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quarta-feira, janeiro 24, 2018

Retribuição de Sherrilyn Kenyon

Retribuição
de Sherrilyn Kenyon 

Serie Dark Hunter [Predadores da Noite]  nº 19

Sherrilyn Kenyon regressa ao mundo dos Predadores da Noite. E agora os predadores também podem ser presas. Órfã desde criança e criada por vampiros, Abigail tem apenas um objetivo na vida: destruir os implacáveis Predadores da Noite que perseguem e matam a sua raça adotiva. Mas, acima de tudo, encontrar o responsável pelo brutal assassinato da sua família: o ex-pistoleiro Jess "Sundown" Brady…

Jessup Brady sempre viveu a sua vida com um pé para a cova. Ressuscitado dos mortos por uma deusa grega rancorosa, Jess trocou a sua alma imortal pela possibilidade de vingança. Na sua busca para destruir quem está a assassinar os Predadores da Noite, a última coisa que espera encontrar é um rosto humano que o recorda da traição que sofreu há anos. Jess sabe que não assassinou os pais de Abigail, mas agora tem de a convencer da sua inocência antes que o mais negro dos poderes os destrua a ambos…


segunda-feira, setembro 08, 2014

Noite Silenciosa - Sherrilyn Kenyon [10 Outubro]

Chancela: Chá das Cinco
Data 1ª Edição: 10/10/2014
ISBN: 9789897101120
Nº de Páginas: 224
Dimensões: [160x230]mm
Encadernação: Capa Mole

Sinopse

No mundo dos Predadores da Noite, o inferno está prestes a chegar…

Stryker já avisou que está a reunir as suas forças. Enquanto o mundo avança inconsciente, Stryker, que lidera um exército de demónios e vampiros, conspira para lançar uma ofensiva contra os seus inimigos — que, infelizmente para nós, incluem toda a raça humana.

Para vingar a sua irmã, Stryker prepara-se para aniquilar os Predadores da Noite. Mas as coisas começam a correr mal quando o seu inimigo mais antigo regressa. Eis que chega a sua ex-mulher, Zephyra. Precisamente quando achava que nada o poderia parar, vê-se embrenhado numa guerra secular com uma mulher que dá um novo significado à palavra «dor».

Estão a ser traçadas novas linhas de batalha, enquanto os Predadores da Noite se reúnem para uma novo confronto, numa NOITE SILENCIOSA.

terça-feira, maio 20, 2014

Só em Sonhos - Sherrilyn Kenyon

Só em Sonhos
O Predador da Noite - Vol. 14
de Sherrilyn Kenyon; Tradução: Rita Guerra

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 256
Editor: Edições Chá das Cinco
ISBN: 9789897101021

Sinopse

Xypher tem apenas um mês na Terra para se redimir através de uma boa ação ou será condenado à tortura no Tártaro para toda a eternidade. Mas a redenção pouco significa para um semideus que apenas deseja vingança contra aqueles que causaram a sua queda.
Simone Dubois é uma médica-legista com dons psíquicos e capaz de ajudar os mortos a encontrar os seus assassinos. Quando Xypher pede a sua ajuda para abrir um portal para o Inferno e combater demónios, Simone tem a certeza que está perante um louco.
O futuro da Humanidade encontra-se em risco, mas qual a maior ameaça que Simone enfrenta? Os demónios que vêm em sua perseguição, ou o homem misterioso e sedutor que mudou irremediavelmente a sua vida?

quinta-feira, março 21, 2013

Opinião "À Luz da Meia Noite"


À Luz da Meia Noite
Saga Predadores da Noite 13
de Sherrilyn Kenyon
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 176
Editor: Edições Chá das Cinco
ISBN: 9789897100437



Sinopse
Uma celebridade generosa que tudo oferecia e nada pedia em troca… até ser enganado pelos que o rodeavam. Agora Aidan nada quer do mundo ou sequer fazer parte dele.

Quando uma estranha mulher aparece à sua porta, Aidan sabe que já a viu antes… nos seus sonhos.

Uma deusa nascida no Olimpo, Leta nada sabe do mundo dos humanos. Mas um inimigo implacável expulsou-a do mundo dos sonhos e para os braços do único homem capaz de a ajudar: Aidan. Os poderes imortais da deusa derivam de emoções humanas, e a raiva de Aidan é todo o combustível que precisa para se defender…

Uma fria noite de inverno irá mudar as suas vidas para sempre…

Aprisionados durante uma tempestade de inverno brutal, Aidan e Leta terão que conquistar a única coisa que os poderá salvar a ambos - ou destruí-los - a confiança. Conseguirão triunfar sobre todos os obstáculos?

Opinião:

Devo dizer, que este livro da autora S.K, surpreendeu-me....pela negativa!
A onde está o mistério? A Paixão? A guerra? Neste livro, À Luz da Meia Noite, a acção é tãooo rapida que no fim ficamos, woww mas o que é que se passou? Fiquei praticamente na mesma, ok, "conheci" a Leta e o Aidan e mais uma ou duas personagens...mas... continuo no escuro!Resumindo, nao sei quem são, o que gostam, odeiam, Hoo claro sei que Aidan foi "magoado", "traído" pelo irmão... que queria o que ele não tinha,...e bla bla bla.

O romance da Aidan e Leta e tão rápido, que tipo... quase não há sensualidade ali, (a serio eu quando li pensei "Isto e como ir a uma discoteca e dar uma rapidinha ali no canto e tipo estou apaixonada por ele *.* " )

Acho sinceramente que esta é uma obra que a autora poderia ter posto para ultima, e quando tivesse mais inspirada começava a escreve-la. À Luz da Meia Noite, poderia ter uma historia bem interessante se estivesse mais desenvolvida, e que  os acontecimentos estivessem no seus devidos tempos.

Em relação a tradução do livro...bem. Só tenho a dizer. Saída de Emergência  quem raio e que traduz isto? Ou andam a dormir? Eu sei que com o novo acordo ortográfico algumas coisa mudaram não é? Mas eu acho que não mudaram assim tanto, como em vez de ser pt-pt seja pt-br qb... eu traduzo...

Há palavras que nos primeiros livros vocês traduziram para Portugueses, e que agora usam em brasileiro... Como os nomes!! Virgem santissima!!! Antes era Artemis...agora é Artemisa? eu ate pensei que fosse outra filha..... depois um nome que apareceu "Estige"...ok...lá andei eu a puxar pela minha cabeça para saber quem era este...ate que cheguei a conclusão que só poderia ser Styxx, o irmão gémeo de Acheron. E que no fundo fazia mais sentido no que estava a ler.

Sinceramente são estas pequenas coisas que entristecem o leitor, e que pode levar a desmotiva-lo a leitura. Pois sejamos sinceros, queremos ler na nossa língua, se de inicio vocês tivessem usados esses termos. seria compreensível  bem começou assim que acabem... agora não. Mais uma vez peço que tenham em atenção essas pequenas coisas.

Sherrilyn Kenyon é uma das minhas autoras preferidas, e é com muita pequena que faço esta opinião. Mas infelizmente a S.K deveria ter deixado este livro para o fim...ou então se esta com falta de ideias...tire umas ferias... Espero de coração que o próximo livro não seja assim, de contrario eu vou morrer de desgosto!

sábado, janeiro 19, 2013

À luz da meia-noite, Sherrilyn Kenyon [Opinião]

Sinopse:

Conheçam Aidan O’ Conner. Uma celebridade generosa que tudo oferecia e nada pedia em troca… até ser enganado pelos que o rodeavam. Agora Aidan nada quer do mundo ou sequer fazer parte dele. Quando uma estranha mulher aparece à sua porta, Aidan sabe que já a viu antes… nos seus sonhos. Uma deusa nascida no Olimpo, Leta nada sabe do mundo dos humanos. Mas um inimigo implacável expulsou-a do mundo dos sonhos e para os braços do único homem capaz de a ajudar: Aidan. Os poderes imortais da deusa derivam de emoções humanas, e a raiva de Aidan é todo o combustível que precisa para se defender… Uma fria noite de inverno irá mudar as suas vidas para sempre…

Aprisionados durante uma tempestade de inverno brutal, Aidan e Leta terão que conquistar a única coisa que os poderá salvar a ambos – ou destruí-los – a confiança. Conseguirão triunfar sobre todos os obstáculos?

Opinião:

'À luz da meia-noite' é aquele tipo de livro que nos prende às folhas do inicio ao fim da história, e nos faz querer reler o mesmo livro uma vez mais.
Mas, vamos por partes.

Capa:

 Na minha humilde opinião e gosto inteiramente pessoal, acho a capa lindíssima. Bonita, romântica, sedutora, mas... e aqui entra os tão temidos 'mas', é totalmente diferente de todas as anteriores, referentes aos livros desta saga já editados em Portugal. E penso que, indo ao encontro da opinião que circula nas redes sociais, veio quebrar o padrão ao qual os fãs já estavam habituados.

Nº de páginas:

Um grande '?' surgiu quando começaram a correr os rumores nas redes sociais, de que este livro, uma das novidades mais aguardadas do ano, teria somente cento e setenta e seis páginas  e não as habituais duzentas ou trezentas e tal, como é costume nos livros da autora.
Claro que não são o número de páginas que vão determinar se o livro é de facto bom. No entanto, é unânime que no que a livros da Sherrilyn Kenyon diz respeito, todas as páginas nos sabem a pouco, independentemente de serem cento e, ou, trezentas e...

História:

Um livro maravilhoso, ao qual me faltam palavras para dizer o quanto gostei de ler cada palavra e quanto desta mesma história é tão real e tão presente nas nossas vidas.

Sherrilyn Kenyon é, e continua a ser para mim, a rainha dos romances paranormais. E o facto de nos fazer viver as suas histórias e identificar as suas mensagens em cada narrativa com aquilo que nos acontece no presente é prova mais do que justa do seu continuado reinado.

A magia das acções, o desenrolar vivo da história, os sentimentos e os acontecimentos que vão sendo dados ao leitor a cada capítulo faz-nos odiar, amar e desesperar com mais um imprevisto que nos arranca o fôlego e nos esmaga o coração. Para no momento seguir nos arrancar um enorme sorriso dos lábios e nos fazer sossegar.
Esta história tem amor. Paixão. Raiva. Fúria. Desespero. Inveja. Amor. Humor… enfim, nada de novo, para os amantes de Kenyon.

Uma história completa em todos os aspectos. Esqueçam o número de páginas, este livro foi provavelmente a melhor experiência literária que tive com tão pouco número de páginas. 

No entanto, não estaria a ser fiel a mim mesma, se não mencionasse três coisas que a meu ver, poderiam e deveriam ser levadas em atenção e melhoradas num próximo livro.
Para grande tristeza minha, já no final da história, encontrei três nomes de personagens importantes, não só neste volume como em toda a saga, que não foram escritos no português de Portugal, mas sim no português do Brasil.

Sei que a editora obedece ao tão controverso AO, no entanto, a meu ver, como mera leiga no que a isso diz respeito, falando apenas como leitora assídua e super fã da saga. Não me faz qualquer sentido ler o nome de uma personagem de uma forma, em determinados livros, e, de outra noutros tantos.

Os nomes que estão escritos noutro idioma são:

Artemis que vem como Artemisa.

Styxx que vem como Estige

Daemons que vem como Daemones.


A todos os fãs da saga, este é daqueles livros que não vão querer de todo perder. E acrescento ainda que este ‘À luz da meia-noite’ voou direitinho para os primeiros lugares do meu ranking pessoal de leituras.

