveta. E todos os anos de treino que ainda tiver pela frente (a vida inteira) servirão para refinar os critérios da frieza que permite identificar os manuscritos que nunca deverão sair da gaveta. Uma boa parte de ser escritor é, em medida igual, saber o que publicar e não publicar. De resto, dito com a maior simplicidade possível, escrevei, pá. Bom e mau, tudo é experiência. Mas se a intenção é publicar, lá terá de vir o momento em que a gaveta já não pode conter mais páginas e apenas o mundo é grande o suficiente para permitir a existência das palavras. É escrever o fim, deixá-lo partir ao encontro dos leitores e escrever o início do próximo livro. Há que preencher o espaço vazio na gaveta.


Muito Obrigada ao Manuel, pela atenção e disponibilidade para esta pequena entrevista. 
Em breve, assim que possivel trarei noticias sobre “A Cativa”

quarta-feira, abril 03, 2013

Entrevista a Soraia Pereira

Boa Tarde minhas carinhas lindas,

hoje trago-vos uma entrevista. E Desta vez com a nossa querida Soraia Pereira *.*


1º Fale-nos um pouco de si, o que faz, o que gosta e detesta.

(Antes de mais nada, obrigada à Nádia pelo interesse e entrevista, beijinho.)
O meu nome é Soraia Pereira, tenho 26 anos e sou de Guimarães. Bom, sobre mim… O que posso eu dizer? Sou uma pessoa igual a todas as outras. Tenho dias bons e outros que nem por isso. Um monte de defeitos e algumas qualidades. Gosto de ler e escrever. De uma boa dose de humor com qualidade. De sol, calor e praia. De cães e gatos. Adoro fazer indoor cycling. Ah, e adoro chocolate e gomas.
Detesto falsos moralismos e abomino completamente pessoas racistas, xenofóbicas, sexistas e machistas.

2º Uma vez que vamos falar um pouco de livros, de que género gosta?

Literatura fantástica e romance paranormal é o tipo de livro que figura no meu top de preferências. Mas acabo sempre por diversificar as leituras.

3º Algum autor preferido? Porquê?

Sherrilyn Kenyon. A maneira como ela escreve e tudo o que ela transmite ‘marca-me’ como nenhum outro autor/a.

4º Livro que mais gostou e que mais lhe marcou?

Neste caso tenho dois livros. Posso falar dos dois?!
Os filhos da droga de Christiane F – Foi o primeiro livro que li a sério. Lembro-me como se fosse hoje o momento em que a menina da biblioteca olhou para mim e para o livro, alternadamente. (Tinha 12 anos na altura). Adorei o testemunho, embora com tão tenra idade não compreendesse na totalidade o peso desta obra. 12 anos mais tarde, acabei por comprar o livro que pertence agora à minha biblioteca privada e voltei a ler. Ganhei uma visão totalmente diferente e fiquei a gostar ainda mais dele. Porque apesar de ser um testemunho que se passou quando eu ainda usava fraldas, o flagelo da droga permanece igual nos dias que correm. Sou daquelas pessoas que acredita que este tipo de livro deveria ser lido e analisado em conjunto nas salas de aula. Desmistificava e retirava a curiosidade sobre muita coisa. (Também existe em filme e já perdi a conta às vezes que o vi).
Acheron, de Sherrilyn Kenyon. – Li este menino no Verão de 2010 (completamente fora de ordem) e nunca mais o esqueci. Só quem é fã desta autora sabe como os livros dela nos encanta e, só quem já leu ‘Acheron’ percebe esta paixão que já me levou a ler o livro (umas cinco ou seis vezes pelo menos). Adoro livros, todos os que guardo na minha biblioteca privada têm um valor muito grande para mim, mas se por ventura tivesse de me desfazer de todos e só pudesse ficar com um e apenas um, escolhia este. ‘Acheron’ é para mim a obra-prima da SK.

5º Tem algum livro que recomendaria?

O meu! (Estou a brincar lol)
Tenho vários livros que me fizeram vibrar e ficar de ressaca literária durante dias, mas recentemente li um livro que, de todos os que já li de autores portugueses foi o que mais me deliciou até à data. ‘Inverno de Sombras’ de Liliana C. Lavado. Amantes de fantasia urbana e YA este é o livro que de certeza vão querer ler.

6º Como surgiu a ideia para o livro Ligação? Alguma coisa que lhe tenha inspirado?

A ideia para o livro Ligação surgiu no rescaldo de uma outra história. A ideia surgiu do nada, por mera brincadeira para passar o tempo. Talvez o tédio (devido à crise) me tenha inspirado *gargalhada*.

7º Pode falar um pouco sobre o livro Ligação para quem ainda não o conhece?

Ligação é um livro de caracter fantástico/ romance paranormal…
A acção desenrola-se em território Norte Americano mais precisamente na cidade de Nova Iorque. Ofereço-vos doces momentos de romance e paixão. Situações de ódio e raiva. Boas doses de humor. Um livro q.b.

8º Os livros de fantasia estão na moda, o que trás este de novo?

Bom, isso serão os leitores a dizer se trás ou não algo de novo. Acredito que cada livro é um livro, independentemente de abordar um tema que está na moda ou não. Cabe ao autor dinamizá-lo e diversificá-lo o mais possível. Dar asas à imaginação. Deixar as ideias fluírem e tentar marcar a diferença.

9º Este livro é o primeiro de alguma trilogia ou saga?

Sim, é o primeiro livro de uma saga: Anjos Negros.

10º Quantos livros serão no total?

A saga Anjos Negros será constituída por 12 livros. 7, já estão concluídos, o 8º já está quase terminado e o primeiro está quase disponível no mercado.

Entrevista a Rute Canhoto

Bom dia Estrelinhas,
hoje temos a primeira entrevista do Blog, *palminhas* e desde já muito obrigada a Rute Canhoto pela disponibilidade.


1º Fale-nos um pouco de si, o que faz, o que gosta e detesta.

Olá, Nádia. Vou tentar ser sucinta. Ora bem, sou Técnica de Comunicação numa Câmara Municipal, que é um trabalho de que gosto muito, não só por ser na minha área de estudo, mas também porque tem uma dinâmica interessante. Do que gosto? De uma boa história, seja em livro ou em filme. Do que não gosto? De chegar a atrasada e de não conseguir cumprir alguma meta que estabeleço.

2º Uma vez que vamos falar um pouco de livros, de que género gosta?

Adoro tudo o que esteja relacionado com o paranormal – é um mundo infinito de possibilidades. E também adoro um bom romance. Se se juntar os dois géneros num só, melhor ainda!

3º Algum autor preferido? Porquê?

Não tenho um autor preferido, gosto de descobrir vários. Posso citar alguns, como JR Wards, Becca Fitzpatrick , Jana Olvel e Marion Zimmer Bradley.

4º Livro que mais gostou e que mais lhe marcou?

Há, sem dúvida, um livro que me marcou: “Hush, Hush”, da Becca Fitzpatrick. Há algum tempo que não lia nada e, quando voltei a fazê-lo, foi o primeiro romance paranormal em que peguei. Gostei tanto dele que me senti motivada a regressar à escrita.

5º Tem algum livro que recomendaria?

Vários, mas isso depende dos gostos de cada um. Por exemplo, na área do romance recomendaria Nicholas Sparks, cujos livros adoro.

6º Como surgiu a ideia para o livro Perdidos? Alguma coisa que lhe tenha inspirado?

