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sexta-feira, novembro 16, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião #5

     Conhecem a expressão «calma, que antevê a tempestade»? Eu estava nesse estado quando a pausa da manhã chegou. A dor de cabeça tinha passado. O ritmo cardíaco tinha estabilizado. A minha irritabilidade tinha sido reduzida para níveis aceitáveis… e o café estava uma delícia. Até o pequeno pastel de nata que sobrara do evento estava divinal.
Quando regressei ao meu posto, podia ter ido directa ao balcão da recepção. Mas sou uma criatura curiosa por defeito. Ou talvez por feitio. E não resisti em espreitar as revistas da alta sociedade que estavam amontoadas nas mesinhas da sala mais oeste do hotel. Os raios de sol entravam pelas janelas altas e contínuas que proporcionavam um ar mágico àquele lugar. Fosse verão, fosse inverno, era uma delícia, ver o dia lá fora através daquelas janelas.
      Aproximei-me da primeira mesa e pesquisei as revistas, vendo aquelas que mais destaque davam ao evento. Seleccionei duas delas, voltei a espreitar o corredor: não vem ninguém, boa! Sentei-me num pequeno banco junto da janela, um sítio estratégico que me permitia ver e ouvir, caso alguém se aproxima-se da sala, e comecei a folhear as páginas da primeira revista.
      Muito glamour, muita gente bonita e bem vestida. Confesso que senti não uma, mas várias pontadas de inveja, enquanto virava as páginas e imaginava Sebastião a rodopiar e a cumprimentar todas aquelas mulheres bem vestidas, exibindo os seus fatos Gucci e vestidos Chanel. As jóias Pandora e os sapatos Prada. As bolsas falsificadas ou não, Louis Vuitton
As crónicas diziam que o evento fora um verdadeiro sucesso, dedicando uma coluna inteira ao jovem relações públicas, Sebastião!
     Sabem o que senti neste momento, ao ler o que os jornalistas escreveram sobre o meu namorado, ascendente a noivo, quase marido? Senti um enorme orgulho, uma enorme felicidade, senti…senti… Nem consigo descrever o que senti, mas digo-vos do fundo do meu coração, que não podia estar mais feliz por ver Sebastião a atingir os seus objectivos profissionais e comecei logo a magicar uma maneira bastante marota de festejar com ele o seu momento de luz. Sebastião merecia ser agraciado e mimado. E eu até sabia uma ou duas maneiras de lhe meter um sorriso tridente no rosto por umas horas.
      - Oh, sim … – disse eu para a revista que tinha no colo, histérica e morta por sair do trabalho e encontra-lo – ele vai amarrrrrr!
      Continuava a sorrir com toda a força com que os meus músculos do rosto esticavam, quando mudei de revista. Esta era mais fina, mas muito conceituada no mundo da alta sociedade. Não demorei a chegar às páginas reservadas ao evento do hotel “Estrela do Horizonte”.
      Uma pergunta, de quanto tempo acham que é o recorde mundial do Guinness no que a mudanças emocionais diz respeito? Não sabem? Pois eu fiquei a saber em primeira mão, pena não ter apontado ou levado um cronómetro para registar, porque de certeza que obtinha o título.
      Diante dos meus olhos, ali, escarrapachado nas folhas do meio da revista, quase a fazer poster, estava uma mega fotografia, cercada de muitas outras, onde os meus pobres olhos viam Sebastião por todo o lado, a beijar e a ser beijado. E desenganem-se se pensam em beijos de cumprimento, cordiais e sem afecto. Estou a falar de beijos ardentes e desavergonhados. Nojentos e sem carácter que me deixaram atónita durante um tempo. Tempo suficiente para ouvir o meu lado racional aos gritos dentro da minha cabeça a dizer sem parar para respirar: Bem feito! Bem feito! Bem feito! Bem feito!
      Fechei a revista com esperança de que, quando a voltasse a abrir, a fotografia da traição tivesse desaparecido e que aquilo que os meus olhos viram não passava de uma partida alucinogénia provocada por uma overdose de aspirinas, mas não. As fotografias não desapareçam, Sebastião continuava ali, impresso em milhentas revistas, espalhadas de norte a sul do país, mostrando ao mundo como se traía em Portugal.
     Céus! Isto não pode ser possível, não pode ser verdade.
Enquanto eu tento negar o que os meus olhos estão a ver, algo no meu peito parece partir, um frio imenso invade o meu peito, parecendo que me está a congelar por dentro.
      -Ele mentiu-me! – Oiço-me a sussurrar uma e duas vezes, alguém chama pelo meu nome, mas está tão longe que por momentos penso que estou a sonhar ou que morri de desgosto. A revista é-me retirada das mãos e as vozes que sussurram aumentam.
Meio trôpega levanto-me e quase que caio, mas alguém me agarra.
      -Estás em choque. – diz alguém.
É uma voz masculina mas não a reconheço. Consigo chegar à revista, agarro nela e vejo a imagem novamente, e dou por mim a dizer:
      - Vou mata-lo…