Boas leituras, Soraia

terça-feira, janeiro 08, 2013

Primeiras Novidades de Janeiro


Direitos de Sangue 
Coleção: A Casa das Comarré - Livro 1
 Ano da Edição / Impressão / 2013 Número Páginas / 376
ISBN / 9789892321639
Editora / LUA DE PAPEL

Sinopse

Chrisabelle esconde no corpo as marcas douradas e os segredos das comarré - uma raça especial de humanos criada para alimentar a elite de vampiros nobres com o seu sangue rico e poderoso. O destino dela está traçado desde sempre: servir incondicionalmente o seu patrono. Mas quando este é assassinado, a vida de Chrysabelle muda por completo. Finalmente pode ser livre, um sonho que nunca se permitira ter e que depressa se transforma num pesadelo. Ela é a principal suspeita do crime e do roubo de um anel mágico. O anel que a ambiciosa Tatiana está decidida a recuperar, custe o que custar. Chrysabelle atravessa o Atlântico para provar a sua inocência, e nesta demanda o seu caminho cruza-se com o de Malkolm, um poderoso e irresistível vampiro que foi renegado e alvo de uma maldição. Ambos tentam combater a inegável atração que os une. Mas o tempo urge. Ambos têm de unir esforços para travar os planos de Tatiana, que pretende acabar com o mundo tal como eles o conhecem e fundar um reino de trevas. Direitos de Sangue é o primeiro volume da série Casa das Comarré e um best-seller internacional.


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Na Sombra do Destino 
Um romance da Irmandade da Adaga Negra, Volume VIII
 Ano da Edição / Impressão / 2013
Número Páginas / 748
ISBN / 9789724621425
Editora / CASA DAS LETRAS

Sinopse

Os romances da Irmandade da Adaga Negra, de J. R. Ward, apresentaram aos leitores um mundo diferente, criativo, obscuro, violento e completamente incrível. Enquanto os guerreiros vampiros defendem a raça dos seus assassinos, a lealdade de um macho para com a Irmandade será posta à prova - e a sua perigosa natureza será revelada. John Matthew percorreu um longo caminho desde que o encontraram a viver com os humanos, desconhecendo, por completo, a sua natureza vampírica. Quando foi resgatado pela Irmandade, ninguém podia imaginar qual era a sua história ou a sua verdadeira identidade. Na realidade, Darius, o Irmão caído, retornou, mas com um rosto diferente e um destino completamente marcado. Quando uma violenta vingança pessoal arrasta John até ao coração da guerra, ele terá de contar não só consigo próprio mas também com quem ele foi antes. Só assim poderá enfrentar e erradicar o mal encarnado. Xhex, uma assassina symphath, há muito que lutava contra a atração que sentia por John Matthew. Já tendo perdido um amante para a loucura, ela não permitirá que nenhum outro homem que ame fique preso na escuridão da sua vida perversa. Contudo, ambos descobrem que o amor, tal como o destino, é inevitável para as almas gémeas.


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À Luz da Meia-Noite
SHERRILYN KENYON
Chancela: Saida de Emergência
Data 1ª Edição: 25/01/2013
ISBN: 9789897100437
Nº de Páginas: 176


Sinopse
Uma mistura sensual de Sexo e a Cidade com romance paranormal

Conheçam Aidan O’ Conner.

Uma celebridade generosa que tudo oferecia e nada pedia em troca… até ser enganado pelos que o rodeavam. Agora Aidan nada quer do mundo ou sequer fazer parte dele.

Quando uma estranha mulher aparece à sua porta, Aidan sabe que já a viu antes… nos seus sonhos.

Uma deusa nascida no Olimpo, Leta nada sabe do mundo dos humanos. Mas um inimigo implacável expulsou-a do mundo dos sonhos e para os braços do único homem capaz de a ajudar: Aidan. Os poderes imortais da deusa derivam de emoções humanas, e a raiva de Aidan é todo o combustível que precisa para se defender… Uma fria noite de inverno irá mudar as suas vidas para sempre…

Aprisionados durante uma tempestade de inverno brutal, Aidan e Leta terão

que conquistar a única coisa que os poderá salvar a ambos – ou destruí-los – a confiança. Conseguirão triunfar sobre todos os obstáculos?

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Acácia - Outras Terras
DAVID ANTHONY DURHAM

Chancela: Saida de Emergência
Coleção: BANG
Saga/Série: Série Acácia  Nº: 3
Data 1ª Edição: 25/01/2013
ISBN: 9789896374822
Nº de Páginas: 336



Sinopse
David Anthony Durham reinventou a narrativa épica do nosso tempo, num livro que irá certamente marcar a sua descoberta por um público mais vasto

Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo.

Um império dominado por um povo austero e intolerante.

Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.

Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.



A luta apocalíptica contra os Mein terminou. Uma vitoriosa Corinn Akaran reina no Império Acaciano do Mundo Conhecido. Apoiada no seu conhecimento de artes mágicas do livro A Canção de Elenet, ela reina com mão de ferro. E reconstruir um império desgastado pela guerra não é fácil. Das misteriosas Outras Terras, chegam à corte notícias inquietantes, e Corinn envia o seu irmão, Dariel, como emissário pelos mares tempestuosos das Encostas Cinzentas.

Ao chegar àquele distante continente, este antigo pirata é apanhado numa rede de velhas rivalidades, ressentimentos, intrigas e uma crescente deslealdade. A sua chegada provoca um tal tumulto que o Mundo Conhecido é de novo ameaçado pela possibilidade de invasão — algo que tornaria os anteriores perigos numa brincadeira de crianças. Sem aparentes obstáculos, um novo ciclo de acontecimentos que irá arruinar e remodelar o mundo está prestes a começar…


segunda-feira, dezembro 24, 2012

O Natal de um predador da Noite - Sherrilyn Kenyon [Saida De Emergencia]