A inspiração para o “Perdidos” adveio da leitura do “Hush, Hush”, como mencionei antes. Mas não queria fazer mais do mesmo, daí optei por fazer uma pesquisa na Internet para descobrir um conceito menos explorado.

7º Pode falar um pouco sobre o livro Perdidos, para quem ainda não o conhece?

Como refiro na sinopse, “Perdidos” é a história de Marina, uma rapariga de 17 anos cujo cosmos fica virado do avesso devido a uma série de acidentes inexplicáveis que parecem querer pretender colocar um ponto final na sua existência. Na sua busca por uma resposta quanto ao que se estará a passar, Marina irá encontrar muitos perigos e aventura, tudo com uma pitada de romance.
ura obscura que o rodeia. Mais

8º Os livros de fantasia estão na moda, o que trás este de novo?

O conceito em si. Não é um livro de vampiros, lobisomens ou anjos caídos – trata de algo completamente diferente. Mas, é claro, não posso revelar que conceito abordado é este, para não estragar a surpresa.

9º Este livro é o primeiro de alguma trilogia ou saga?

Sim, é o primeiro de uma trilogia. É a minha estreia no campo do fantástico, mas também das séries. Dá muito trabalho, mas sinto que compensa.

10º Quantos livros serão no total?

Tratando-se de uma trilogia, serão três livros. Apenas mudarei para um número maior se não conseguir contar a história toda em três, mas é para esse objetivo que aponto.

Obrigado pela entrevista e pela atenção!!!


Obrigada Rute ;)

quinta-feira, janeiro 10, 2013

Entrevista a Joaquim Fernandes autor do livro "Histórias Prodigiosas de Portugal - Mitos & Maravilhas"


Boa Noite queridos leitores,
hoje apresento-vos o escritor Joaquim Fernandes, autor de "Histórias Prodigiosas de Portugal - Mitos & Maravilhas".

1º Fale-nos um pouco de si, o que faz, o que gosta e detesta.

R. - Sou um portuense de gema, "tripeiro" de coração, numa cidade recheada de esquinas do Tempo pouco iluminadas pelas leituras críticas. Viciado em bibliotecas e descobertas cobertas de pó, que nunca ninguém leu.
Interessado nas questões menos conhecidas e estudadas da História, analisei os comportamentos dos nossos religiosos nos ambientes conventuais, de que resultou a minha dissertação de mestrado posto em livro
com o titulo "Silenciados e silenciosos"; investi depois na descoberta do Imaginário Extraterrestre na Cultura Portuguesa, - o tema do meu doutoramento, a primeira no seu género a ser apresentada numa Academia europeia -uma investigação prestes a sair em livro sob o título "Moradas celestes", com a chancela da Âncora Editora.
De gostos pessoais e intransmissíveis, posso dizer que aprecio as pessoas genuínas e verdadeiras; a coragem de ser diferente e a ousadia que rompe avenidas para o futuro ou futuros, conforme
os queiramos construir ou apenas suportar. Gosto da bravura e da aridez das montanhas nortenhas, mas também sou capaz de ser seduzido por um por-do-sol nos horizontes de uma praia alentejana. Ler é uma devoção e uma comunhão diária que santifica os meus dias. Detesto incapazes, manipuladores e dogmáticos.  

2º Uma vez que vamos falar um pouco de livros, de que género gosta?

R. - Aprecio o ensaio histórico, mas também invisto noutras áreas das ciências humanas e sociais. Mas leio poesia e recolho o melhor dos nossos maiores poetas. Romances de ficção histórica, científica e policiais colhem também as minhas preferências.

3º Algum autor preferido? Porquê?

R. - Fernando Pessoa, sem dúvida, figura no topo das minhas leituras, porque encarna a multiplicidade dos seres que podemos abrigar em nós sem mesmo os reconhecermos.

4º Tem algum livro que recomendaria?

R. - Entre tantos títulos...talvez "Uma campanha alegre", de Eça de Queiroz, pela sua mordacidade elegante, sem paliativos, face à sociedade da sua época. Algo que pela sua elegância linguística o torna um clássico
exemplar da crítica social.


5º Como surgiu a ideia para o livro “ Histórias Prodigiosas de Portugal - Mitos & Maravilhas”? Alguma coisa que lhe tenha inspirado?

R. - Foi uma construção lenta, na sequência de bastantes anos de pesquisa e recolhas documentais. Achei que a nossa leitura da História nacional merecia outro olhar que não fosse apenas a dimensão política, social
e económica, de resto muito importantes e alvo de muitas abordagens na nossa historiografia. Esta minha visão é como um olhar sobre a ponto de um iceberg mental, na sua maior parte escondida sob o mar das atitudes mentais e sociais controladas ou o politicamente correto. As crenças de cada um, de todos nós, enquanto corpo coletivo, acabam por decidir muitas das consequências e decisões políticas, tal como se expressam em variadas páginas do meu livro.

6º Como foi todo o processo desde que terminou de o escrever até ser publicado? Pode falar um pouco sobre isso?

R. - Parti da verificação de uma  realidade: a natureza religiosa profunda de muitas das atitudes que decidiram actos políticos. Facilmente se percebe que existe um laço entre o chamado sobrenatural e aquilo que hoje
definimos como Estado ou mesmo Nação. Tentei construir uma narrativa das vertentes fantásticas da nossa génese enquanto Nação, assentes nessas crenças arcaicas que fomos herdando de outros povos que passaram pelo espaço ibérico, muito antes de existir Portugal independente. Daí a elaboração de ste roteiro de mitos e maravilhas de que nos alimentamos ao longo de séculos. E que persiste nos nossos dias...

7º Tem algum conselho para jovens que estão a entrar neste mundo novo e difícil que é, para publicar um livro?

R. - Há que ser muito persistente e insistente. Trabalhar sem esmorecer, sem acreditar que já sabemos tudo e que a nossa obra é a mais original e perfeita. Nunca estar satisfeito com o que produzimos.

8º Pode falar um pouco sobre o livro Histórias Prodigiosas de Portugal - Mitos & Maravilhas, para quem ainda não o conhece?

R. - Aqui se apresenta o retrato de um País digno de Alice, tirado em pose no Passado e que nos explica de que modo e por que razões é que chegamos ao Presente, neste Estado, por caminhos e agentes tão crédulos e piedosos na regência dos negócios públicos: crenças, mitos e maravilhas cozinhados a lume brando em pactos partilhados entre o céu e o inferno, em sobrenatural e fantástica existência nossa, abençoada a incenso ou a enxofre, com anjos e demónios, par a consolação e provimento da Grei. Nas páginas desta "História Prodigiosa de Portugal" o leitor irá conhecer personagens e eventos capitais que marcam este milenar consórcio de Portugal com os universos do sobrenatural e da magia:
Pedimos de empréstimo Ulisses e outros deuses menores para reconstituir no solo pátrio o Éden bíblico; ousamos "nacionalizar" a submersa Atlântida e a plataforma continental há mais de século; requisitamos ajuda às tropas celestes e aos eclipses para levar de vencida o Mouro invasor; "senhoras luminosas" dispensaram-nos ajuda médica nas frentes de combate contra o infiel; os nossos soberanos acediam à pia batismal, ao altar e ao trono após consulta aos céus e ao astrólogo régio; comerciámos as nossas mulheres com o diabo e o seu séquito no silêncio dos conventos; as nossas batalhas e os nossos exércitos regulamentavam-se pela aparição dos cometas; traficámos falsas relíquias, aos milhares, em piedosa contrafação controlada pela Corte e apaniguados; salvámos os nossos prisioneiros dos cárceres da mourama em instantâneos teletransportes; multiplicámos falsos Sebastiões desejados em farsas e tragédias; enviámos homens santos aos mares do Oriente domesticar oceanos e pescarias; replicámos toda a sorte de amuletos e mezinhas para consumo de reis e aristocratas...
Se fossemos coevos de Camilo Castelo Branco subscreveríamos a camiliana sentença: "Uma nação que assim está sob fiscalização divina não pode cair como Cartago ou Roma...