      Dito isto saio do hotel e procuro o meu carro, não sei como cheguei a ele, não sei como cheguei a casa. Limpo a cara com as mãos, que estão húmidas. Dirijo-me ao quarto e o silêncio é tal que se caísse uma pena iria dar a sensação que seria um terremoto.
      -Traidor. – Sussurro de novo e dou um ponta pé na porta. Esta abre-se com um estrondo quando embate na parede do quarto.
Vejo Sebastião a dar um salto na cama, ficando sentado e maravilhosamente nu à minha frente
      -Ao menos tomas-te um banho? – Pergunto, raivosa.
      -Ah? O Quê? Querida, o que se passa? – se eu não tivesse visto as fotos, até acreditava naquele olhar inocente e confuso, mas sei que ele está a mentir, a fingir descaradamente.
      -Amor, vem cá – incentiva ele dando uma palmadinha na cama. – Não me digas que a equipa partiu alguma coisa? – Questiona num tom sério.
     -Oh não, a equipa não. - Confesso com um sorriso perigoso a bailar nos meus lábios – Aliás… a equipa foi muito eficiente. – respondo-lhe com ironia e caminho na direcção da cama e por momentos tenho um déjà vu animal, sinto-me como uma leoa a observar a sua presa, e a melhor maneira de a caçar.
      -Então, porquê esse olhar? Confesso que me assustaste, era preciso abrires assim a porta? – questiona num tom meloso, mas a irritação na voz não me passa despercebida.
      -Assustei-te foi querido? – ironizo
      -Bem, um pouco. Pregaste-me um susto de morte.
      -Morte? – sorri de orelha a orelha – Engraçado, porque eu vim o caminho todo a pensar numa maneira de te matar de forma lenta…. – não termino, pois ele agarra-me pela cintura quando chego à beira da cama.
      -Espero que seja de prazer, meu anjo. – sussurra no meu ouvido e o meu estômago dá voltas.
      -Não… - afasto me – O Prazer seria só meu!
Atiro a revista contra a cara dele. Ele agarra nela e vê a foto que eu vi. Por momentos fica em silêncio, mas depois ri.
      -Querida, foi um acidente, acredita, a rapariga ficou entusiasmada e atirou-se a mim, eu afastei-me assim que consegui.
Foi a gota de água, quando termino de ouvir tal barbaridade, a raiva toma conta de mim e atiro o candeeiro contra ele.
      -Acidente, filho de uma cadela no cio? Acidente vai ser quando eu te abrir a cabeça ao meio, meu porco sarnento – grito-lhe enquanto atiro tudo o que encontro contra ele. – Fora daqui, meu merdas, falso, traidor, nojento, fora. – continuo a gritar e atirar coisas, ele tenta fugir para não lhe acertar com nada.
Aproveito e vou ao roupeiro, tiro tudo o que é dele e atiro pela janela. Sebastião fica de boca aberta a olhar para mim.
      -Sai daqui, fora da minha casa, já!
      -És louca – gritou ele em resposta
      -Oh sim, ainda não viste nada. Agora, fora!
      -Assim?– pergunta chocado - Nu?
      -Sim, assim nu, para sentires a vergonha que eu senti. – Num instante regresso da sala com um dos ferros que está na lareira e aponto a parte afiada e em bico na direcção dele. – Fora! Não me faças repetir de novo, porque se não furo-te todo ate pareceres uma fonte defeituosa!
      -Cristo, és louca! – Sebastião arregala-me os olhos como se eu fosse uma assombração e desaparece da minha casa.
Quando a porta se fecha, caio no chão a chorar.