Nascido de pais pobres e imigrantes, no virar do século, James Cameron Patrick Gallagher já era irritável quando veio ao mundo. Em nada
ajudou o facto de ter nascido, nas traseiras de uma fábrica clandestina incrivelmente degradada, de uma mulher tímida e receosa que fora obrigada
a regressar ao trabalho poucas horas depois de ter dado à luz directamente
para as mãos do pai, alcoólico e nervoso. Um pai cuja relação com o rapaz
era, na melhor das hipóteses, indiferente e, na pior, violenta.
Desde o momento do primeiro choro, Jamie passou a vida a lutar por
respeito. A lutar para sair da pobreza que o assolava, enquanto crescia nos
degradados bairros irlandeses de Nova Iorque. Aos quinze anos encontrou
a sua saída. Corria o ano de 1916 e dois acontecimentos ocorreram na sua
vida. O pai morreu em consequência de ter escorregado e caído ao rio a
caminho de casa, depois de uma farra de três dias a beber. Passadas duas
semanas, Jamie foi trabalhar com o famoso gangster Ally Malone, de modo
a poder sustentar a mãe e os oito irmãos mais novos. Brutamontes e arruaceiro, Ally ensinara-lhe uma forma de ganhar dinheiro que i zera com
que a sua pobre mãe i casse com os joelhos doridos devido às incontáveis
novenas que rezara pelo i lho. Mas, no que a Jamie dizia respeito, isso não
era problema. O seu novo estilo de vida permitia-lhe comprar almofadas
de seda à mãe, para apoiar os joelhos gastos pelo trabalho e, em vez de rezar com um barato rosário de madeira, ela usava, agora, um feito de ouro
e mari m. O mesmo rosário que ela lhe atirou à cara quando soube toda a
verdade sobre o i lho: Jamie não era um pobre inocente desviado para maus
caminhos por pessoas decididas a aproveitarem-se dele. Quando chegou
aos vinte anos, era um gangster feroz a ter em conta. Afastado pela mãe,
dera ao irmão mais novo um trabalho respeitável, para que Ryan pudesse
cuidar da família mas, sem que a mãe o soubesse, eram os ganhos ilícitos de
Jamie que os mantinham a todos alimentados.
Jamie aprendera a endurecer o seu coração e a não se preocupar com
nada nem ninguém. Tornou-se Gallagher. Um homem sem outro nome.
Um homem que não deixava ninguém aproximar-se de si, que não deixava
que ninguém o conhecesse. Era frio como gelo e duro como pedra.
Até ao dia em que Rosalie entrou na sua vida e quebrou o seu invólucro de granito. Filha de imigrantes portugueses, estava de regresso a casa
depois da missa, quando Jamie chocara com ela, na pressa de apanhar um 6 
“parceiro” de negócios com quem precisava de lidar. Era uma fria tarde de
Inverno e a neve caía sobre a cidade. Onze de Fevereiro de 1924, uma data
que i caria gravada na sua mente e no seu coração para toda a eternidade.
No momento em que Rosalie voltou para ele os olhos castanhos-escuros,
sentiu todo o seu corpo ser consumido pelo fogo. Pela primeira vez em
muitos anos, sentiu algo mais do que ódio frio e cego.
— Peço imensa desculpa — sussurrara ela, na sua pronúncia exótica,
limpando-lhe o dispendioso fato feito à medida. — Não o vi por causa da
neve.
— A culpa foi minha — apressou-se ele a garantir-lhe.
Sem dúvida, qualquer outro homem na sua posição ter-lhe-ia batido
ou gritado com ela. Tal pensamento fez com que o seu corpo fosse varrido
por uma onda de fúria despropositada. Tratava-se de uma estranha e, no
entanto, sentia-se possessivo em relação a ela. Respeitoso. Duas emoções
que nunca sentira por nenhuma mulher que não fosse da sua família.
— Rosalie! — gritara a mãe, que voltara para trás em busca da i lha. —
Não deves falar com homens assim. Quantas vezes tenho de to dizer?
Pegou em Rosalie pelo braço e lançou a Jamie um olhar suplicante e
servil.
— Perdoe a minha i lha, senhor. É jovem e tola.
— Não faz mal, senhora — disse ele, rapidamente.
Então os seus olhos encontraram-se com os olhos muito abertos de
Rosalie. Ela era verdadeiramente bela. O seu cabelo, preso numa trança
e enrolado em volta da cabeça, i cara exposto quando o véu caíra, depois
de terem colidido. Os seus olhos castanhos eram puros. Inocentes. Absolutamente intocados pela violência sangrenta que sempre i zera parte
da vida de Jamie. Acima de tudo, os seus olhos eram gentis. Não queria
que nada turvasse esse olhar. Que o tornasse duro e frio. Amargo. Como
o seu.
— Dá-me permissão para que corteje a sua i lha?
As palavras saíram-lhe da boca antes que as pudesse parar. A expressão
da mãe dela foi de puro horror. Irlandeses brancos não cortejavam mulheres portuguesas. A sociedade jamais toleraria tal coisa.
— Não — respondeu ela com rudeza, arrastando a i lha para longe dele.
Jamie talvez tivesse aceite o não como resposta. Gallagher não o aceitaria.
Gastara bem mais de cem dólares em subornos para localizar Rosalie, mas
valera cada cêntimo. Independentemente dos pais dela, dos seus próprios
associados e da sociedade em geral, i zera dela sua esposa a 17 de Junho de
1925. Apenas Rosalie conhecera realmente Jamie. E ele morrera a tentar 7 
chegar junto dela, enquanto ela lutava para trazer ao mundo o seu único
i lho, um rapaz. Também essa fora uma noite fria, com neve. Poucos dias
antes do seu trigésimo terceiro aniversário. Ele sabia que as autoridades o
perseguiam; sabia que havia um ini ltrado na sua empresa, embora estivesse a tentar endireitar-se. Nada disso tinha importado. Rosalie precisava dele
e ele recusava-se a decepcioná-la. Foi uma decisão que lhe custou a vida e
a alma.
SETENTA ANOS DEPOIS, NOVA ORLEÃES
G
allagher franziu o sobrolho ao sentir algo a lamber o fundo das costas.
Era uma sensação que, aprendera há vários anos, assinalava a aproximação de um daemon. Virou o seu Bugatti Atlantic Aerolithe, único no
mundo, para uma rua lateral e estacionou-o. Oh, sim! A sensação estava lá,
ainda mais forte do que antes. Só fora a Nova Orleães uma mão cheia de
vezes e, embora a cidade não tivesse mudado muito, ainda lhe foram necessários alguns minutos para se recordar da disposição do Bairro Francês. A
luz da lua, i ltrada através das varandas de ferro forjado e das plantas penduradas, iluminava as velhas fachadas de tijolo. Podia ouvir o ruído débil
de risos e música, bem como os carros que assobiavam ao passar. Esticou a
cabeça para escutar, esperando por um sinal que lhe indicasse a localização
dos daemon. Ouviu um grito. Correndo na sua direcção, percorreu os becos escusos até encontrar a jovem, perto de um monte de lixo, rodeada por
quatro daemon machos, enquanto um quinto enterrava as presas no seu
pescoço. Furioso, Gallagher atirou-se a eles.
Os daemon atacaram-no em simultâneo, não que isso lhes tivesse servido de muito. Um par de golpes bem colocados e o apunhalar rápido dos
seus peitos e eles passaram à história. Gallagher correu para a mulher e
ajoelhou-se ao seu lado. Gentilmente, voltou-a e viu uma rapariga que não
tinha mais de vinte anos. Amaldiçoou o destino que a tinha colocado no
caminho dos daemon. Felizmente ainda estava viva, embora lutasse para
respirar. Tirou o lenço com monograma do bolso do casaco e usou-o como
torniquete improvisado na ferida de mau aspecto que ela tinha no pesco-
ço. Movendo-se rapidamente, transportou-a até ao carro e conduziu até às
urgências mais próximas, onde i cou a saber que o pessoal do hospital não
gosta muito de admitir a entrada de mulheres desconhecidas, transportadas por estranhos com roupas ensanguentadas. Assim que conseguiu pôr
Nick Gautier em contacto telefónico com o funcionário e se assegurou que
a rapariga desconhecida seria atendida, Gallagher respirou fundo. Permaneceu no hospital, querendo assegurar-se de que ela sobreviveria. Ansioso 8 
e incapaz de i car quieto enquanto o pessoal cuidava dela, deu por si a deambular pelos corredores.
O local estava enfeitado para as festas. Os festões verdes e vermelhos
e os recortes em forma de l or-do-natal transmitiam uma sensação de calor ao branco assético. Algumas enfermeiras e jovens visitantes sorriram,
de forma convidativa, ao passar por ele. Mas, por outro lado, as mulheres
sempre o tinham feito. Tinha um metro e noventa e três de altura, cabelo e
olhos negros, e músculos fortes e bem dei nidos. O tipo de homem em que
as mulheres tendem a reparar. Nunca sentira vaidade por isso. Que as mulheres gostassem de olhar para ele e, muitas vezes, lhe i zessem propostas
era, simplesmente, um facto da vida. E, embora se tivesse sentido tentado,
uma ou duas vezes ao longo das décadas, não voltara a tocar em qualquer
outra mulher. Não enquanto a sua mulher vivera. Gallagher podia ter violado todas as leis existentes, mas nunca violara um único voto. Em especial,
um que tivesse sido feito a alguém que amava. Mesmo depois da morte de
Rosalie, não sentira o desejo de tocar noutra mulher. Por isso, Gallagher
limitou-se a acenar-lhes e continuou a andar.
Pouco depois chegou à enfermaria pediátrica. Sentiu um nó no estô-
mago quando compreendeu onde se encontrava. Tempos houvera em que
esperara ir a um hospital para ver o seu i lho. Não conseguira lá chegar.
Apressado e sem pensar, saíra do edifício onde tinha o seu escritório a correr e tentava entrar para o carro quando deu por si rodeado de polícias.
Gallagher, que nunca recuara perante uma luta, levantara as mãos. Mataram-no na rua, como se fosse um animal raivoso. Incapaz de lidar com
aquela recordação, Gallagher estava prestes a voltar a dar meia volta e a
partir quando algo inesperado prendeu o seu olhar…
Viu um elfo de aspecto estranho, com uma camisa de Pai Natal vermelha, uma saia verde muito curta e meias altas de riscas vermelhas e brancas
que desapareciam no interior de um par de gastas botas da tropa. Cantava
a um grupo de miúdos com uma voz que rivalizaria com um coro celestial,
tal era a sua beleza melódica. A mulher era alta e extremamente atraente, de
uma forma estranha, com olhos fantasmagóricos, castanho-avermelhados,
que deviam ser o resultado de um qualquer tipo de lentes de contacto; orelhas pontiagudas e cabelo negro com madeixas vermelhas. Mas o que mais
o surpreendeu foi o homem que se encontrava com ela. Acheron Parthenopaeus. O glorioso líder dos Predadores da Noite estava sentado no chão,
rodeado de crianças, enquanto tocava guitarra e fazia coro com a mulher.
Gallagher i cou espantado com aquela imagem. Durante todos aqueles
anos em que conhecera Ash, nunca o vira relaxar. Normalmente, Acheron
libertava uma aura absolutamente letal e calma, que avisava as pessoas que
deveriam manter-se à distância se quisessem permanecer vivas. Mas esse 9 
não era o Ash que agora via. O homem sentado no chão mais parecia uma
criança. Acessível e gentil. A voz profunda de Ash misturava-se com a do
elfo enquanto cantavam Put a Little Love in Your Heart de Jackie Deshan.
— Ora, aí está algo que não se vê todos os dias, hã? Dois góticos, punks,
a dar uma festa de Natal para crianças doentes.
Gallagher voltou-se e viu uma médica afro-americana de meia-idade a
seu lado. Ela parecia cansada mas divertida, enquanto olhava para Ash e a
sua ajudante éli ca junto das crianças.
— Nem faz ideia — disse-lhe ele.
A médica sorriu.
— Tenho de admitir que demorei algum tempo a habituar-me, quando
comecei a trabalhar aqui, há alguns anos. Pensei que estavam a gozar quando me falaram do Anjo da Guarda gótico e do seu fundo de apoio para as
crianças.
Gallagher arqueou uma sobrancelha quando ouviu a alcunha.
— Então, ele vem aqui muitas vezes?
— De dois em dois meses ou assim. Traz sempre presentes para as crian-
ças e para o pessoal, e depois brinca durante algum tempo com os miúdos.
Gallagher não teria i cado mais admirado se ela lhe tivesse dito que Ash
incendiava, frequentemente, o hospital.
— A sério?
— Oh, sim! Calculamos que ele seja um miúdo rico que sente a necessidade de fazer o bem. O mais estranho é que, sempre que ele vem, os
miúdos i cam absolutamente calmos e serenos. A sua pressão sanguínea
desce e nunca temos de lhes dar analgésicos enquanto ele cá está. Depois
da sua partida, dormem durante horas. E o melhor de tudo, os pacientes
com cancro entram em remissão durante várias semanas, depois das suas
visitas. Não sei o que tem aquele jovem mas faz, realmente, a diferença nas
vidas deles.
Gallagher conseguia compreender isso. Embora Ash pudesse ser assustador, havia algo estranhamente reconfortante no Atlante.
Assim que Ash reparou na sua presença, Gallagher viu um véu descer
sobre o seu rosto. O bom humor desapareceu e Ash i cou visivelmente rígido. Tornou-se o soturno líder que não faz prisioneiros, que Gallagher bem