9º Tirando esta obra, tem mais alguma? Quais?

R. - Este é o 14 título, de uma obra dedicada sobretudo à História e ao Ensaio. Em 2008 fiz a minha estria na ficção, com o romance histórico "O Cavaleiro da Ilha do Corvo", baseado numa investigação exaustiva sobre o conhecimento antigo do Oceano Atlântico e que aponta para descobertas anteriores ao ciclo das navegações portuguesas dos séculos XIV e XV e documentam  no meu entender, a descoberta anterior das ilhas atlânticas, Açores
incluídos. Entre outras obras mais emblemáticas posso citar "O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos" ou "Halley, o cometa da República", que tiveram alguma aceitação pública.  

10º O mais importante de tudo, onde podemos encontrar à venda?

R.- De um modo geral, os interessados podem encontrar estas obras nas livrarias FNAC, Bertrand e também na livraria online WOOK.

terça-feira, julho 17, 2012

Entrevista a Aníbal Ávila Castro autor do livro O Guerreiro Psíquico

Boa noite,
O Nosso Mundo Sobrenatural esteve a conversa com o Sr. Aníbal Ávila Castro, autor do livro O Guerreiro Psíquico. Espero que gostem tanto desta entrevista como eu :)

1º Fale-nos um pouco de si, o que faz, o que gosta e detesta.

Na verdade não gosto muito de falar de mim, porque acho que o que é importante é o livro e não o autor, mas aqui vai. Gosto de ler livros, ou de ver filmes, de área do fantástico e da ficção científica, que dentro dos seus géneros, conseguem abarcar quase todos os temas da vida humana, desde a aventura até ao amor, passando pelo conflito social. Gosto de caminhar e refletir enquanto caminho. Acho que se não pararmos para pensar na nossa vida, os erros vão-se repetir inevitavelmente. Não conhecemos tanta gente que repete os mesmos erros? Se não refletirmos, vamos sendo conduzidos, ou empurrados na vida, pela enxurrada de acontecimentos, em vez de marcarmos o nosso rumo e nem nos apercebemos que estamos à deriva na corrente. Chegamos mesmo a insurgirmo-nos se alguém o salienta.
Uma coisa que me incomoda é a maldade das pessoas. A facilidade com que pisam nos seus semelhantes, ou a maneira como se fazem passar pelo que não são. Outra coisa que me incomoda é ver os animais mortos à beira da estrada. Não consigo deixar de pensar que até para se ser animal é preciso ter sorte.

2º Uma vez que vamos falar um pouco de livros, de que género gosta?

O género do fantástico é a minha preferência. Quando comecei a esboçar o contorno do Guerreiro Psíquico, hesitei muito quanto à época. Se o colocava numa época futura, estilo ficção cientifica, ou se o colocava na idade média. Como já há muita coisa na ficção científica, acabei por escolher a idade média. Não era meu objectivo ser um daqueles escritores que olham para a moda actual, seja feitiçaria, seja vampiros ou anjos, e vão a correr escrever dentro das mesmas linhas. O livro tem de nascer de dentro e inevitavelmente terá o cunho pessoal. Eu nunca conseguirei escrever o livro dos outros. Posso tentar e até escrever, mas nunca será tão bom, como escrevesse aquilo que nasce de dentro de mim. Infelizmente não consigo ler tanto como desejaria, se leio, não escrevo. A minha opção é ver filmes. Tenho seguido, por exemplo, a série twilight.

3º Algum autor preferido? Porquê?

Gostei da J. K. Rowling (autora do Harry Potter). Ela escreve muito bem e da forma que procuro seguir. A elaboração das frases é simples e o texto cativante, de forma a prender o leitor até ao fim e chegar a um ponto em que se esquece de que está a ler. Isto permite ao leitor identificar-se com a história e envolver-se nesta, até ao ponto de a estar a viver. Ela é sem dúvida uma mestra. Também gosto Raymond E. Feist (O Mago) e da Trudi Canavan (Trilogia do Mágico Negro). Dentro dos autores portugueses do género prefiro o Filipe Faria. Também li e gostei do Fábio Ventura e da Sandra Carvalho. Em relação a esta última tive de dar razão ao Filipe Faria, que me disse uma vez, que não lia os livros da Sandra Carvalho, porque eram muito só para meninas.

4º Como surgiu a ideia para o livro “o guerreiro psíquico”? Alguma coisa que lhe tenha inspirado?

Durante muito tempo fui lendo vários livros à procura do tema perfeito para mim. Do livro que mais gostaria de ler. Como não o encontrei, dei por mim um dia a questionar-me. Será que o consigo escrever? Foi assim que tudo começou. E sabem que mais? É ainda mais emocionante escrevê-lo do que lê-lo.

5º Como foi todo o processo desde que terminou de o escrever até ser publicado? Pode falar um pouco sobre isso?

Depois de acabar de o escrever até ao publicar é um processo complicado, sobretudo nos tempos que correm. A reacção normal das editoras é não dar uma resposta quanto ao manuscrito enviado. Quando as interrogamos respondem: Mas enviou? De certeza? Então mande lá outra vez! Acontecem todo o género de contratempos exasperantes. Por exemplo, a editora (estou a referir-me a uma pessoa) da Civilização, gostou do livro e submeteu-o ao Conselho Editorial. Este aprovou-o, mas a etapa seguinte, o Conselho Comercial, vetou a publicação, por não se enquadrar na estratégia da Editora. Com a Diefel foi diferente. Autorizaram-me a mandar o manuscrito, pois enquadrava-se perfeitamente na estratégia. Três meses depois questionei o que se passava. O seu livro está na pasta dos selecionados. Até era para publicar, se não tivéssemos mudado a estratégia. Exasperante não é? Em todos estes processos os meses arrastam-se. A dada altura percebi que o livro tinha um problema. Era muito grande. Foi aí que avancei com a alternativa de o dividir em dois, alternativa essa apoiada pela Casa das Letras. Na Casa das Letras correu tudo bem até ao passo final. O Conselho Comercial, vetou a publicação para o ano seguinte, pois a Editora é generalista e já tinham muitos do género fantástico para o ano seguinte. Como estávamos a entrar na recessão económica, lembrei-me logo da mudança de estratégia da Diefel. No ano seguinte tudo poderia mudar. No caso da Planeta Editora, esta garantiu que o livro (completo e não dividido), seria publicado, mas esqueceram-se de dizer o ano. Ainda estou à espera. Entretanto surgiu a Chiado Editora e avancei com esta.

6º Tem algum conselho para jovens que estão a entrar neste mundo novo e difícil que é, para publicar um livro?