*** ***
 

quinta-feira, novembro 15, 2012

sexta-feira, novembro 09, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião #4

Sabem quando acordamos com a esperança que aquele mau pressentimento tivesse desaparecido e damos connosco a constatar que afinal durante as horas de sono, se intensificou ainda mais? Pois, foi exactamente isso que me aconteceu. Pensei acordar envolvida nos braços de Sebastião, com a erecção dele sempre pronta para mim, a esbarrar-me as nádegas, mas não, a única coisa que encontrei foi a mesma cama vazia de quando me deitei e um enorme sobressalto no coração quando constatei que ele ainda não tinha chegado sequer.
Verifiquei o telemóvel e nada. Nem uma mensagem, um aviso, um maldito kolmy. Nada.
                Tentei não me pôr a pensar asneiras sobre isto ou aquilo, afinal de contas um evento daquela envergadura podia muito bem ter durado até de manhã e ele ter bebido uns copos a mais e ter optado por ficar no hotel em vez de regressar a casa atrás do volante. Era isso. De certeza que tinha sido isso.
                Enquanto a máquina do café aquecia, vesti-me e maquilhei-me rapidamente. Prendi o cabelo num rabo-de-cavalo e peguei na bolsa. Comi uma torrada e bebi um pouco de café com leite. Costumava comer e beber mais, mais tinha ainda a nuvem de enxaqueca a pairar sobre mim, pelo que o sentimento de náuseas não me deixou comer como devia. Era isso, ou então eram as constantes incertezas das não notícias de Sebastião que me estavam a deixar doente.