conhecia. Assim que a música terminou, Ash entregou a guitarra a uma das
crianças mais velhas e deixou-as com um pedido de desculpas. Levantou-se
e saiu da sala, os membros longos e soltos conferiam-lhe um andar predató-
rio. O rosto de Ash mostrava-se impassível quando cruzou os braços sobre
o peito e se aproximou de Gallagher.
— Santo Ash, quem diria?
Ash ignorou o comentário.10 
— O que estás a fazer aqui?
Gallagher encolheu os ombros.
— Estava apenas de passagem.
Ele esticou a cabeça.
— De passagem? Da última vez que vi, Chicago i cava a norte de Baton
Rouge, não a sul.
— Eu sei. Mas já que estava perto, quis passar pelo Santuário e desejar
a todos um feliz Natal.
Ash escutou os pensamentos de Gallagher e deixou que as suas emo-
ções o varressem. A esposa de Jamie tinha morrido de velhice, no Verão
anterior, e a sua morte tinha afectado muito o irlandês. Assim que “soubera” da sua morte, Ash fora de imediato ter com Jamie e descobrira que este
tinha violado o Código de Conduta e a fora visitar enquanto ela estava no
hospital. Ash decidira ignorar a falta. Podia nunca ter conhecido o amor
de um ser humano, mas compreendia aqueles que eram sui cientemente
afortunados para o terem vivido.
— Fazemos assim, já que cá estás, porque é que não i cas até depois do
Ano Novo?
Jamie escarneceu.
— Não preciso da tua piedade.
— Não é piedade. É uma ordem. Já que o Kyrian se reformou, fazia jeito
ao Talon uma ajuda. As coisas i cam bastante turbulentas nesta altura do
ano. Muitos daemon viajam para sul, em busca de calor, e as pessoas saem
para a rua para festejar o Ano Novo.
— Estás a gozar comigo ou quê?
Antes que Ash conseguisse responder, a mulher elfo saiu da sala, segurando uma criança pequena que apoiava sobre a anca.
— Akri? — disse a Ash, numa estanha voz cantada. — Posso i car com
ele?
Ela deu uma palmadinha na perna gorducha que emergia de debaixo
da camisa de hospital.
— Vês, é bom para comer. Este tem muita gordura.
A criança de cabelos negros riu.
— Não, Simi — disse Ash com i rmeza. — Não podes i car com o bebé.
A mãe sentiria a falta dele.
Ela fez um beicinho.
— Mas ele quer ir para casa com a Simi. Foi ele que disse.
— Não, Simi — repetiu Ash.
Ela amuou.
— Não, Simi; comida, não. Ralha, ralha, ralha. O teu pai também está
sempre a ralhar contigo? — perguntou ao rapazinho.11 
— Não — respondeu ele, enquanto puxava um dos chifres pretos e vermelhos no topo da cabeça dela.
Ash suspirou.
— Simi, leva o bebé para dentro.
Ela deslocou-se por forma a i car à frente de Ash.
— Está bem, dá-me um beijo e eu vou.
Ash parecia muitíssimo desconfortável ao olhar de lado para Gallagher
e novamente para ela.
— À frente do Predador, não, Simi.
Ela emitiu um estranho ruído animalesco e olhou para Gallagher.
— A Simi quer um beijo, Akri. Espero nem que seja um século. Sabes
que sim.
Dizer que Ash parecia irritado é pouco. Ele inclinou-se e deu-lhe um
beijo rápido na testa. Ela brilhou de orgulho, depois trotou para longe com
a criança.
— Quem é aquela? — perguntou Gallagher. — Ou talvez deva perguntar, o que é aquilo?
— Em resumo, não é da tua conta.
Ash esfregou a testa com a mão, como se estivesse com dores.
— Onde é que íamos?
— Eu perguntei-te porque é que me estavas a dar um trabalho temporário em Nova Orleães.
— Porque o Talon precisa de uma ajuda.
— Pergunto-me o que diria o Talon?
— Dir-te-ia para não me chateares.
Gallagher soltou uma gargalhada breve.
— Está bem, então. Vou ter isso em conta.
Ash observou a mulher na sala com as crianças.
— Podes i car com os Peltiers no Santuário. Quanto a mim, é melhor ir
antes que um daqueles miúdos acabe num pacote de leite.
Gallagher observou enquanto Ash corria para a sala para tirar uma
rapariguinha ao elfo e a pousava no chão. O elfo afastou-se, dançando, e
dirigiu-se para outra criança. Abanando a cabeça perante a estranheza da
cena, Gallagher dirigiu-se para o elevador para regressar ao andar de baixo
e verii car o estado da sua paciente. A enfermeira disse-lhe que ela estava
bem. Gallagher suspirou de alívio. Então a enfermeira levantou-se e tocoulhe no braço.
— Venha — disse a mulher, inclinando a cabeça para trás. — Ela quer
agradecer-lhe.
— Não preciso que me agradeçam.
— Querido, todos precisamos que nos agradeçam. Anda.12 
Antes que o pudesse impedir, já deixara que a enfermeira o levasse até à
pequena sala das urgências dividida por cortinas. A jovem morena sentouse na maca; tinha uma ligadura, demasiado grande para ela, no pescoço. Os
grandes olhos verdes estavam um pouco turvos mas brilharam assim que
se ergueram na direcção dele. A enfermeira deixou-os sozinhos.
— És tu o homem que me salvou? — perguntou ela.
Sentindo-se embaraçado, acenou. A rapariga remexia o cobertor que a
tapava.
— Obrigada. A sério.
— O prazer foi meu. Só estou feliz por te ter encontrado naquela altura.
— Sim, eu também.
Gallagher voltou-se para sair.
— Bem, preciso…
A voz faltou-lhe quando uma jovem muito bela atravessou as cortinas.
Era alta, provavelmente com cerca de um metro e setenta, de cabelo negro
e olhos de um azul profundo.
— Jenna! — gritou ao ver a amiga na maca. — Oh, graças a Deus que
estás bem. A senhora ao telefone disse que tinhas sido atacada.
Os olhos de Jenna encheram-se de lágrimas.
— Não sei o que aconteceu. Estava a ir para o meu carro e não me lembro de nada depois disso. Se não fosse ele, provavelmente estaria morta.
A rapariga voltou-se e estacou. Parecia que tinha acabado de ver um
fantasma. Gallagher olhou para ela, desai ador.
— Passa-se alguma coisa? — perguntou.
— Não. — Ela agitou a mão como se se estivesse a sentir tola. — Desculpe, faz-me lembrar alguém, mais nada.
— Um antigo namorado?
— Não, o meu bisavô.
— Isso não é particularmente elogioso. Pensava que até estava bem para
a idade.
Ela riu.
— Não, quero dizer… Oh, esqueça!
Jenna inclinou a cabeça, olhando para ele.
— Parece-se de facto com ele, Rose. Tens razão.
Rose. O nome atingiu-o como um murro. Antes que se pudesse mexer, a rapariga chamada Rose aproximou-se dele. Puxou um medalhão
de ouro gravado de debaixo da camisola castanha. Era um medalhão
que conhecia bem. Desde o pormenor da granada e dos diamantes que
formavam um círculo na frente até à inscrição na parte de trás. “Para a
minha Rose. Feliz Aniversário. 1930”. Ela abriu o medalhão para revelar
as duas fotograi as no seu interior. Uma era a fotograi a que Rosalie lhe 13 
pedira que tirasse meses antes de morrer e a outra era a do seu i lho com
dois anos de idade.
— Vê — disse a rapariga, mostrando-lhe a fotograi a —, parece-se muito com o meu avô Jamie.
Com um aperto no coração, Gallagher engoliu em seco. Queria estender a mão e tocar-lhe, mas as suas mãos tremiam de tal forma que não se
atreveu.
— Onde é que arranjaste isso?
— Deu-mo a minha bisavó na passada Primavera. Já que recebi o nome
dela, quis que i casse com ele.
Ela sorriu tristemente, fechou o medalhão e voltou a colocá-lo debaixo
da camisola.
— O meu pai diz que o avô Jamie era um gangster, mas eu não acredito.
A avó Rose nunca teria casado com alguém assim. Ela era uma santa.
Tinha de se obrigar a respirar, de se impedir de a esmagar com abraços
e chorar. A sua bisneta. Rosalie. Esta jovem alegre era uma ligação viva com
a sua esposa. Quando ele falou, a sua voz era grossa e profunda.
— Ela devia amar-te muito para te dar isso.
— Eu sei. Ela usou-o durante todos os dias da sua vida até mo ter dado.
É simplesmente estranho, compreende? Parecer-se tanto com ele e tudo o
mais.
Gallagher limpou a garganta.
— Sim. Estranho.
Não conseguia afastar os olhos dela. Não via grande coisa de si mesmo
ou de Rosalie na rapariga, mas sentiu o laço do parentesco bem fundo no
seu coração. Ela era a sua família. E ele nunca lho poderia dizer. Tal como
nunca o pudera revelar ao pai ou ao avô dela.
Gallagher trocara a sua alma pela vingança e, depois, fora obrigado a
retirar-se para as sombras e a entregar o cuidado da sua família a estranhos.
Mas, pelo menos, o Conselho dos Escudeiros tinha estado presente. Depois
de Gallagher se ter tornado um Predador da Noite, eles enviaram pessoas
para garantir que a sua família sobrevivia. O governo tinha tirado tudo a
Rosalie. Coni scara, até, os seus bens legítimos e deixara-a sem nada. Os
Escudeiros deram-lhe um emprego e, passados alguns anos, começaram
a enviar pretendentes adequados para cortejarem a sua mulher e um deles
acabou por casar com ela. Enquanto foi vivo, Harris enviou a Gallagher
fotos actualizadas e notícias sobre o seu i lho e netos. O Conselho dos Escudeiros tinha garantido a segurança e o bem-estar da sua família enquanto
ele continuava com o seu trabalho, caçar e matar daemon.
Ash avisara-o de como seria difícil. “Enquanto tiveres descendentes directos ainda vivos, assombrar-te-ão. Mas vai-se tornando mais fácil… com 14 
o tempo.” Outros Predadores tinham-lhe dito a mesma coisa mas, naquele
momento, com a bisneta à sua frente, não conseguia acreditar que assim
fosse. Deus, era tão injusto! Ou talvez esta fosse a sua forma de expiar a vida
violenta que tinha escolhido. Sempre no exterior. Estando no mundo, mas
nunca lhe pertencendo verdadeiramente. Semicerrou os olhos perante a
verdade. Cansado e magoado, pediu desculpa às raparigas e saiu do hospital.
Lá fora, a rua estava praticamente vazia. A hora tardia levara todos para
casa, em busca de calor; conforto. Duvidava que alguma vez voltasse a sentir qualquer uma dessas coisas. Quando entrou na garagem particular que
i cava do lado oposto da rua, em frente do Santuário, Elizar Peltier saiu pela
porta dos fundos e parou. O cabelo louro, encaracolado e comprido do homem estava puxado para trás, para longe do rosto. Usava um par de calças
de sarja e uma larga camisola preta.
— Jamie Gallagher — disse ele, lentamente. — Diabos me levem! —
Voltou-se e gritou através da porta aberta. — Kyle, vai dizer à Mamã que
prepare um prato de carne de conserva e couve. Temos aqui um Predador
da Noite a precisar de comida.
Gallagher acenou em agradecimento.
— Olá, Zar, já lá vai algum tempo.
— Acho que passaram uns trinta anos, ou assim, desde a última vez que
tivemos o prazer da tua companhia.
O tempo era realmente fugaz para um imortal.
— Contudo, ainda te lembras da minha comida favorita.
Zar encolheu os ombros.
— Nunca me esqueço de um amigo.
O mesmo se passava com Gallagher. Eram muito poucos e só os encontrava de tempos a tempos. Zar conduziu-o ao edifício ao lado do bar Santu-
ário. Construída no virar do século a residência Peltier era o lar da família
Katagaria e do seu grupo ecléctico de refugiados. A casa estava ligada ao bar
através de uma porta, no andar térreo, que se encontrava sempre guardada
por um dos onze i lhos Peltier. Eram lendários no mundo dos Predadores,
porque recebiam todos como amigos: Predadores do Homem, Predadores
de Sonhos, Predadores da Noite ou outros. Não interessava. Desde que se
mantivessem as boas maneiras e as armas escondidas, deixavam que entrassem e saíssem em paz. Os que violavam a única regra da casa, “Não derramar sangue”, depressa eram expulsos, feitos em bocadinhos. A elegante
mansão vitoriana estava agora sossegada, com excepção dos Uivadores que
tocavam no palco ao lado do bar. Estava mobilada com antiguidades do virar do século, que já se encontravam naquela casa desde que eram novas. O 15 
clã dos ursos não gostava de mudanças. Gallagher estava contente por isso.
Era uma sensação estranhamente semelhante à de regressar a casa.
— Quanto tempo vais i car? — perguntou Zar enquanto o encaminhava ao longo das escadas de mogno trabalhado à mão.
— Até ao Ano Novo.
Zar acenou.
— A Mamã vai i car contente por ouvir isso.
Indicou a Gallagher uma porta no fundo do corredor. Gallagher entrou e descobriu um quarto quente e acolhedor. As janelas tinham portadas
compactas e cortinas pesadas que impediam que a luz do sol entrasse.
— Tens aqui um cabo de modem para o teu portátil, caso o tenhas trazido.
O canto da boca de Gallagher ergueu-se.
— Todos os confortos de um lar.
— Tentamos. Lembro-me bem dos tempos em que tínhamos de fugir
e de nos esconder, sem nunca gozar de qualquer conforto. Gasta alguns
minutos a instalar-te e junta-te a nós quando estiveres pronto.
Gallagher viu Zar sair, enquanto era atravessado por sentimentos e memórias. Agradecia a cortesia dos ursos, mas trocaria todo o seu dinheiro e a
imortalidade por uma única noite passada com a sua mulher e o seu i lho.
Um único Natal com eles, vendo o rosto de Rosalie iluminar-se ao abrir um