Dar conselhos é um pouco difícil, uma vez que a situação económica mudou completamente a realidade editorial. Vejamos. Estamos na área do fantástico, onde a concorrência estrangeira é feroz. Se um autor quisesse publicar poemas, ou falar sobre a realidade política em Portugal, seria de todo diferente. O que as Editoras trazem para cá, não são os corriqueiros, os bons, ou os muitos bons, sãos os best sellers. Logo a comparação de um autor novo, é com os melhores do mundo. Para dificultar ainda mais, a mentalidade portuguesa nesta matéria é de que o que é português não presta. Infelizmente tive a oportunidade de confirmar isso, mesmo com pessoas de alguma proximidade. A posição é de crítica sem terem lido o livro. Claro que as pessoas são livres de não gostarem do género, ou mesmo gostando, não gostarem de uma dada obra. É normal, todos somos diferentes e temos os nossos gostos. O Saramago ganhou o prémio Nobel e há quem não goste das suas obras. O que pretendo salientar é a opinião preconcebida, que leva o autor a ter de fazer a travessia do deserto, onde muitos morrem de sede, até conseguirem ser alguém. Claro que tudo é diferente se o autor for uma figura mediática, especialmente se aparecer na televisão. Aí é o oposto. As pessoas têm curiosidade em ver o que ele escreveu. Nesta recessão económica, o que é a Editora vai preferir publicar, ou a livraria expor naquele espaço específico da limitada prateleira? O best seller internacional que a contracapa diz que vendeu muito, ou o recém aparecido livro, que na contracapa não diz que vendeu milhares ou milhões? Claro que é o best seller que já deu provas.
Aquilo que posso aconselhar é não desistirem e persistirem com determinação. É indispensável fazerem publicidade. Como referiu a minha Editora, um livro pode ser muito bom e não se vender. Publicidade essa, que se restringe aos ridículos meios ao seu alcance. Mesmo assim vão ver as reacções das pessoas. Mas ele está a fazer publicidade do seu livro? Está a falar da sua obra? Mas que mau aspecto! Se for um autor estrangeiro tem todo o direito de falar sobre o seu livro, mas se for português, já fica mal, como se o autor estivesse a falar bem dele próprio. Como se estivesse a gabar-se. Há que não desistir. Tanto mais, que por vezes julgo que as Editoras não sabem o que se vende. O Harry Potter foi recusado doze vezes em Inglaterra por não ser vendável. O Eragon teve de ser publicado na gráfica dos pais do autor e este andava vestido de Eragon a promover o livro. Só então, com as vendas alcançadas, conseguiu convencer uma Editora e foi o sucesso que conhecemos.

7º Pode falar um pouco sobre o guerreiro Psíquico, para quem ainda não o conhece?

O Guerreiro Psíquico passa-se numa Idade Média, onde uma das profissões mais respeitada é a de telepatas, que são treinados no Templo da Voz da Mente. A história aborda a luta desesperada de dois jovens que pretendem alcançar o seu sonho, mas debatem-se com preconceitos de tradição familiar e de disciplina, em que os pais impõem o que julgam melhor, pelos seus próprios valores, para os filhos. O perigo espreita e avança, pois os piratas matam todos os que são, ou podem vir a ser telepatas. A presença de um emissário do Templo da Voz da Mente, vem pôr em causa valores tidos como certos, quando de repente surge a perceção, de que a decisão errada resultará em perdas de vidas dentro de poucos dias. Os ânimos exaltam-se quando ambas as partes lutam para salvar vidas, com a solução oposta do adversário e acreditando que a decisão da outra parte, é morte certa. O desespero e o perigo eminente levam a decisões, tanto de ultraje, como arrojadas, que os levam por caminhos, também eles muito perigosos, na perseguição de uma esquecida profecia milenar, mas que a precipitação dos acontecimentos presentes, evidenciam que se está a realizar.
O livro é para todas as idades e pretende ser simples de ler e cativante, para que o leitor esteja a ver a história a desenrolar-se à sua frente. A parte fantástica foi projetada para ser limitada e enquadrada na história, de uma maneira que pretende que o leitor chegue ao ponto de achar que aquilo é normal.
Quanto à opinião das pessoas remeto-vos para a opinião publicada no “O Nosso Mundo Sobrenatural”, ou para as opiniões deixadas pelas pessoas no site do livro. A minha opinião é irrelevante, uma vez que escrevo o que gosto. Cabe ao leitor fazer a sua avaliação e única coisa que vou adiantar é que as pessoas conhecidas tentam persuadir-me a dispensar a título excepcional, e só para a pessoa em causa, o manuscrito da continuação. Claro que isso é um universo reduzido e cabe ao leitor ter a sua opinião individual.

8º Deu para perceber que o Guerreiro Psíquico tem continuação, já se sabe para quando irá ser publicado?

Como referi antes o livro original foi dividido em dois, pelo que está pronto. O tempo que vai levar a publicar depende unicamente do tempo que o primeiro volume levar a impulsionar isso. Vai depender do tempo da passagem de boca em boca, daqueles que gostaram do livro e que vão falar dele. Foi assim mesmo que tomei conhecimento do Harry Potter. Ou seja depende unicamente de vocês.

9º Quantos livros são no total?

A saga é de sete livros. Nunca serão mais de sete livros, porque entendo que seria excessivo. Como o primeiro livro foi dividido em dois volumes, haverá um ajustamento para não aumentar o número de volumes. Estes sete volumes, correspondem aos sete degraus da escada evolutiva psíquica, trilhada em três templos da cidade de Satamar, cidade essa para onde se retiraram os antigos e que segundo a profecia, permanece visível e invisível.


10º Você tem em mente algum novo projecto?

Neste momento não tenho outro projeto, mas sei que o próximo será certamente uma mistura de fantástico e ficção científica. Sei disso porque por vezes aparecem-me imagens, que se desenrolam como um filme, que me mostram o que poderá ser. Também me aparecem imagens desta saga, referentes ao volume seguinte. Quando escrevo, faço um planeamento, mas depois a história e os personagens ganham vida própria, escapando completamente ao pré-definido. A imposição destas imagens é tão forte e inesperada, que literalmente vivo a cena. Uma vez parei de escrever porque não conseguia escrever mais. Estava a chorar. A cena estava à minha frente, eu estava na cena, eu estava a viver a cena. No final quando revejo, espanto-me do que escrevi e verifico que está muito melhor do que eu alguma vez poderia ter planeado. Para não me alongar, podem, se quiserem, ver mais no site do livro.

Obrigado pela sua colaboração nesta pequena entrevista

segunda-feira, maio 07, 2012

Entrevista com Carina Portugal

Hoje trago uma entrevista fresquinha, Com a autora Carina Portugal
A autora conta com as seguintes obras editadas:
*um e-book O Retrato da Biblioteca 
*um e-book de contos intitulado "Os Passos do Destino", em co-autoria com a escritora Carla Ribeiro,
* "Vollüspa - Antologia de Contos de Literatura Fantástica", em co-autoria com outros escritores




1º Fala-nos um pouco de ti.

Chamo-me Carina, apesar de grande parte dos meus amigos me tratarem por “Leto”, tenho 22 anos e sou formada em Biologia. Adoro ler e escrever, e sou uma apaixonada por Literatura Fantástica (mas também gosto de outros géneros).
2º Qual o teu autor/a favorito?
Não tenho um único autor favorito, por isso deixo aqui uma pequena lista: J.R.R. Tolkien, Anne Rice, George Martin, Juliet Marillier, Robert Jordan, Robin Cook e J.K. Rowling. Posso estar a esquecer-me de algum…
3º Qual o livro que mais gostas? E o que mais te marcou?
Aqui penso que se aplica um pouco do que disse na segunda questão. Contudo, posso dizer que devo muito ao “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e à Rowling.
4º Tens algum livro que recomendarias?
Esta pergunta também é difícil. Podia recomendar enésimos livros, mas vou escolher um clássico de grande valor: “Drácula”, do Bram Stoker.