              Os restos do mega evento do hotel “Estrela do Horizonte” eram visíveis da estrada de acesso. Carros e carros, amontoados no parque de estacionamento. Toneladas de sacos pretos, contendo lixo, amontoavam-se nas traseiras à espera que os serviços camarários viessem recolher os restos. E assim que estacionei o carro, no aparcamento específico para os funcionários, vi Sebastião a dirigir-se ao seu próprio carro. E agora?
                Não esperei pela resposta que ninguém me ia devolver. Saltei para fora do carro e como uma tolinha, corri na direcção sele, chamando-o. Sebastião voltou-se, um pouco aturdido pela minha voz um bocado estridente demais para aquelas horas da manhã, onde os raios de sol mal se viam.
                - Ei… Bom dia! – disse ele quase num murmúrio, levando os dedos longos e habilidosos às fontes. Sim, o meu grito deve tê-lo incomodado e esse aspecto veio consular o meu ego como os braços de uma mãe quando embala o seu bebé.
                - Então, como correu o evento? Oh, espera. A julgar pelas horas, deve ter sido um sucesso. – disse sem conseguir conter os meus ciúmes e paranóias. A minha cabeça pulsava cada vez mais de força. Sentia o sangue a correr dentro das minhas próprias veias, mas consegui esboçar um sorriso profissional digno de um Óscar[1].
                Sebastião observou-me durante uns segundos, tentando ver através dos meus olhos, quão furiosa estava com ele. Sabia que se ele me conhece-se bem, saberia ver que apesar do sorriso rasgado e falso interesse, estava preocupada com a nossa relação e magoada com ele por não me ter dito nada a noite toda.
                - Oh bebé, então? – ele aproximou-se e abraçou-me. Beijou-me o cimo da cabeça e deu-me um breve beijo nos lábios.
                Momento esse, que devo confessar, aproveitei para ver se existiam marcas de batom nos colarinhos da camisa, ou mesmo na pele. Aspirei profundamente mas ele apenas cheirava a Sebastião e a fumo. A minha parte romântica deu saltinhos de alegria chamando-me nomes por querer ver coisas onde não existiam. Por outro lado, o meu lado racional e inteligente alertava-me com um placar sonoro e luminoso que o pior estava para vir. Faltava-me agora decidir a qual das partes devia dar ouvidos.
                E o que é que uma mulher faz quando está apaixonada? Deixa-se ir.
                - Senti saudades tuas… a minha cama não é a mesma quando tu não estás… - disse, ainda encostada aos lábios quentes dele. Sim, eu sei, foi uma declaração pirosa, mas que se pode fazer? O amor deixa-nos assim, pirosos. Afastei-me do perigo que era a boca dele e observei-o - Então, correu bem ou mal?
                - Bem? Melhor não podia ter corrido. – disse ele com uma satisfação invejável. Uma confiança digna de reis.
No entanto o meu lado racional pisou-me o pé em alerta, ali o menino estava a falar de dois assuntos ao mesmo tempo. Conseguia sentir o subterfúgio daquela frase…
Sebastião bocejou, e desculpou-se, interrompendo o bocejo com a mão, acariciando-me depois o rosto. Pousou os olhos no relógio e franziu a testa.
              - Não entras às 6h? – mostrou-me o relógio – Já estás atrasada e eu também. A noite foi longa e eu preciso de dormir.
Sebastião beijou-me no momento que eu me preparava para lhe pedir mais pormenores sobre a noite. Mas para além do bocejo dele tinha também o meu horário de trabalho para cumprir e não queria boatos do tipo: «Chefe de recepção chega atrasada porque esteve a namorar com o R.P. no parque de estacionamento do hotel onde ambos trabalham.»
- Está bem, mas depois quero saber os pormenores todos! – disse, roubando-lhe um beijo, ficando a vê-lo entrar no imponente mercedes e posteriormente sair do hotel.