presente. A dor da sua perda atormentava-o. Não queria sentir dor, nem desejar coisas que já não podia alcançar. Sentou-se na cama e olhou i xamente
para a parede. Viu o rosto da sua bisneta e perguntou-se se ela iria a casa no
Natal, para estar com a família.
Quanto a isso, perguntou-se se não deveria, também ele, ir para casa.
Pelo menos Chicago era-lhe familiar. Cansado e magoado, deitou-se na
cama para descansar por um segundo. Desejava apenas refugiar-se, por um
instante, nas memórias do tempo em que era humano.
Quando Gallagher acordou, descobriu que tinham passado três dias, enquanto dormia. Não se recordava de nada em relação aos seus sonhos.
— Porque me deixou dormir durante tanto tempo? — perguntou à
Mamã Peltier quando, deixando o quarto, a encontrou na sala de estar do
andar térreo. Na sua forma humana, era uma mulher elegante, alta e loura,
que usava, normalmente, um fato de bom corte. Embora não aparentasse
ter mais de quarenta anos, a verdade é que estava perto dos oitocentos.
— O Acheron disse que precisavas de descansar e eu concordei.
— Mas três dias?
Ela encolheu os ombros.
— Sentes-te melhor?16 
Estranhamente, sentia. Pelo menos i sicamente.
Passava pouco do anoitecer e era véspera de Natal. O clã dos ursos enchia, lentamente, o andar térreo e reunia-se nas duas salas de estar principais, onde se encontravam dois pinheiros de três metros e meio. Gallagher
afastou-se, observando todos os Katagaria e Arcadianos, que faziam da residência Peltier a sua casa, reunirem-se para a celebração que se aproximava. As pequenas crias de urso trepavam por cima dos presentes e tentavam
comer e subir pelas árvores, enquanto os seus pais e mães, em forma humana para que Gallagher se sentisse mais em casa, as puxavam para trás. Justin
Portakalian desceu, na sua forma de pantera, e pegou numa das crias mais
pequenas pelo cachaço, fazendo-a depois rebolar alegremente pelo chão.
Era a reunião de Natal mais bizarra que Gallagher alguma vez tinha visto
nos seus cento e tal anos de vida. Sentia-se ainda mais desajustado do que
se tinha sentido três dias antes, ao chegar.
Enquanto membros dos Uivadores chegavam para se juntar à festa,
Gallagher decidiu que precisava de apanhar ar e de gozar de um momento
de silêncio para organizar as ideias.
Saiu para a noite escura e fria e começou a andar, sem rumo, pelo Bairro
Francês. Sem que se apercebesse, chegou à porta da Catedral de St. Louis. Já passara muito tempo desde que entrara numa igreja pela última vez.
Apenas algumas pessoas se dirigiam para o seu interior. A maior parte dos
paroquianos esperaria, sem dúvida, pela Missa do Galo. Pensou em partir
mas, em vez disso, deu por si a dirigir-se para o interior, com os outros. O
foyer estava escuro, mas os olhos do Predador da Noite viam claramente o
interior e ele avançou na direcção da pequena bacia de água benta na parede à sua esquerda, mesmo ao lado da loja da igreja. Benzeu-se e, depois,
abriu as escuras portas de madeira que davam acesso à catedral. A beleza
dos vitrais e do santuário transportaram-no de imediato para os dias da
sua juventude. Gallagher ajoelhou-se, depois sentou-se na última i la. Ali,
podia sentir a sua Rosalie. Devota, nunca perdera um Dia de Preceito ou
Dias Santos. Acompanhara-a sempre, respeitosamente, embora se queixasse e resmungasse. Sempre paciente, ela sentava-se ao seu lado, dando-lhe
palmadinhas no braço e sorrindo para si mesma por o ter levado a fazer o
impossível.
— Sinto saudades tuas, Rose — sussurrou, o peito apertado com a dor
da sua perda.
Queria i car ali, onde sentia a sua presença, mas não podia. Nenhum
Predador da Noite conseguia i car muito tempo numa igreja antiga, sem
que os fantasmas do passado surgissem para o possuir. E ele estava, naquele
momento, demasiado fraco para lutar contra eles. Levantando-se, regressou em silêncio à bacia da água benta e, depois, à rua.17 
Estava frio no exterior, mas nem de perto tão frio como se sentia por
dentro. Gallagher começou a descer Chartres Street. Não sabia para onde
ir. Não lhe apetecia regressar ao Santuário e não havia real necessidade de
sair para caçar na Véspera de Natal. Como a maior parte dos humanos se
encontrava em casa com as suas famílias, os daemon tendiam a i car também em casa.
— Olá!
Gallagher parou ao ouvir a familiar voz cantada. Voltando-se descobriu
Simi atrás de si.
— Olá — disse ele, quase esperando ver Ash com ela. Mas, aparentemente, ela estava sozinha.
Simi saltou na sua direcção.
— Que ‘tás a fazer aqui fora, sozinho? — perguntou ela. — Esquecestete do caminho para o Santuário?
— Não. Queria i car sozinho durante um bocado.
Ela inclinou a cabeça e franziu o sobrolho.
— Porquê? Os ursos foram maus contigo? A Mamã i ca um pouco rabugenta quando eu brinco com as crias. Pensa que vou comer uma delas,
mas blah! São demasiado peludas. Agora, se ela me esfolasse uma, aí poderia i car interessada.
Ele riu contra a sua vontade.
— Estás a brincar?
— Oh, não! Nunca brinco em relação a comida peluda. É nojenta. —
Ela ergueu os olhos, i tando-o. — Se eles não foram maus para ti, então
porque saíste?
— Não sei. Acho que não me sentia bem ali.
— Porquê?
Ele encolheu os ombros.
— O que é que estás a fazer aqui fora?
— Nada de especial. O Akri saiu com aquele demónio de cabelo vermelho, por isso disse que eu podia ir brincar, desde que não comesse nada
que não tivesse sido cozinhado por um humano. Mas todos os meus locais
favoritos estão fechados, por isso pensei em ir ter com os ursos e ver se o
José, já que é humano, me cozinhava qualquer coisa boa que não i zesse
com que o Akri se zangasse comigo se eu a comesse.
— O Akri é o Ash?
— Sim.
— E o demónio de cabelo vermelho?
— Ártemis, a deusa cadela. Tu conhece-la. Foi ela que te roubou a alma.
— Ela não a roubou.
Simi soprou-lhe uma framboesa.18 
— Claro que roubou. Ela rouba tudo.
Ergueu-se em bicos de pés e olhou-o directamente nos olhos.
— Hei — disse, pegando-lhe no queixo com a mão, para poder virar
a cabeça dele de um lado para o outro enquanto o examinava. — Estás
magoado aí dentro. Isso deixaria o Akri muito triste. Ele não gosta que os
seus Predadores da Noite se magoem e a Simi não gosta quando o Akri está
triste. Porque estás magoado?
— Tenho saudades da minha família.
Soltando-o, ela acenou compreensivamente.
— Também tenho saudades da minha. A minha mamã era uma pessoa
boa. “Simi”, dizia ela, “eu amo-te”. O Akri também me ama.
Ela baixou a cabeça para que ele pudesse ver os seus chifres, cobertos
pelo que parecia serem gorros muito pequenos.
— Vês, o Akri até me deu estes abafadores de chifres para que os meus
chifres não arrefeçam. Também queres uns abafadores de chifres?
Esta era, decerto, a conversa mais estranha da sua vida. Não sabia porque continuava ali, a falar com ela. Talvez fossem os seus modos infantis.
Havia nela algo de muito encantador.
— Não tenho chifres.
— Queres uns? — perguntou ela esperançosa. — Podia dar-te uns todos coloridos. O Akri tem uns pretos, mas não deixa que as outras pessoas
os vejam.
— O Ash tem chifres?
— Oh, céus, tem. São muito bonitos. Não tão bonitos como os meus,
mas ainda assim muito simpáticos. A Simi diria que gostava que os pudesses ver um dia mas, se isso alguma vez acontecesse, serias morto e acho que
a Simi teria saudades tuas. Também pareces muito simpático.
Gallagher franziu o sobrolho enquanto ela vasculhava a sua bolsa de
contas, demasiado grande. Passados alguns segundos, retirou do seu interior uma pega de cozinha em forma de peixe. Entregou-lha.
— É de boa qualidade. Da QVC. Não há melhor. Vês a QVC?
— Não.
— Bem, devias. O Akri diz que vejo demasiado, mas nunca se queixa
quando compro as coisas que eles anunciam. Eles gostam muito de mim.
Põem-me na televisão e chamam-me Miss Simi. Gosto disso.
Ele devolveu-lhe o peixe.
— Oh, não! É para ti. Os presentes fazem as pessoas felizes. A Simi quer
que sejas feliz.
Oh, sim! Este era, sem dúvida, o momento mais estranho da sua vida.
Tanto mortal como imortal.
— Obrigado, Simi.19 
Ela afastou as palavras dele com um aceno.
— Não precisas de me agradecer. Vês, é isso que fazem as famílias. Tomam conta uns dos outros.
Sentiu o estômago apertar-se ao ouvir as palavras dela.
— Já não tenho família. Tive de abdicar deles.
Ela olhou para ele com curiosidade.
— Claro que tens uma família. Todos têm família. Eu sou a tua família.
O Akri é a tua família. Até aquela deusa velha e malcheirosa é a tua família.
É aquela tia horrorosa que aparece sempre, mas de quem ninguém gosta e,
por isso, gozam com ela quando não está.
Ele voltou a rir.
— Ela sabe que tu dizes essas coisas sobre ela?
— Claro. Digo-lhas na cara muitas vezes. Foi por isso que o Akri me
disse para ir brincar enquanto estava com ela. Não gosta quando nós lutamos. — Tomou a mão dele na sua. — Ouve, eu conto-te o que o Akri me
disse uma vez. Temos três tipos de família. Aqueles de quem nascemos,
aqueles que nascem de nós e aqueles que deixamos entrar nos nossos corações. Eu deixei-te entrar no meu coração, por isso a Simi é a tua família e
ela não abdicará de ti. Se agora estás triste, acho que é porque a tua família
ainda está, também, no teu coração e estão a ocupar tanto espaço que não
cabe lá mais ninguém.
— Não posso abdicar deles.
— E não deves fazê-lo. Nunca. Ninguém deve esquecer aqueles que
ama, nunca. Mas é como com a QVC: sempre que eu encho o meu quarto com coisas a mais, o Akri constrói-me outro quarto. De alguma forma
há sempre espaço para mais. O teu coração pode sempre expandir-se para
acolher tantas pessoas quantas seja necessário. As pessoas que lá vivem, essas não se vão embora. Só tens de arranjar espaço para mais uma pessoa, e
depois outra, e outra, e outra.
De braço dado, Simi conduzia-o pela rua abaixo.
— Não queres que a Simi seja a tua família?
Pensou nas palavras dela e na sua estranha analogia. Ela inclinou-se
para a frente e sussurrou.
— Esta é a parte em que dizes: “Sim, Simi, gostava de ser a tua família”.
Porque se assim não for, vou ter de reclamar a pega de volta e assar-te nas
brasas. O Akri ainda está chateado por causa do último Predador da Noite
que assei nas brasas e isso já foi… oh, há uns mil anos ou assim. Ele é parte
elefante quando se trata de lembrar das coisas. Por isso, diz-me: queres que
a Simi seja a tua família?
Ele sorriu contra a sua vontade.
— Sim, Simi, gostava de ser a tua família.20 
Ela resplandeceu.
— Ainda bem. És um Predador da Noite muito esperto.
Antes que Gallagher disso se apercebesse, Simi guiara-o de volta ao
Santuário. Abriu a porta e afastou-se, esperando que ele entrasse. O ruído
anterior não era nada, comparado com o que se ouvia agora. Havia quatro
falcões alinhados sobre um varão de cortinado, a dançar ao som de animadas músicas de Natal. Os Uivadores (todos em forma humana), cantavam
enquanto Dev Peltier tocava piano. Um tigre branco estava deitado de costas, no sofá, enquanto Marvin, o macaco saltava, para cima e para baixo, na
sua barriga. Um grande urso preto, que assumiu ser Aimee Peltier, estava
a dar sandes de manteiga de amendoim a duas crias bebés. Uma humana
ruiva, com uma cicatriz na cara, aproximou-se deles e prendeu Simi num
abraço.
— Olá, demoniozinho, onde está o patrão?
Simi encolheu os ombros.
— Foi cuidar da Senhora Dona Rainha Chata. Tu como estás, Tabitha?
A tua irmã e o Kyrian não vêm?
— Não, virão amanhã. A Amanda teve uma crise de enjoos matinais
quando estavam para sair mas o Talon disse que viria, assim que pudesse.
As duas afastaram-se para o meio da multidão. Gallagher recuou, observando a festa.
Estavam ali Arcadianos, Katagaria, Predadores da Noite, demónios e
sabe-se lá mais o quê. A razão dizia que eles não deviam dar-se bem, contudo estavam juntos naquela noite. Ligados por algo mais do que o sangue.
Estavam ligados pelo coração.
Colt aproximou-se dele. Um Sentinela Arcadiano, tecnicamente, o seu
trabalho era caçar e matar Katagaria. Mas, anos antes, os Peltier tinham
salvo e protegido a mãe de Colt e, depois da morte desta, tinham-no criado.
Ele era tão leal ao clã dos ursos como qualquer um dos seus i lhos naturais.
Sorrindo, retirou uma pega em forma de ananás do bolso das calças.
— Gallagher, deves estar muito bem cotado. Tiveste direito a um dos
peixes bons. Eu só mereci uma porcaria de um ananás.
— O quê? Todas as pessoas que ela conhece recebem uma?
— Não. Só a família.
Gallagher olhou à sua volta e viu algo em que não tinha reparado antes.
Todos os que ali estavam tinham uma pega.