5ª Como surgiu a ideia para este livro?
Penso que será verdade dizer que a ideia não surgiu do nada, ela foi-se construindo ao longo das páginas e ganhando vida por ela própria.
6º No que te inspiraste?
Inspirei-me no sonho de um mundo diferente, na vontade de criar.
7º Os livros de fantasia estão na moda. O que este traz de novo?
Muito simplesmente, o meu ponto de vista. Pode ser diferente de alguns, similar a outros, no entanto é meu, my precious…

8º Este livro é o primeiro de uma trilogia, o que podes falar sobre ele?
“O Retrato da Biblioteca” dá-nos a introdução de um mundo novo, apresenta-nos personagens, fala-nos um pouco da sua história. Não é um livro perfeito, longe disso, e felizmente sei reconhecê-lo. Ninguém me vai ver por aí a dizer que é o melhor livro do mundo, porque não quero enganar ninguém, nem mesmo a mim própria.
9º O que é mais difícil, quando se é escritor em Portugal?
Não digo que o mais difícil seja publicar, porque não é. O que é difícil é publicar com segurança, é termos certezas de que publicamos um livro que nos honra, que tem de facto valor. Isto porque temos “editoras” que publicam qualquer coisa, desde que se lhes pague; temos editoras que só publicam obras garantidamente rentáveis, o que muitas vezes não nos garante qualidade; e, claro, temos editoras que ainda tentam publicar obras pelo seu valor qualitativo, no entanto isso é difícil nos dias que correm.
10º Conselhos para novos escritores?
Escrevam muito, leiam muito, estudem o que lêem, para aprenderem, e não desistam, a não ser que tenham percepção de que a escrita definitivamente não é a vossa praia. Sendo assim, dediquem-se só à leitura, que é quase tão bom quanto escrever.

Blogue da autora aqui

Obrigada Carina

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Entrevista com Leonel Pinheiro

Boa tarde minhas/meus Queridas/queridos, Hoje trago-vos mais uma pequena entrevista com Leonel Pinheiro


1º Fala-nos um pouco de ti.
Nasci na cidade de Lisboa, no ano de 1983. Resido no Barreiro, onde fiz o meu percurso escolar e onde trabalhei. Sou um jovem com os gostos de quase todos os jovens da minha idade.

2ºQual o teu autor/a favorito?
O meu autor favorito é um escritor americano de grande calibre. O seu nome é : Dan Simmons.

3º Livros que mais gostas?
O género de livros que eu mais gosto são : Terror, Horror, Romance, Eróticos, Sobrenatural e Fantasia.

4ºQue livro mais te marcou?
O livro que mais me marcou foi " Dissolução" do autor C.J. Sansom.

5ºTens algum livro, que recomendarias?
O meu livro...

6º Como surgiu a ideia para o livro “A Viagem Sombria”?
Simplesmente não surgiu nada. Ao longo dos anos fui escrevendo e desenvolvendo pequenas histórias.

7ºEm que te inspiras-te?
Tudo aquilo que me rodeia, faz parte de um mundo imaginativo.

8º O que nos podes dizer sobre “A Viagem Sombria”?
É um livro de contos que ínclui 3 géneros como exemplo: Terror, Fantasia e Sobrenatural.

9º O que é mais difícil quando se é escritor em Portugal?
O que eu posso dizer em veracidade, é que , o mais difícil é afirmar-se e manter-se no mercado literário.

10º Conselhos para novos escritores?
O que eu posso aconselhar é que para novos escritores se integrarem neste mundo literário, será preciso muito trabalho, muita persistência e isso tudo passa por muita leitura, muita pesquisa e acima de tudo muito conhecimento do mundo que nos rodeia.


Obrigado Leonel

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Entrevista com Milene Emidio

Olá, como o prometido aqui temos mais uma entrevista, desta vez com a nossa querida Milene Emídio





1º Fala-nos um pouco de ti.

Nasci em Dezembro de 1982, em Almada e sempre senti uma atracção enorme pelo mundo dos livros. Aprendi a ler em casa, na companhia da minha mãe para poder ter alguma autonomia nas noites em que os meus pais simplesmente não tinham muito tempo. Primeiro vieram os contos da Disney, depois as aventuras juvenis e por volta dos 11 anos comecei a leitura da obra completa de Agatha Christie, emprestada por uma prima. A escrita surgiu aos 16 anos, mas não foi nada sério, sendo que apenas na faculdade se proporcionou a criação de um trabalho estruturado. Licenciei-me em comunicação social e desde então tenho dedicado parte do meu tempo à escrita.

2ºQual o teu autor/a favorito?

Tenho vários, Juliet Marillier, Karen Marie Moning, Anne Bishop são talvez os nomes que mais me marcaram por um ou outro motivo. Depois tenho autores dos quais gosto bastante, mas não em todos os registos, caso de Nora Roberts e Christine Feehan. Gosto também de Sherrylin Kenyon, George R.R. Marton, Kate Mosse e tantos outros, já em obras mais pontuais e não sagas ou trilogias como os anteriormente referidos.

3º Livros que mais gostas?

Tal como os autores, tenho vários. Devo confessar que leio cada vez mais fantasia (e consequentes subgéneros), embora tenha passado também pelo romance histórico, romance, aventura e policiais. Os preferidos, contudo, teimam em pertencer à categoria de Fantasia.

4ºQue livro mais te marcou?

Embora tenha vários livros que me marcaram e que se perpetuaram na minha mente, penso que a trilogia de Sevenwaters, da Juliet Marillier ainda permanece como a obra que despoletou qualquer coisa cá dentro, até porque até à data foi a única que foi relida três vezes.

5ºTens algum livro, que recomendarias?

Vários, por norma todos os que gosto recomendo, especialmente porque tenho amigos que gostam do mesmo género de livros, além de que estou também registada em comunidades online onde se debatem autores, livros, etc. Dois autores, ou autoras, neste caso, que não me tenho cansado de recomendar são precisamente Juliet Marillier e Anne Bishop, talvez por serem menos “chapa 5” e por fugirem às modas que o mercado editorial tem ditado.

6º Como surgiu a ideia para o livro “O Vestido”?

Há uns anos dizer o que vou dizer a seguir teria parecido original. Depois apareceu a S. Meyer e estragou tudo… A verdade é que sonhei com a história, ou melhor, com o conteúdo do primeiro capítulo do conto. Se trocarem a Inês pela Milene… tudo o resto foi igual. Como tinha um trabalho de linguística para apresentar na faculdade, aproveitei o sonho para fazer dele uma pequena história. Quando uma ou duas semanas mais tarde o professor devolveu os trabalhos eu tinha um grande comentário na primeira página que dizia “quero ver o resto, nem que seja no fim do curso”. Certo foi que esse professor voltou a dar-me aulas no 4º ano e efectivamente apresentei-lhe o conto completo para avaliação de uma outra cadeira.

7ºEm que te inspiraste?

Mais uma vez, no sonho que tive e depois em arranjar um enredo que justificasse o que se tinha passado. Além disso, pelo próprio caminho que dei à história, decidi tocar muito superficialmente nos temas místicos que faziam parte do meu dia-a-dia, como o paganismo de origem celta e o Tarot, embora não nos moldes como são apresentados no livro. Toda a literatura que consumia à data também serviu de inspiração.

8º O que sentiste ao vê-lo publicado?