[1] É um prémio entregue anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Sabem quando chegamos ao nosso local de trabalho e nos salta a tampa, porque quem devia ter feito o serviço não o fez? Porque segundo se lembrava, os seus queridos superiores não queriam “falhas” e por isso contrataram uma equipa especializada para que tudo corresse bem na organização do maldito evento? Pois bem, então agora, enquanto observava a confusão em que tinham transformado o guiché da recepção, dei comigo a pensar na forma mais correta e educada de os mandar chamar a dita equipa para voltar a organizar aquilo. Sinceramente apetecia-me virar costas àquela porcaria toda e ir para casa. Meter baixa médica. Inventar um funeral… Quer dizer, nem precisava de inventar, Emma tinha falecido e era estrangeira, podia muito bem ir ao funeral da desconhecida numa atitude de penetra e Diana arranjava-me sem respirar, uma declaração para entregar nos recursos humanos.
Felizmente ou infelizmente sempre fui muito profissional, reuni as tropas, arregaçamos as mangas e tratamos de organizar os cartões dos quartos, as folhas dos check in/ out. Fazer as contas do caixa da recepção e dos bares e passar todos os valores à contabilidade. Mas de uma coisa podem ter certeza, na próxima reunião de pessoal eu ia soltar os cães, ou não me chamava Eloísa.
Infelizmente o meu stress estava apenas e só a começar. Depois de termos arrumado a recepção de uma ponta a outra, depois de termos entregue as contas ao departamento de contabilidade que viu de imediato – assim como eu – que as contas não batiam certo, e de ter começado a receber os primeiros clientes da manhã, eis que o meu verdadeiro pesadelo começa.
As minhas fontes latejaram com tanta força que pensei que um aneurisma se tinha rebentado dentro da minha cabeça. A guinada tinha sindo tão intensa que perdi a visão por momentos. Equilibrei-me no balcão e uma das minhas miúdas, Isabel, foi-me buscar um copo de água.
Já repararam numa coisa, para nós portugueses, um copo de água é quase um milagre! Estamos enjoadas: bebe um copo de água que isso passa. Estamos com dores de cabeça: bebe um copo de água que isso passa. Estamos furiosos: bebe um copo de água que isso passa…
Estava já com o copo de água na mão, e com uma Isabel muito preocupada a observar-me atentamente, enquanto os músculos da minha garganta obrigavam a água a descer pelo esófago em direcção ao estômago, quando o nosso conhecido colega, Roberto, nos entrou pela recepção dentro, puxando o seu carrinho de entregas, contento as habituais revistas e jornais diários que dispúnhamos nas salas comuns, onde os nossos hospedes podiam sentar e porem-se a par das mais recentes noticias. E claro, depois do evento da noite passada, as revistas da alta sociedade não falariam certamente de outra coisa.
Isabel, esperta e pronta, como sempre, tomou conta da recepção das revistas e jornais, enquanto eu procurava dentro da minha mala a caixa das aspirinas. Pelos vistos as enxaquecas estavam de volta e antes que elas se lembrassem de me rebentar logo pela manhã, tinha que reforçar a dose. Quando regressei ao balcão principal já Roberto se tinha ido embora, deixando-me as melhoras.
Aproximei-me de Isabel, que separava as revistas da alta sociedade dos jornais diários para dar uma vista de olhos às primeiras impressões sobre o evento, quando um hóspede aos gritos, rompeu o átrio da recepção, gesticulando freneticamente na nossa direcção, mas falando o seu inglês tão serrado que nem eu nem Isabel conseguimos perceber o porquê de tanto alarido. Não cheirava a fumo, logo o hotel não devia estar a arder.
- Querida, não te importas de dispor as revistas nas salas por mim? – disse, com um pé fora do balcão – É melhor ver o que Mr. James necessita, antes que tenhamos a armada inglesa em peso não tarda nada.
Isabel riu-se da minha careta e apressou-se no seu trabalho de separação e dispersão dos respectivos jornais. Eu, pobre de mim, tive que lidar com a minha maldita dor de cabeça e com o escândalo exagerado de Mr. James, tudo, porque lhe tinham servido «Green Tea» em vez de «Grey Tea». A sério, eu devia receber um prémio, não só por ser a funcionária do ano, como por ter a capacidade de lidar com ingleses manientos e snobs[1]que não conseguem reconhecer um engano, esquecendo-se certamente que eles também são humanos… Bom, enfim. Sou a super mulher, que posso fazer?
 


[1] Pessoas que se acham superiores. Normalmente possuem títulos académicos.

 

terça-feira, novembro 06, 2012

Novidades

Ilusões 
Série Wings Vol. 3 
de Aprilynne Pike
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 304
Editor: Edições Contraponto

 Sinopse Laurel não via Tamani desde que num momento de raiva, há um ano atrás, o mandou embora. E, por muito que o seu coração ainda doa, Laurel sabe que David foi a escolha certa. Agora que a sua vida estava a voltar ao normal, Laurel descobre que um inimigo oculto está a cercá-la. Mais uma vez, Laurel vai ter de pedir ajuda a Tamani para a proteger e ajudar, uma vez que o perigo que agora ameaça Avalon é mais poderoso do que aquele que uma fada poderia imaginar - e, pela primeira vez, Laurel não pode ter a certeza de que o seu lado sairá vencedor.