Fim

terça-feira, julho 03, 2012

NOVIDADE "O Diabo Também Chora" de Sherrilyn Kenyon

Sinopse
A nova rainha do romance paranormal

Sin, um antigo deus Sumério, era um dos mais poderosos do seu panteão… até à noite em que Ártemis lhe roubou a divindade e o deixou a um passo da morte. Durante milénios, o ex-deus convertido em Predador da Noite procurou recuperar os seus poderes e vingar-se de Ártemis. Mas agora tem peixes mais graúdos — ou demónios mais graúdos — com que se preocupar. Os letais gallu, que tinham sido enterrados pelo seu panteão, começam a despertar e estão famintos de carne humana. O seu objetivo: destruir a humanidade. Sin é o único que os pode deter… se uma certa mulher não o matar primeiro. E para quem apenas conheceu a traição, agora Sin terá de confiar numa pessoa que não hesitará em o entregar aos demónios. Ártemis pode ter roubado a sua divindade, mas outra mulher roubou-lhe o coração. A única pergunta é: irá ela mantê-lo… ou dá-lo a comer aos que o querem morto?

Lançamento a 13 de Julho

Fonte

quarta-feira, maio 16, 2012

Teme a Escuridão um conto de Sherrilyn Kenyon [Revista Bang nº12- Saida de Emergencia]

ATENÇÃO!!!
Este é um conto de Sherrilyn Kenyon, editado na Revista Bang º12 da Saída de Emergência.
Se ainda não leste os livros todos, e não queres saltar historias NÃO leias este conto.