Uma grande alegria e mais tarde uma grande desilusão, daí o ter reeditado. O processo editorial não foi fácil e tive a sorte ou o azar de aceitar assinar contrato com uma editora que pouco mais fez do que imprimir o livro e metê-lo à venda no seu próprio site. Não havia divulgação, a não ser a que eu, os meus amigos, a minha família e alguns leitores a quem o livro chegou fazíamos, sendo que nessa altura eu não tinha qualquer lucro por unidades vendidas. Agora tenho plena consciência que a venda está nas mesmas condições, até porque é uma print-on-demand, mas foi opção minha, a publicidade nas redes sociais alargou-se no espaço de 5 anos (o livro foi originalmente editado em 2007) e aqui sempre tenho poder de decisão sobre todos os aspectos.

9º Tens algum trabalho já em mente?

Se tenho… O Feitiço da Moura (outro conto, que é o fechar do ciclo iniciado com O Vestido) está a aguardar revisão final há cerca de um ano. Tenho tido algum feedback por parte de alguns leitores que estão ansiosos para saber mais sobre a Inês e o que lhe acontece depois da forma que a sua aventura terminou, mas tenho sentido uma certa apreensão para trabalhar no texto e não quero de todo forçar o processo. Desde essa altura tenho ainda andado em pesquisas, a reunir material e a compor personagens, mapas, regras, etc para uma nova história que não vai ser um conto, que ainda não tem título e que me tem deixado em pulgas para escrever.

10º Conselhos para novos escritores?

Eu própria considero-me uma nova escritora e também eu, por vezes, ando à procura de conselhos.
Do que aprendi até hoje posso dizer que há que saber lidar com a crítica (boa ou má), não desmoralizar quando não nos dão palmadinhas nas costas ou sorrisos. O texto está mau? Não há problema, se tivemos a ideia podemos sempre alterar a forma como a expomos, logo, se nos apontaram erros há que trabalhar para corrigir tudo o que nos foi indicado como incorrecto.
Outro aspecto importante é ler muito e praticar ainda mais. Não quero com isto dizer que bebamos tudo para depois fazer algo parecido porque teve sucesso ou porque simplesmente gostamos, não. A ideia é interiorizar a fluidez das narrativas, dos diálogos, aprender a distinguir um bom texto de um mau texto e não apenas por gostarmos ou não da história, expandirmos o nosso vocabulário, fazer-nos pesquisar temas, subtemas, expressões, lendas, mitologia, história, o que for, porque o processo de criação e de escrita é como voltar à escola, é aprender mais e mais para depois fazer melhor e, se possível, diferente.


segunda-feira, janeiro 02, 2012

Entrevista com Andreia Ferreira

Olá de novo, e mais uma vez como o prometido e devido, trago-vos a Entrevista com a nossa querida Andreia Ferreira.




1º Fala-nos um pouco de ti.

Sou nativa caranguejo com todos os defeitos e virtudes designadas ao signo: Complicada, diferente, altruísta, sensível, caseira, imaginativa e por aí adiante.
Quando penso, penso outra vez e mais uma antes de agir. Só tendo a atuar quando encurralada com a decisão; detesto tomar decisões e detesto estar indecisa; estou muitas vezes confusa.
Vivo a minha vida e o meu próprio mundo com intensidade semelhante, contudo às vezes perco-me na imaginação.
Vivo para a minha família e para os meus amigos.
Sou eu mesma sempre, uma vez que sou tão mutável como qualquer ser humano deve ser.
Não acredito na frase "sou assim", porque eu era assim sempre ha um segundo atrás.
Escrevo por amor, por paixão, por necessidade de expulsão das ideias que me rodeiam constantemente.
Gosto de escrever de forma a fazer o leitor sentir.

2º Qual o teu autor/a favorito?

Não uso disso. Sou uma leitora ávida e não posso destacar nenhum porque leio de tudo um pouco.
Não há justiça na comparação de géneros logo, não menciono o melhor de x uma vez que y também está no mesmo patamar, porém num género que não me agrade.
Nomes, no plural, cito com prazer: George Martin, Eça de Queirós, Charlaine Harris, Anne Rice, Scott Westerfeld, Paulo Coelho, Charles Dickens, Juliet Marilier...
E muitos, muitos mais.

3º Livros que mais gostas? E o que mais te marcou?

"Os filhos da droga" abriram-me os olhos muito jovem para um mundo que desconhecia; a saga do Harry Potter mostrou-me o que era a fantasia e o prazer que dela advém; a Entrevista com o vampiro deu-me a conhecer os vampiros; a trilogia Sevenwaters mostrou-me a maravilha da época medieval com magia e recentemente Martin ensinou-me o que são personagens perfeitamente imperfeitos.
Sem desdenhar os clássicos que deixam sempre um fiozinho de moral na última linha das obras.

4º Tens algum livro que recomendarias?

Recomendo a lerem de tudo um pouco. Aconselho a analisarem o estado de espírito e escolher algo que se adeque ao que ele vos pede.
Querem rir? Leiam "Maldito Karma". Querem entrar num mundo novo? Escolham Martin ou Marilier. Querem passar o tempo? "Conspiração 365". Querem algo duro que vos desafie? "Frankenstein", "O crime do padre Amaro", "Todos os nomes" de Saramago, "Oliver Twist".
A literatura cabe em todos os nossos desejos.

5ºComo surgiu a ideia para este livro e Em que te inspiras-te?

A ideia surgiu com os típicos terrores noturnos de infância, a dita presença no quarto.
Inspirei-me na vida e nos sentimentos menos felizes, nos filmes de terror que vi ao longo destes meros 24 anos e no dia a dia.
Grande parte do livro foi escrita em pública, pois os movimentos humanos são fontes ricas de inspiração.

6º Identificas te com alguma personagem?

Identifico-me um pouco com todas.
Carla sofre do meu alheamento do mundo porém, não caio em exageros, nem me entrego tão facilmente às pessoas.
Raquel tem a minha sensibilidade e a minha capacidade de acreditar nas pessoas e a Ana, o meu mau humor.
Caael é o homem que me ultrapassa com tanta evasão e meias palavras. Os sumiços são uma cruz negra sobre ele. Não somos, de todo, compatíveis.
Miguel é demasiado perfeito e Daniel demasiado imperfeito. Ricardo... bem, isso fica para o próximo livro.

7º Com que idade começaste a escrever o Soberba Escuridão?

Precisamente em 2010 durante uma aula.
"Vou escrever uma história que me está na cabeça há imenso tempo" - Disse eu com entusiasmo patente na voz à minha colega do lado.
Comecei a traçar esquemas e linhas cronológicas, notas de capítulos e no fim, a história escreveu-se a si mesma fugindo a todos os meus pré-requisitos.

8º O que sentiste ao escrever este livro? E ao vê-lo publicado?

Senti tudo o que as personagens sentiram, ou pelo menos tentei.
Vivi esta história durante um ano. Adormeci com ela, almocei e e jantei com ela, via-a em tudo que fazia.
Quando foi publicada pensei que ia saltar e festejar como se fazem nos filmes, em vez disso fiquei apática a encarar o livro e a convencer-me de que era real. Às vezes ainda faço isso.

9º Estas a pensar em escrever outro livro com continuidade da história?

Sim, a continuação já está em andamento e bem encaminhada. Tenciono que seja uma trilogia.
Já tenho mais dois projetos em construção que aguardarão a saída do Soberba para serem devidamente analisados e desenvolvidos. Estou demasiado envolvida com a história da Carla para me dedicar já a Rui ou a Joana (nome dos outros protagonistas).

10º o que tens a dizer sobre as pessoas que criticam negativamente o lançamento do Soberba Escuridão?