Obras anteriores:


O Beijo dos Elfos 
Série Wings Vol. 1 
de Aprilynne Pike

N.º 1 da lista de best-sellers do New York Times
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 256 Editor:
Edições Contraponto




Feitiços 
Série Wings Vol. 2 
de Aprilynne Pike
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 296
Editor: Edições Contraponto

Novidades

As Brumas de Avalon 
Volume IV - O Prisioneiro da Árvore 
de Marion Zimmer Bradley
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 304
Editor: Saída de Emergência

 Sinopse No derradeiro volume deste clássico, Morgaine vai ao encontro do seu destino que a coloca contra Artur - o seu amante, irmão e agora inimigo. Ao regressar a Camelot durante o Banquete de Pentecostes, Morgaine acusa Artur de comprometer a coroa, e exige que este lhe devolva a espada mágica Excalibur. Mas Artur recusa e Morgaine tenta de tudo para o travar, nem que para isso tenha que usar as pessoas que ama para o desafiar. Quando Avalon se sente traída por Artur, Morgaine invoca a sua magia para lançar os companheiros de Artur numa demanda pelo cálice sagrado. Os eventos escapam ao controlo de todos quando Lancelet regressa e sucumbe de novo à sua paixão por Gwenhwyfar. Mas o Rei Veado tem assuntos mais importantes como a guerra decretada por Mordred que pretende usurpar o trono de Camelot. Conseguirá o mundo de Avalon sobreviver ou será forçado a desaparecer nas brumas do tempo e memória?

Obras anteriores:




As Brumas de Avalon 
Volume I - A Senhora da Magia 
de Marion Zimmer Bradley 
O clássico Arturiano que revolucionou a fantasia
Edição/reimpressão: 2012 
Páginas: 304 
Editor: Saída de Emergência






de Marion Zimmer Bradley 
Edição/reimpressão: 2012 
Páginas: 288 
Editor: Saída de Emergência








As Brumas de Avalon 
Volume III - O Rei Veado
de Marion Zimmer Bradley
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 272
Editor: Saída de Emergência

sexta-feira, novembro 02, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião #3