NOVA ORLEÃES, 2007
Nick Gautier estava em casa.E estava lixado. Enquanto o seu táxi fazia o percurso desde o aeroporto até à sua casa na Bourbon Street, a meio da manhã, pudera ver as cicatrizes que ainda restavam do Furacão Katrina, e o seu sangue fervera literalmente.
Como podia aquilo ter acontecido? Fechou os olhos e tentou apagar da mente as imagens das janelas entaipadas e dos sinais de trânsito derrubados. As caravanas brancas da Agência Federal de Gestão de Emergências. Mas essas imagens eram substituídas pelas das notícias que vira, com as vítimas penduradas nos telhados, os incêndios, as turbas pelas ruas…
Nick não conseguia respirar. Nova Orleães era o seu lar. A sua pedra de toque. Aquela cidade dera-o à luz. Ela era o seu sangue vital. E, num piscar de olhos, fora devastada. Mutilada. Nunca, na sua vida, vira uma coisa como aquela.
Tendo crescido ali, conhecera, ao longo dos anos, numerosos furacões. Como não tinham dinheiro para evacuar durante as piores tempestades, ele e a mãe metiam-se no velho Yugo vermelho e iam para Hattiesburg, no Mississípi, onde acampavam no parque de estacionamento de um supermercado, a comer sanduíches de pasta de presunto com pão velho e pacotes de mostarda até ser seguro regressar. A mãe sempre conseguira, de alguma forma, tornar aqueles dias divertidos, como uma aventura, mesmo quando tinham de se agachar no carro durante os avisos de tornado.
Depois voltavam para casa e o que viam era parecido com o que ele vira agora, mas, em poucas semanas, tudo regressava ao normal.
Agora, quase dois anos depois do furacão, ainda havia lojas fechadas — lojas que ali estavam há anos, há séculos, em alguns casos. Havia zonas inteiras da cidade onde parecia que o furacão acabara de passar.
Quase todos os seus amigos tinham morrido ou sido deslocados. Pessoas que conhecia há décadas.
Num piscar de olhos, tudo mudara.
 Nick soltou uma gargalhada amarga perante este pensamento. Ele próprio mudara mais do que qualquer outra coisa. Já não era humano, e nem sequer tinha a certeza daquilo em que se tornara.
A única coisa que o fazia continuar em frente era a furiosa necessidade de se vingar daqueles que culpava pela sua catástrofe.
Ergueu uma mão para coçar o pescoço, depois estacou quando sentiu a marca da dentada. Com uma troca de sangue, Stryker tornara Nick seu agente. Se obedecesse ao líder Daemon, Stryker dar-lhe-ia meios para destruir o homem que arruinara a vida de Nick… e a da sua cidade.
Acheron Parthenopaus. Já tinham sido grandes amigos. Irmãos até ao fim. Depois Nick cometera o erro de dormir com uma mulher que ele ignorava ser a fi lha de Ash. Ash voltarase contra ele por essa razão.
Com isso conseguira lidar. O que os tornara inimigos fora a noite em que a
mãe de Nick morrera e Ash o permitira. Ao contrário dos outros seres imortais que faziam de Nova Orleães a ssua casa, Nick conhecia os segredos que Ash bem guardava. Ele não era apenas o líder dos Predadores da Noite, um guerreiro imortal que servia a deusa Artemisa e protegia a humanidade dos Daemones vampíricos que comiam as suas almas.
Ash era um deus. Tinha o poder para fazer tudo o que quisesse. Podia ter salvado a mãe de Nick ou, pelo menos, tê-la devolvido à vida, da mesma maneira como salvara Kyrian Hunter e a mulher, Amanda. Mas Ash não fi zera nada disso. Virara as costas a Nick e deixara Cherise Gautier morta.
E também não protegera a cidade da tempestade. Até à noite em que Nick dormira com Simi, Ash amara aquela cidade mais do que qualquer outra coisa. Nunca teria permitido que Nova Orleães sofresse assim. Mas isso fora antes de se tornarem inimigos. Agora Ash odiava-o tanto que lhe tirara tudo.
Tudo.
— Bonita casa.
A voz do taxista interrompeu os pensamentos de Nick. Olhou a mansão da Bourbon Street que era o seu lar desde que começara a trabalhara para Kyrian.
— Sim — disse ele, em surdina. — Pois é.
Ou, pelo menos, fora, quando ele a partilhara com a sua mãe.
Nick saiu e pagou ao taxista, depois retirou a mala do assento. Fechando a porta com força, olhou para a casa e apertou a maçaneta com tanta força que os seus dedos doeram em protesto.Comprara aquela casa como presente de aniversário para a mãe, quando tinha vinte anos. Ainda a conseguia ouvir soltar gritinhos de alegria quando ele lhe entregara a chave. Ainda a conseguia ver parada na sua frente, a olhá-lo, incrédula.
— Parabéns, mamã.
— Oh, Nick, o que foi que fizeste? Não mataste pr’aí ninguém, pois não?
A pergunta dela consternara-o.
— Mãe!
Ainda assim, ela mostrara-se implacável, enquanto fi xava no fi lho os seus olhos azuis e punha as mãos na cintura.
— E também não andas a passar droga, pois não? Olha que se andas, meu menino, eu amo-te muito, mas deixo-te negro de pancada.
Ele troçara dos seus avisos.
— Mãe, tu conheces-me. Eu nunca faria nada que te deixasse envergonhada na frente dos teus amigos da igreja.
— Então como é que arranjaste este dinheiro todo? Como conseguiste comprar uma casa tão chique com a tua idade? Ainda és um bebé, e eu não tenho dinheiro para pagar dois tijolos desta casa.
— Já te disse, sou assistente de um corretor do Garden District. Ele pôs a casa no meu nome mas, tecnicamente, continua a ser dele. Estou só a alugá-la. — Fora uma mentira parcial. Parte do seu papel como escudeiro de Kyrian, nos tempos em que Kyrian era um Predador da Noite implicava que todas as propriedades dele estivessem no seu nome… pelo menos no papel. Aquela casa, porém, era mesmo de Nick. O seu salário ter-lhe-ia permitido facilmente comprar três casas como aquela, mas a mãe nunca teria acreditado que ele pudesse ganhar tanto dinheiro sem infringir a lei.
— Corretor, hmmm. Isso a mim parece-me um desses eufemismos para um traficante de droga.
— Oh, mãe, anda lá dentro ver a biblioteca. Já trouxe para cá a tua poltrona, para
poderes ler aqueles romances que tanto adoras.
— Querido, tu estragas-me com mimos. Sabes que não preciso de uma coisa tão grande e tão chique.
Sim, mas, quando era miúdo, ouvira-a chorar muitas vezes a altas horas da noite por não poder dar-lhe melhor do que o seu dilapidado quarto alugado — por o único trabalho que conseguia arranjar ser como stripper. «O meu menino merece muito melhor do que isto.» Entretanto, os pais dela viviam numa bela casa em Kenner e possuíam dinheiro para dar e vender. Mas tinham-na deserdado ao descobrir que Cherise estava grávida dele. A mãe sacrificara tudo para manter o seu fi lho — a sua dignidade e o seu futuro. E, embora chorasse à noite por não lhe poder dar as coisas que julgava que um menino devia ter, era, durante o dia, a melhor mãe que alguém poderia desejar.
Desde o dia em que Nick nascera, tinham sido os dois contra o mundo.
— Sempre cuidaste de mim, mamã. Agora é a minha vez de cuidar de ti. Tenho uma casa grande porque quero dar-te um dia netos suficientes para a encher.
Nick estremeceu quando lhe pareceu ouvir o riso que ela soltara ao vento antes de correr para a casa para a inspecionar. Enquanto continuava ali parado, a chuva começou a cair em cima dele, encharcando-o até aos ossos.
Encontrara a mãe morta naquela poltrona na biblioteca…
Uma dor, um sofrimento inexorável, rasgava-o com as suas presas feitas de
aço. Dilacerava cada parte do seu ser.
Como podia ela ter morrido, e de uma forma tão horrível? Com a garganta cortada e o corpo exaurido de sangue. Ela era tudo para ele.
— Eu posso dar-te a vingança.
Fora a promessa que Stryker lhe fizera. O líder Daemon dissera-lhe que se Nick
lhe desse informações contra Acheron, e os outros Predadores da Noite, e os escudeiros que os serviam, então Stryker oferecer-lhe-ia o poder de que necessitava para matar Ash.
Era tudo o que Nick desejava.
Depois ouviu a voz de Ash na sua cabeça.
— Sabes, Nick, invejo-te a tua mãe. É uma senhora e tanto. Não há nada que não
faria por ela.
— Porque a deixaste morrer, Ash? — rosnou em surdina. — Maldito! — Mas,
no seu coração, sabia quem deveria realmente culpar por tudo aquilo, e isso doeu-lhe ainda mais. Se tivesse sido um filho melhor. Um melhor amigo. Nada daquilo teria acontecido.
Fora ele que se introduzira naquele mundo do qual o perigo era uma parte
intrínseca. Se tivesse contado a verdade à sua mãe, ela não teria ido para casa, naquela noite, com um Daemon. Teria fi cado em segurança. A mãe morrera por sua causa e essa era uma verdade que o magoava até ao mais profundo do seu ser.
Não aguentando mais aqueles pensamentos, obrigou-se a continuar até ao teclado numérico ao lado do portão e introduziu o código. Quase esperava que não funcionasse, mas funcionou.
Parou junto às petúnias que a mãe tinha plantado num grande vaso ao lado da porta das traseiras e desviou-o para poder retirar a chave suplente.
Estava tudo tal como o deixara quando era humano… Só que agora era tudo diferente. Com um aperto no estômago, abriu a porta e entrou em casa.
O amigo Kyl dissera-lhe que o local sofrera alguns estragos durante o Katrina, mas que a casa fora restaurada. Nick tinha de o conceder, parecia tudo impecável. Nada, para além da ausência da sua mãe, estava fora do sítio.
— Oh, Nicky, olha! Tem um desses trituradores de lixo! Nunca imaginei que alguma vez ia ter uma coisa dessas, e olha-me só os azulejos na parede. Aquilo é mármore italiano? Ele olhou de relance para a direita, onde estava a ilha com bancada de mármore italiano.
— Para ti, só o melhor, mamã.
— Estragas-me com mimos, querido. És a única coisa boa que fiz em toda a minha vida. Não sei porque Deus foi tão bom para mim e te enviou do céu, mas ainda bem que o fez.
Mas Nick Gautier não fora enviado pelo céu. Como o inútil sacana que o concebera e depois fugira, ele era um filho do inferno.
Pousou a mala ao lado da porta e atirou a chave para cima da bancada. Na última vez que ali estivera, chamara pela sua mãe. Gritara o seu nome enquanto corria pela casa, a tentar localizá-la.
Encontrara-a no andar de cima.
Contra a sua vontade, os seus pés levaram-no ao sítio exacto. Ficou parado naombreira da porta, a olhar a poltrona favorita da mãe. Na sua mente, conseguia ver ainda o seu corpo sem vida. Mas, na realidade, não havia quaisquer vestígios da morte dela…
Nem da sua. Naquele preciso local onde se encontrava agora, apelara à deusa grega Artémis para que o tornasse um Predador da Noite. Quando ela recusara e lhe dissera que ele tinha de morrer primeiro, Nick fizera explodir os miolos mesmo na sua frente.
Como medo da reacção de Acheron perante a sua morte, Artémis tornara-o imortal e marcara-o com o símbolo do arco e fl echa no rosto, mas ele não pertencia ao seu exército de protecção da humanidade. Tinha poderes maiores do que os outros. Podia andar à luz do dia.
E agora partilhava poderes com Stryker…
Nick franziu o sobrolho ao ver uma garrafa de Coca-Cola meio bebida em cima da mesinha de apoio. A mãe nunca tocava em Cola normal, apenas Diet, e ele nunca teria ousado deixar uma bebida no seu santuário secreto.
Estivera ali outra pessoa e, uma vez que havia um jornal desse dia aberto, ele diria que alguém se mudara para aquela casa.
A sua casa.
Sentiu-se invadido pela fúria.
Quem se teria atrevido?
Sedento de sangue, investiu pelas várias divisões, mas encontrou cada uma delas vazia e sem sinais de invasão.
— Tudo bem — rosnou. — Trato de ti mais tarde.
Primeiro queria visitar a mãe. Estremeceu perante essa ideia. Não estivera no cemitério desde que morrera o inútil do seu pai. Embora passasse pelo cemitério de St. Louis quase todos os dias, nunca fora um sítio onde passasse muito tempo. Fazia-o lembrar o pai e o gangue com que em tempos convivera. Um gangue que costumava assaltar turistas que ousavam entrar sozinhos no cemitério.
Mas agora iria visitar a sua mãe. Não estivera presente no funeral. O mínimo
que podia fazer naquele momento era dizer-lhe que continuava a sentir a sua falta.
De coração pesado, caminhou os poucos quarteirões que separavam a sua casa de Basin Street e chegou à entrada de pedra do cemitério de St. Louis. A chuva já tinha desaparecido, como era frequente em Nova Orleães. Agora a atmosfera estava quente e pegajosa.
Uma vez que era manhã, os portões de ferro forjado estavam abertos. Como Daemon e Predador da Noite, Nick não deveria ter sido autorizado a caminhar sob a luz do dia, mas um poder superior poupara-o a essa maldição. Como Ash, podia andar à luz do dia e, ao contrário de outros Predadores da Noite, podia entrar num cemitério sem ser possuído pelas almas perdidas ali encurraladas.
Sem se deter, dirigiu-se para o mausoléu da família Gautier. Enquanto passava pelas sepulturas elevadas que faziam com que os cemitérios de Nova Orleães fossem conhecidos como cidades dos mortos, reparou em quantas delas ainda evidenciavam sinais do furacão. Nem o túmulo de Marie Laveau parecia tão pitoresco como fora antigamente. A muitas das sepulturas faltavam nomes, e pedras.
Crescia dentro de si o receio do que o aguardaria no local de repouso da sua mãe. Mas, ao dobrar a curva para a sepultura de Cherise, estacou.
Menyara Chartier, uma pequena afro-americana de aparência frágil, estava sentada na frente do túmulo a conversar em surdina com a sua mãe, enquanto ordenava um ramo de lírios brancos. A Sumo-Sacerdotisa vudu parou a meio de uma frase e voltou a cabeça como se soubesse quem ali estava.
— Ni… — franziu a testa, impedindo-se de dizer o resto do nome.
— Tia Mennie — disse ele, e a sua voz estrangulou-se à medida que encurtava a distância entre ambos. Menyara era a inquilina que morava no quarto ao lado daquele onde crescera, e a mulher que assistira ao seu parto, uma vez que a mãe não tinha dinheiro para pagar um hospital. Ela fora o mais próximo de uma família que Nick e Cherise alguma vez tinham conhecido. — Ainda aqui está.
Ela ergueu-se lentamente. Com menos de um metro e meio, não seria intimidante para ninguém com mais de cinco anos, e, no entanto, havia nela algo tão poderoso que nunca deixava de o subjugar. Sem pensar, ergueu-a nos braços e abraçou-a com força.
— Eu sabia que voltarias — disse ela em voz baixa, antes de o beijar na face marcada.— A tua mãe pediu-me que olhasse por ti.
Para qualquer outra pessoa, este comentário poderia ter parecido estranho. Mas Menyara era uma dotada clarividente. Sabia coisas que mais ninguém sabia.
— Eu não matei a minha mãe — disse ele, depois de a voltar a depositar no chão. Esse fora o horrível boato que circulara.
Ela deu-lhe uma palmadinha no braço.
— Eu sei, Ambrosius. Eu sei. — Voltou-se e indicou a sepultura. — Todos os dias vim aqui no teu lugar, para a Cherise perceber que não está sozinha.
Ele baixou o olhar para os molhos de flores arranjados em torno do túmulo e viu um pequeno grupo de rosas negras que desabrochavam num minúsculo talhão de terra.
— Trazes-lhe flores?
— Não. Só arranjo as que o homem de cabelos negros lhe manda.
Nick franziu o sobrolho.
— Homem de cabelos negros?
— O teu amigo. Acheron. Sempre que está na cidade, também a vem visitar. E, todos os dias, sem falta, manda flores para a tua mãe.
Sentiu o sangue gelar nas veias.
— Ele não é meu amigo, Menyara.
— Tu podes não ser seu amigo, Ambrosius, mas ele é teu amigo.
Sim, pois. Os amigos não lixavam os outros da maneira como Nick fora lixado por Ash.
— Não o conheces. Não sabes aquilo de que é capaz.
Ela abanou a cabeça.
— Ah, sei, sim. Até melhor do que tu, acho eu. Sei exactamente quem ele é e o que é. Sei exactamente o que pode fazer. E, mais importante, sei o que não pode fazer. Ou o que não se atreve. — Levou-lhe a mão à marca e as suas feições suavizaram-se, mas não disse nada sobre a sua presença. — Tenho-te observado, durante toda a tua vida. A tua mamã sempre disse que reages sem pensar. Sentes com demasiada profundidade. Sofres com demasiada força. Mas um dia, Ambrosius, verás que tu e o teu amigo não são assim tão diferentes. Que há muito de ti dentro dele.
— Não sabes do que estás a falar. Eu não abandono os meus amigos, e nunca os magoo.
Ela indicou as  flores com um aceno de mão.