O dito popular português é fantástico no que toca à justiça das respostas sem argumentos logo, digo e repito:
"Não se pode agradar a gregos e a troianos" e "Nem Deus que foi Deus agradou a toda a gente."
Respeito críticas negativas fundamentadas.

11º Conselhos para novos escritores?

Não desistam nunca das vossas obras.
Se o vosso objectivo é ser lido, força! Se é ganhar dinheiro, lamento desapontar mas a única riqueza imediata é a realização pessoal.

domingo, dezembro 25, 2011

Entrevista com Sophia CarPerSanti



Ola a todos meus queridos, como prometido é devido aqui está a nossa pequena entrevista com a nossa querida Sophia.

1º Fala-nos um pouco de ti.

Bem, tal como diz a minha biografia, nasci no dia 22 de Novembro de 1979, pelo que fiz recentemente 32 anos de idade. Sou licenciada em Educação Física e Desporto (curso pré-Bolonha) e, de momento, sou finalista do Mestrado Integrado em Psicologia Clínica.
Quanto à escrita, comecei a escrever poesia aos 11/12 anos de idade. Nessa altura escrevia poemas para a família, alusivos aos dias de festa, e acerca do mundo que me rodeava. Por volta dos 14 os temas começaram a mudar um pouco, e passei a escrever sobre sentimentos e emoções. Como durante a minha infância/juventude os meus melhores amigos eram os livros, um dia passou-me pela cabeça a ideia de que, já que gostava tanto de ler e escrever, talvez fosse capaz de escrever um livro também.
O primeiro projecto de manuscrito que desenvolvi nunca chegou a ser concluído (diga-se de passagem que para o bem de todos nós ^_^), e era sobre príncipes e princesas, e reinos encantados por magia.
Quando entrei para o 10º ano, conheci a minha Alma Gémea, nestas andanças da escrita, e juntas começámos a escrever o que, até hoje, é o manuscrito mais extenso que conheço. :) Trata-se de uma história extremamente complexa, escrita na primeira pessoa, com múltiplos narradores e linhas temporais. Durante os 3 anos do Complementar, trocámos cadernos A5 onde escrevíamos alternadamente, pelo que a história nunca teve fim.
Quando entrei para a Faculdade, iniciei o meu primeiro projecto com princípio, meio e fim, intitulado ‘A Gema de Ominium’. Trata-se de uma história do estilo fantasia épica, e divide-se em 5 volumes. Embora tenha enviado o primeiro volume para várias editoras, este nunca foi aceite, pelo que me deparei, pela primeira vez, com a batalha que é preciso travar para conseguirmos editar um livro, em Portugal.
A ‘Noite da Alma’ foi escrita em 2008, e marca uma mudança radical no meu estilo de escrita. Inserindo-se na colecção ‘Gaea’, passa-se no nosso mundo, no século XXI. Dentro desta colecção, depois da ‘Noite da Alma’ já escrevi mais dois: ‘Tempo da Alma’ e ‘Luz da Sombra’. De momento encontro-me a escrever o quarto livro desta colectânea denominado ‘Sombra Branca’.
A nível mais pessoal, nos meus tempos livres (que neste momento são extremamente escassos), gosto de ler, escrever, pintar (principalmente a óleo), e ir ao cinema. Também sou uma grande fã de Anime (animação japonesa) e de praticamente tudo o que se relacione com o Japão. Adoro fantasia, ficção científica, coisas estranhas e sobrenaturais :). A nível desportivo, gosto de voleibol (modalidade que pratiquei durante cerca de 5 anos) e adoro dançar. Se os livros e a escrita são as minhas asas, a música é a minha alma. Não tenho, nem nunca tive grupos musicais favoritos. Tenho músicas de que gosto e outras de que não gosto, independente de géneros ou cantores. Por isso varro tudo, desde o clássico, à ópera, fado, pop, rock, jrock, jpop, metal, etc. A minha playlist depende muito do meu humor, no momento. E como este é extremamente flutuante… ^_^

2º Qual o teu autor/a favorito?

Tenho muitos, como é lógico… Quem lê compulsivamente tem sempre uma série de autores que venera :)
Mas, tendo que escolher, só poderia nomear J. R. R. Tolkien, de quem li, pela primeira vez, o ‘Senhor dos Aneis’, quando tinha 13 anos e, depois disso, li, e reli, e voltei a ler, ao ponto de até chegar a escrever um dicionário de Quenya e Sinadrim (as línguas élficas desenvolvidas por Tolkien) :)

3º Livros que mais gostas? E o que mais te marcou?

Livros que mais gosto (são mais que muitos ^_^): Ilusões e Fernão Capelo Gaivota (Richard Bach), ‘O Silmarilion’, ‘O Senhor dos Anéis’, ‘O Hobit’ (Tolkien), ‘As Brumas de Avalon’, ‘Casa da Floresta’ e ‘O Poder Supremo’ (Marion Zimmer), ‘Belgariad’ e ‘Malloreon’ (David Eddings) ‘Os Cavaleiros de Pern’ (Anne McCaffrey), A História Interminável (Michael Ende), ‘O Principezinho’ (Antoine de Saint-Exupéry), ‘Dragon Lance’ (Tracy Hickman e Margaret Weis)‘A Hora das Bruxas’, ‘Taltos’ e ‘Memnoch’(Anne Rice), Acheron (e os outros 34 livros que li desta senhora - Sherrilyn Kenyon), Colecção Irmandade da Adaga Negra (J. R. Ward), ‘A Game Of Thrones’ (George R. R. Martin) e muitos, muitos outros :)
O que mais me marcou: Teria de escolher 2 – ‘O Senhor dos Anéis’ e ‘A História Interminável’. Talvez porque os tenha lido num momento difícil da minha vida. Sei que, durante anos, era nestes dois mundos que a minha cabeça passava a maior parte do tempo.

4º Tens algum livro que recomendarias?

Hum… depende de para quem estaria a recomendar :)
Mas, de entre os livros que mais gosto, aqueles que recomendo como sendo ‘para todos’ são ‘O Principezinho’, pela fantástica capacidade de nos obrigar a olhar o mundo com outros olhos, ‘A História Interminável’ que nos mostra que os heróis também podem ter dúvidas e medos como qualquer um de nós, e ‘Ilusões’, pela fantástica lição de vida e por nos mostrar que o verdadeiro Deus está dentro de nós mesmos, e que cabe apenas a nós sermos o melhor que conseguirmos ser.

5º Como surgiu a ideia para este livro?