— Ele não te abandonou. Estava aqui quando o diabo soltou a sua fúria sobre nós. Acheron salvou-me a vida, e as vidas de muitos outros. Trouxe-nos comida quando não tínhamos nada para comer e impediu que a tua casa se incendiasse. Não o julgues por uma única má acção, quando ele fez tantas outras boas.
Nick não queria perdoar Ash. Não depois de tudo o que acontecera. Mas, apesar da sua fúria, sentiu o coração abrandar ao saber que Ash estivera ali — que não abandonara a cidade.
— Porque me estás a chamar Ambrosius?
— Porque é isso que tu és agora. Imortal. — Tocou-lhe a marca da mordedura no pescoço. — O meu Nick foi-se. Enterrado por emoções tão grandes que troçam da profundidade do oceano. Sabes dizer-me se o meu menino alguma vez regressará para casa?
Nick queria amaldiçoá-la. Queria gritar, mas no  fim sentiu-se como uma criança perdida que só anseia pelo toque da sua mãe. Um profundo soluço soltou-se do seu peito e, antes que se pudesse impedir, fez o que não fizera desde a noite em que encontrara a mãe morta.
Chorou. Só queria que aquela dor impiedosa dentro de si terminasse. Queria poder voltar atrás, ao tempo em que a mãe estava viva e Ash era seu amigo.
Mas como? Tinha mudado tanta coisa…
Menyara puxou-o contra si e abraçou-o com força. Não disse nada. Mas o seu toque acalmou-o mais do que quaisquer palavras.Ela pressionou os lábios contra o alto da sua cabeça e deu-lhe um beijo suave.
— Foste um bom rapaz, Ambrosius. Cherise ainda acredita em ti, e eu também. Ela quer que esqueças a tua raiva. Que sejas feliz outra vez.
Ele recuou com uma praga ao ouvir as palavras que o recordaram de uma coisa que a sua mãe diria.
— Como posso esquecer tudo enquanto a minha mãe está morta?
— Como podes não esquecer? — insistiu ela. — Era a hora da tua mãe, a sua hora de deixar este mundo. Ela agora está mais feliz, porque pode olhar por ti e…
— Não me digas isso — disse ele, por entre os dentes cerrados. — Odeio quando as pessoas me dizem essa merda. Ela não está mais feliz. Como podia estar?
Menyara abanou a cabeça.
— Então sai daqui e não manches a sua paz com o teu ódio. O ódio não pertence a este lugar. A tua mãe merece melhor do que isso da tua parte.
Ele abriu a boca para falar.
— Não quero ouvir, e a tua pobre mãe também não, Deus tenha a sua alma em descanso. Agora vai-te, sai daqui. Não voltes enquanto não puseres a cabeça em ordem e não conseguires pensar noutra pessoa para além de ti. Estás a ouvir-me?
Nick franziu os olhos. Podia discutir com ela, mas sabia que não valia a pena. Não havia como falar com Menyara, quando estava com aquele humor.
Enojado com tudo aquilo, voltou-se e saiu sem qualquer destino em mente. Limitou-se a caminhar, seguindo a direcção do Conti. As ruas eram sinistramente familiares e ao mesmo tempo tão vazias. Naquela altura do ano, devia haver montanhas de turistas por todo o lado. Comerciantes a lavar os vidros das montras e os passeios à mangueirada.
Em vez disso, havia cones de sinalização cor de laranja e coisas em construção em todo o lado. O som dos martelos pneumáticos substituíra o do jazz matinal e das buzinas a apitar. A dor infiltrava-se em cada partícula do seu corpo…
Até atravessar a estrada para o Acme Oyster House, em Iberville. Quantas vezes ali comera? Quantas gargalhadas e cervejas ali tinha partilhado com a mãe e os amigos?
Parecia na mesma, apenas mais fresco, da reconstrução. Parou junto à montra, a ver os empregados recolherem os pedidos e as pessoas a conversar, até o seu olhar se deter na mesa ao fundo.
O seu coração parou de bater. Era Kyrian Hunter e a mulher, com a  filha Marissa e um bebé que Nick nunca tinha visto antes. Estavam a rir e a conversar com outras pessoas a quem Nick chamara amigos, Vane e Bride, Juliane Grace. Mas o que o desorientou absolutamente foi o facto de estarem numa mesa com Valério e Tabitha. Uma vez que Tabitha era irmã gémea de Amanda, isso não era de estranhar.
O que o deixava atordoado era Valério.
Inimigo mortal de Julian e Kyrian, a família de Valério ludibriara e matara Kyrian — e depois destruíra o povo e a nação que ambos tinham lutado e morrido para proteger. Durante séculos, tinham alimentado um ódio amargo um pelo outro.
E agora Kyrian estava a depositar o seu bebé no colo de um homem a quem em tempos jurara decapitar…
Como acontecera aquilo?
— Nick?
Sobressaltou-se ao ouvir o baixo murmúrio atrás de si. Era a meia-irmã de Stryker, Satara. Alta e deslumbrante, era o epítome da beleza e graça femininas.
Deu um passo atrás para os outros não o poderem ver ali na rua.
— O que estás aqui a fazer?
— Tive uma estranha sensação que emanava de ti e quis ver o que a provocara.
Nick detestava que o facto de partilhar sangue com ela lhe permitisse sentir estas emoções. Era irritante haver alguém que o conseguia ler.
— Nada. Vai para casa, Satara.
Ela inclinou a cabeça para o lado, como se olhasse para Kyrian
e os outros lá dentro.
— É interessante, não é? Porque é que Acheron os trouxe de volta à vida quando morreram mas se recusou a fazer o mesmo pela tua querida mãe? Porque será que os escolheu em detrimento dela?
— Não preciso que venhas pôr o dedo nessa ferida.
— É verdade. De certeza que está ainda em carne viva.
Nem ela fazia ideia como.
— Mas — continuou ela, aproximando-se o suficiente para lhe sussurrar ao ouvido — porque hão de eles estar aqui, a viver felizes, enquanto a tua mãe está morta?
— Não comeces, Satara. Aquele homem e a família são a única coisa que me resta.
Ela ergueu a cabeça.
— São? E o que achas que dirão quando descobrirem que és um Daemon Predador da Noite? Que, por teu intermédio, o Stryker consegue ver e ouvir tudo o que fazem?
Nick começou a afastar-se, mas ela agarrou-o para o deter. As suas longas unhas enterraram-se-lhe no braço.
— A velha cabra vudu contou-te que Acheron esteve aqui a ajudar, em Nova Orleães, depois do furacão, mas contou-te quem é a mãe dele?
Nick ficou estupefacto ao ouvir as suas palavras.
— Ash tem mãe? Viva?
Ela sorriu.
— Oooh, mais um segredo que ele te ocultou, não foi? Grandes amigos que eram. Dá que pensar, não dá, que outras coisas não saberás a seu respeito?
Sim, dava mesmo. Soltou-se da mão que o prendia.
— Quem é a mãe dele?
— A deusa atlante, Apollymi. Mas é mais conhecida no mundo imortal como a Grande Destruidora.
— Destruidora?
— Sim. Ao longo dos séculos, sem precisar de qualquer outra razão para além de não gostar do seu cabelo num determinado dia, tem soltado terríveis tempestades contra civilizações, e estava altamente aborrecida naquela noite em que Desiderius andou a causar
estragos aqui em Nova Orleães.
Nick ficou sem respirar ao recordar essa noite. Desiderius fora agente de Stryker, e fora ele que matara a sua mãe.
Satara aproximou-se para lhe sussurrar outra vez ao ouvido:
— E ela também é mãe do meu irmão Stryker. Sabes de quem estou a falar. O líder dos Spathi Daemones. Quem achas que segura a coleira do meu irmão? Quem achas que controla o exército do Stryker?
Nick sentiu a raiva crescer dentro de si perante todas as verdades que Ash ocultara, dele e dos outros.
— A mãe de Ash é a líder dos Daemones?
— É, sim. Agora sabes porque Ash tem tantos segredos. Que diriam todos vocês se soubessem que é a sua querida mãe que controla os vossos inimigos? Foi por isso que ele não falou a ninguém dos  Spathi Daemones como Desiderius. E é por isso que fica sempre de fora em tais conflitos. Ele não é o mau da fita. A mãe é que é. Habitua-te à ideia. Ash tem mentido a todos desde o princí-pio. Artémis não o controla. Ele é que a controla. Ela vive no mais absoluto medo dele.
Nick lembrou-se da noite em que se suicidara na frente de Artémis. Satara tinha razão. A deusa ficara com pavor de Acheron e da sua reacção à morte de Nick. Fora apenas isso que a fizera reanimá-lo. Mesmo sendo contra as regras.Ainda assim, não conseguia tirar as palavras de Menyara da cabeça.
— Menyara nunca se enganou a respeito de nada.
— Menyara nunca tinha conhecido um deus que consegue alterar os pensamentos e percepções dos outros. Pensa nisso, Nick. Quantas vezes os P r e d a d o r e s do Homem i n t e r f e r i r a m com os pensamentos de uma pessoa para a fazerem esquecer que viram qualquer coisa sobrenatural?
Mais vezes do que ele podia contar.
— Mas Ash sempre se refreou de o fazer.
— Isso é o que ele te diz. E, no entanto, quantas vezes as pessoas dizem uma coisa e depois fazem outra?
Mais uma vez, ela tinha razão.
Satara encostou-se a ele e esfregou-lhe os bíceps.
— Tu és abençoado com a verdade. Nada é o que parece, no mundo dos Predadores da Noite. Acheron tem enganado toda a gente… excepto a ti. A questão agora é: vais deixar que continue a magoar as pessoas a mando dasua mãe ou vais impedi-lo? Quantas pessoas mais terão de morrer porque Acheron é um sádico cruel? Acheron ou nós, Nick. Em que lado queres ficar?
No seu próprio. Os outros que fossem para o inferno. Mas não queria que ela
soubesse isto. Pelo menos naquele momento.
Satara brincava-lhe agora com o cabelo.
— O Stryker deu-te um meio de te vingares. A única questão agora é saber se és homem suficiente para o aproveitares.
Ele franziu o lábio num trejeito de desdém.
— Eu não sou homem, Satara. Sou um imortal com poderes divinos.
Ela inclinou a cabeça para ele.
— E, desde que não te esqueças disso, Acheron é teu.
Nick olhou de relance para o restaurante e a verdade feriu-o duramente. Teria sacrificado Kyrian e a sua família para ter a mãe de volta. Amizade era uma coisa. Família era outra. Embora Kyrian tivesse sido como um irmão, não era do seu sangue. Nick fora capaz de vender a alma por vingança, e assim continuava.
— Sê verdadeiro para connosco, Nick, e nós podemos dar-te o que mais desejas.
Nick soltou um riso escarninho.
— Tu não sabes o que eu quero.
— Sei, sim. Queres vingança e queres a tua mãe de volta.
— Eu consigo vingar-me.
— Verdade, e nós podemos devolver-te a tua mãe.
De que raio estava ela a falar agora? A cabra era maluca.
— Não sejas estúpida. A minha mãe morreu. Não há como voltar atrás.
— Não? Tu estás aqui, e no entanto já estiveste morto. — Ela estalou os dedos. No instante seguinte, apareceu um homem alto de cabelos negros ao seu lado. Com um metro e noventa e dois de altura, Nick não estava habituado a ter de erguer o pescoço para olhar para muitos homens, mas com aquele teve de o fazer. E, pelo azul luminoso dos seus olhos, Nick soube exactamente o que era aquele homem.
Um Predador de Sonhos.
Deuses do sono, eram enviados do Olimpo para ajudar e proteger os sonhadores. E, por intermédio de um pacto com Acheron, muitos deles eram enviados para ajudar Predadores da Noite. Para os ajudar a recuperar, especialmente enquanto dormiam, de forma a poderem continuar a proteger a humanidade do mal que a perseguia.
Aquele não era o primeiro Predador de Sonhos que o abordara. Já mandara embora M’Adoc, quando o deus se oferecera para o ajudar a esquecer a dor pela morte da mãe. Nick não queria esquecer a mãe nem aquilo que acontecera.
Acenou com o queixo na direcção do recém-chegado.
— Não preciso da ajuda dele.
— Claro que não, Nicky. Mas Kratos consegue fazer a única coisa que nem Acheron consegue.
— O quê?
— Trazer uma alma do seu sono eterno e devolvê-la à terra dos vivos.
Nick não era tão estúpido que fosse comprar o que ela estava a querer vender.
— A que preço?
— Um acto de lealdade por nós. Tu levas a filha de Kyrian, Marissa, para Kalosis, e nós devolvemos a tua mãe a este mundo.
Ele continuava céptico.
— Não podes fazer isso.
Satara fez um sorriso presunçoso.
— Kratos. Uma demonstração, por favor.
Antes que Nick se pudesse mover, o Predador de Sonhos tocou-lhe. O seu toque queimou-lhe a pele, fazendo-a arder e formigar à medida que ele era assaltado por imagens. Viu a mãe num jardim, rodeada de rosas. O cabelo louro pela altura do ombro cintilava à luz, enquanto ela se ria de um grupo de crianças que brincavam à sua volta.
Uma lágrima correu-lhe pelo rosto ao ver novamente o seu rosto bondoso.
— Mãe — murmurou.
Ela ergueu a cabeça, como se o tivesse ouvido.
— Meu Nicky — sussurrou. — Tenho saudades tuas.
— Posso levar-te para o Submundo — disse o Predador de Sonhos. — Mas não
vai ser fácil. — Depois largou Nick e a imagem da sua mãe desvaneceu-se instantaneamente.
Nick teve de se esforçar para conseguir respirar.
— Como é que eu sei que posso confiar em ti?
— Eu não tenho emoções. Só faço o que me mandam. A traição é para aqueles que têm alguma coisa a ganhar.
Era verdade. Os Predadores de Sonhos tinham sido amaldiçoados por Zeus para não sentirem nada.
Satara sorriu-lhe.
— É demasiado cedo, Nick. Eu sei. Vai para casa e descansa. Quando estiveres pronto para ter a tua mãe de volta, traz-nos Marissa.
Nick anuiu antes de lhe virar as costas e fazer o que ela dissera.
Satara franziu os olhos enquanto Nick desaparecia de vista. Ele estava a mostrar-se bastante teimoso, mas ainda podiam controlá-lo. Ele precisava que o sangue deles continuasse a viver e, enquanto o tivessem atado, não havia nada que pudesse fazer para se escapar.
Pelo menos, nada que não envolvesse suplicar a Acheron por ajuda e essa era a última coisa que Nick faria.
— Queres mesmo que traga a mãe dele de volta do Submundo? — perguntou Kratos. — Isso vai exigir uma tremenda dose de cooperação da parte de Hades.
Ela fez um riso de troça.
— Claro que não. Ganhamos a Marissa e ele e a mãe que fiquem a assar no inferno. Mas tu és uma outra história. Quero-te nos seus sonhos, todas as noites, a trabalhá-lo. Ele tem fúria sufi ciente para te alimentar, meu Skotos. Joga com essa fúria. Fá-la crescer até o deixares disposto a fazer qualquer coisa para libertar a sua mãe e matar Acheron.
Ela viu a hesitação nos olhos de Kratos.
Enrolou o lábio num trejeito de desdém.
— Oh, não me digas que também te vais tornar um mariquinhas. Estou farta de homens fracos à minha volta.
Ele agarrou-a e encostou-a à parede.
— Não sou mariquinhas, Satara. Será melhor para ti que não te esqueças disso.
Ela abanou a cabeça.
— Para um deus sem emoções, pareces-me bastante irritável.
Ele soltou-a.
— Estou a ficar farto de ti e do teu ódio. Até neste reino, é pungente.
— Deixa o meu ódio em paz. Não o quero diminuído. Lembra-te, Predador de Sonhos, eu também sou uma deusa. Brinca comigo e eu trago a fúria de Zeus sobre ti.
— Não passas de uma semideusa, e de uma serva, ainda por cima.
— Mas o querido vovô Zeus vai ter uma audiência comigo e depois arrancar te a cabeça. Estás disposto a correr esse risco?
Ele deu um passo atrás e lançou-lhe um olhar que a fez perceber que devia
ter cuidado enquanto dormisse, de futuro.
— Limita-te a fazer a tua parte, Kratos, e eu faço a minha. Os Oneroi não controlam os sonhos dos Daimones. Ajudame a manter Nick contra Acheron e eu dou-te um campo de acção nunca sonhado pela tua irmandade.
Kratos engoliu a promessa. Três semanas antes, ele era um dos Oneroi. Um servidor dos deuses que protegia humanos e imortais enquanto dormiam. Depois Satara convocara-o nos seus sonhos e transformara-o em Skoti. Seduzira-o com o seu corpo e  fi zera-o ansiar por emoções como por uma droga. Agora ele não suportava o vazio da sua existência. Só queria sentir, e estava disposto a fazer qualquer coisa para manter aquelas emoções recém-descobertas.
Ela tinha razão. Os seus pares não caçavam Daemones, e se eles tivessem apenas metade do poder sedutor de Satara, então ele teria um banquete ao alcance dos dedos.
E a única coisa que tinha de fazer era alimentar o Predador da Noite com fúria e sofrimento. Simples.
— Combinado, Satara. Dá-me o que preciso e eu dou-te o que tu queres.
Ela sorriu. O que ela queria era simples. A lealdade de Nick Gautier e a bebé Marissa. Com essas duas coisas, poderia derrubar tanto o panteão grego como o atlante.
Depois seria uma deusa, e faria Apollymi parecer uma fraca.
E Nick, Acheron e Kratos seriam seus eternos escravos


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