Este livro teve origem em três desafios que me auto-coloquei:

1) Escrever um livro que se passasse no século XXI, no nosso mundo e na actualidade. Na verdade, nunca tinha escrito nada do género. Todos os meus manuscritos passavam-se em mundos imaginários, em eras semelhantes à nossa idade média, onde as pessoas têm de se deslocar a cavalo e de ir à caça se querem almoçar. Confesso que este foi um desafio difícil de superar, porque na verdade não gostava nada dos cenários que via na minha cabeça, enquanto estava a escrever a ‘Noite da Alma’. Estava habituada a ter os meus personagens rodeados de florestas mágicas e torres de magia brilhantes, e diga-se de passagem que prédios de cimento e estradas de asfalto deixam muito a desejar em termos de beleza. No entanto, à medida que fui escrevendo, comecei a sentir-me cada vez mais em casa, além de que comecei a aperceber-me das diversas facilidades de viver no séc. XXI: Não tinha de me preocupar em caçar para o almoço, nem de enviar mensageiros que levavam dias a chegar ao seu destino, ou mesmo de procurar rios para lavar as roupas e tomar banho. Nada vence os nossos telemóveis, microondas e banheiras com água quente canalizada. :)

2) O segundo desafio que me coloquei teve a ver com o número de páginas. Isto porque os meus outros manuscritos tinham para cima de 1000 páginas, em formato A4, o que, obviamente, não é operacional em termos de edição. Escrevo demais :) E por isso, embora este seja um livro relativamente extenso, sinto-me bastante satisfeita com as suas 760 páginas, que A4 eram apenas 540. Considero estes números uma verdadeira vitória ^_^;

3) O terceiro desafio relaciona-se com o tipo de narração. É claro que já tinha escrito na primeira pessoa, mas fazia-o sempre perante os meus próprios pensamentos, e a personagem que eu encarnava era, no fundo, sempre eu mesma. Neste livro, a Mariane que escreve está longe de ser como eu. As suas reacções, vontades, pensamentos, pertencem-lhe só a ela e por isso foi muito interessante e desafiador deslocar o meu pensamento, como se fosse uma actriz de cinema e incarnar outra pessoa, outra vida, outra realidade.
A partir daqui, a ‘Noite da Alma’ cresceu sozinha, como aliás acontece com todos os livros que escrevo. No princípio tinha pensado em limitá-lo apenas à história de Mariane e Gabriel, como estratégia para controlar o número de páginas, mas depois surgiu Lea, e mais tarde Alexander e Jonathan, e as coisas foram-se desenvolvendo e progredindo, na maior parte das vezes, de forma surpreendente até para mim mesma (uma das razões que me faz adorar escrever).

6- Em que te inspiras-te?

Em nada de específico. O livro é o produto de uma série de ideias e gostos pessoais. Mistura Magia, tema sobre o qual li bastante, há uns anos atrás, Simbologia, que até hoje me fascina, e línguas arcaicas, pelas quais me interesso bastante e as quais se encontram na base de muitos dos nomes de raças que aparecem no meu livro. Depois espelha muitas ideias que considero controversas e com as quais me divirto bastante. :) O livro assenta ainda numa crença-base, actualmente aceite por muita gente, que envolve a reencarnação das Almas com vista à evolução do Ser Humano.

7º Os livros de Fantasia estão na moda. O que este trás de novo?

Hum… não sei ao certo. Inventar coisas novas é, na verdade, muito difícil. Às vezes até pensamos que conseguimos ter uma ideia original mas, basta perdermos um pouco de tempo na internet, para logo a seguir percebermos que afinal não fomos os primeiros a pensar nessa coisa.
Posso, no entanto, dizer que, para além da fantasia, da magia e do romance, se trata de um livro onde os valores do que consideramos bem e mal se diluem, onde os estereótipos do que é ‘amar’ e de quem ‘devemos amar’ são desfeitos, e que nos mostra como, por vezes, uma simples e inocente escolha pode mudar o rumo, não só da nossa vida, mas também daqueles que nos rodeiam.
A nível de originalidade, penso que o que é mais original é a estrutura do mundo em si. Neste livro, e em todos os que pertencem a esta colectânea, o Planeta Terra – Gaea – é tido como um ser vivo, com diversos ‘órgãos’ que têm diferentes funções, como acontece com qualquer um de nós. Estes ‘órgãos’ constituem dimensões, que, por sua vez, são habitadas por diferentes seres com diferentes papeis a desempenhar na manutenção do planeta. A excepção á regra são os Seres Humanos, para quem Gaea é apenas uma escola evolutiva. Assim, as Almas humanas encarnam vezes consecutivas, até atingirem um estado de evolução superior, o qual lhes permite partirem para outros pontos evolutivos. Por esse motivo, são os únicos que possuem livre arbítrio. Todos os outros, os verdadeiros Filhos de Gaea, têm de obedecer à Lei Suprema, a Lex Regis. É sobre esta base que tudo o resto se desenrola, abrindo caminho para uma visão do mundo que, para muitos, não está assim tão longe da verdade.

8º Este Livro é o primeiro de alguma trilogia ou saga?

Bem, este livro foi escrito para ter um fim em si mesmo. No entanto, a estrutura do mundo onde a história se desenrola foi criada para suportar outros livros, sobre outras personagens. Por isso não, não se trata de uma saga nem de uma triologia. Contudo, e porque a minha primeira leitora quase me matou quando acabou de o ler, existe um segundo volume que dá continuação a este. O terceiro livro, escrito nesta colecção (Gaea) já não tem nada a ver com a Mari e o Gabriel. E o mesmo acontece com o quarto, que me encontro, de momento, a desenvolver.

9º O mais importante de tudo, onde o podemos encontrar a venda?

Pois… a pergunta dos 100.000 euros ^_^
Neste momento, o livro só se encontra à venda no site da Chiado Editora e no site oficial (http://carpersanti.net/Gaea), ou seja, online. Em breve estará disponível nas Bertrands, Bulhosas, Fnacs e outras livrarias, em Portugal. Contudo, existe um certo timing para estas coisas da distribuição, e ninguém me sabe dizer ao certo a partir de quando ele estará à venda nas livrarias.

10º Conselhos para novos escritores?

Uff!! Só esta pergunta já dava para outro livro. :)

1. Antes de tudo: Nunca, nunca desistir! Editar um livro é uma batalha que tanto pode ser vencida à primeira, como levar anos até que uma porta se abra.

2. Acreditar em si mesmo! É claro que saber aceitar críticas é muito importante, mas saber quem somos e que escrita queremos produzir é ainda mais importante. Como todos sabemos, é impossível agradar a toda a gente. Como se isso não bastasse, todos nós temos as nossas visões e vemos o mundo que nos rodeia de diferentes formas. Se eu fosse a duvidar da qualidade ou da pertinência daquilo que escrevo sempre que alguém me critica, ou se eu fosse alterar o manuscrito sempre que alguém me diz para cortar aqui ou acrescentar ali, nem na próxima vida teria uma versão final pronta. ^_^

3. Como alguém me disse, um dia, ‘Não existem más ideias, existem é formas melhores ou piores de passar as nossas ideias para o papel’. Por isso, nunca condenem uma ideia à partida, só porque alguém vos diz que esta não suficientemente boa ou interessante.

4. Quando resolverem rever o que escreveram, façam-no numa cópia em papel (imprimido) e leiam o vosso manuscrito em voz alta. É completamente diferente, acreditem. Existem muitas coisas que até nos soam bem, em pensamentos, mas que depois de ditas em voz alta só nos apetece enfiar a cabeça numa banheira cheia de água. ^_^

5. Talvez o mais importante. Escrevam porque gostam, amam, adoram! Não vale a pena escrever porque gostaríamos muito de editar um livro, de ser famosos ou de ganhar dinheiro. Se escrevermos porque o simples acto de escrever nos dá prazer, nada nos pode derrubar. Nem as persistentes recusas das editoras, nem as críticas menos simpáticas, nem o facto de o nosso livro não ter tido o sucesso esperado. Como diz o ditado ‘Quem corre por gosto não cansa’. Alimentem-se a vocês mesmos, não fiquem á espera que sejam os outros a vos impulsionar. Assim, se já nos encontrarmos em movimento pelas nossas próprias pernas, todos os empurrões que surgirem pelo caminho só vão servir para nos levar ainda mais longe. De igual modo, todas as pedras que nos fizerem tropeçar, nunca terão força suficiente para nos deixar eternamente estendidos no chão.



Espero que tenham gostado.