      - Tens certeza de que não precisas de uma licença qualquer para poderes sair com esta coisa no dedo? – perguntou Diana sem me largar a mão, observando o lindo anel de ouro branco com um enorme diamante a cintilar descaradamente como se estivesse a gritar «esqueçam a  mulher, olhem para mim».
                - Nos dias que correm só preciso de ter cuidado para não ficar sem mão, caso me tentem assaltar! – disse eu, tentando mexer a mão, sem sucesso. Diana só me largaria a mão depois de ver todos os pormenores do meu novo anel.
                - Devias fazer um seguro de vida só por causa deste menino. – disse ela, ainda a observar o anel. Depois, num aparatoso abraço, esmagou-me contra ela, gritando-me ao ouvido – Parabéns amiga! Parabéns! Estou tão feliz por vocês.
                - Calma Diana, é só um anel… - disse eu, tentando afastar-me, escusado será dizer, que sem sucesso e quase surda.
                - Um anel! Miúda, caso não tenhas reparado, este anel – Diana pegou-me na mão e ergueu-me o dedo anelar direito – Dava para eu fazer a viagem dos meus sonhos aos states[1]com direito a gastar umas boas verdinhas na 5ªavenida. Além disso, se um homem torna a liberdade de nos presentear com uma coisa destas das duas uma: Ou nos ama, ou nos anda a trair descaradamente!
                - Diana, que disparate! – consegui eu dizer depois das palavras dela me terem atingido como mil balas.
                - Os homens em geral são uns seres bastante detestáveis – disse Diana, marcando o código no painel digital, desactivando o alarme da sua funerária.
                E agora prestem atenção, porque isto é cómico, e pode ser que vocês consigam perceber, coisa que eu já desisti há imenso tempo: se a minha querida Diana guarda o dinheiro no banco e nunca tem dinheiro na funerária, porque insiste ela em ter um alarme todo xpto, caro como tudo, ali, onde só existem caixões de pinho e pontualmente cadáveres?
Eu sei que o mundo está estranho, mas ainda estou para descobrir alguém mais estranho que a minha querida amiga Diana.
Sim, em termos de estranhezas ela bate os recordes nacionais aos pontos.
                - Mas depois de tanto trabalho a paparicar-te. A seduzir-te. A mimar-te. Não acredito que seja a opção traição que ele tenha em vista. – ela abriu uma gaveta e puxou a sua agenda de pele vermelha. Folheou umas páginas e sorriu – Hoje tenho uma cliente. Por falar nisso, dás-me dois minutos? Preciso mesmo de ligar à Be. Para saber se a minha menina já vem a caminho.
                Digo-vos, ver o entusiasmo que ela tem com os mortos que lhe vêm parar às mãos é quase doentio! Não a visse eu a sair com pessoas, dentro dos parâmetros normais da sociedade, e pensaria que ela precisava de ser internada.
                - Vais gostar da Emma. É britânica. Faleceu ontem, vítima de uma paragem cardio-respiratória – Diana mordeu o polegar em ansiedade enquanto me lançava o seu melhor olhar condescendente – Tadinha!
                Digam-me lá o que se pode fazer em momentos como estes? Nada, a não ser abanar com a cabeça e sorrir-lhe. Diana era assim, incorrigível e apaixonada pelo seu trabalho.
Depois dela ter combinado com a Be, funcionária da morgue do hospital Espirito Santo, que coordenava o despacho dos cadáveres, Diana começou a remexer nas caixas dispostas nas estantes do seu bonito escritório, escolhendo as bases, paletes de sombra e blush que escolheria para Emma. Já tinha recebido por email um foto do cadáver para poder preparar os seus instrumentos.
                E enquanto ela pensava se usava uma base «Nude Pink» ou uma «Light Ivory»? Eu triturava a massa cinzenta dentro da minha cabeça, tentando não pensar na conclusão a que Diana chegara e que a mim nem me passara pela cabeça. Poderia Sebastião, o eterno galante, estar realmente a enganar-me? A comprar-me com bom sexo, bombons, flores e anéis?
Nahhhh, paranóia minha! Pensei para com os meus botões, porque os neurónios já começavam a reclamar de tanto serem massacrados. E antes que a miss Emma chegasse e eu tivesse que assistir pela enésima vez ao ritual de recepção de cadáveres, apresei-me a despedir-me da minha amiga e a regressar a casa. Bem, já que tinha uma folga extra e Sebastião não estava em casa, ia aproveitar a ausência dele para uma limpeza geral em casa. Daquelas limpezas «de fio a pavio» que nenhuma mulher gosta de fazer, mas que de tempos a tempos são extremamente necessárias… Ainda por cima se estivermos a partilhar a cama e o resto das divisões lá de casa com alguém do sexo oposto, que só por acaso dá todos os indícios de nos querer levar ao altar um dia destes.
 



[1] Estados Unidos da Améria. (U.S.A.)

Cai morta no sofá! Nem a andar em cima de saltos agulha durante 8h seguidas no hotel me deixavam naquele estado. Não sentia as pernas, as costas, os pés… e PIOR! Tinha arruinado por completo as minhas mãos. Duas unhas partidas, três comidas e as restantes… bem, não vou falar sequer das restantes. Ainda bem que o Sebastião não estava, caso contrário teria de usar luvas tal era a vergonha das minhas unhas.
Depois de ter descansado, completamente escarrapachada no sofá da sala, levantei-me a custo, enfiei-me na banheira com uns bons litros de água a escaldar e sais de banho suficientes para me relaxar até as pestanas. Acendi umas velinhas sem cheiro, só pelo prazer do efeito da chama e deixei a Adele[1]inundar-me os sentidos com as suas baladas e hinos ao amor.
- Hummm, isto sabe mesmo bemmmm – ronronei, deixando-me submergir mais um pouco na banheira ao som da faixa número 9 "Make You Feel My Love" do cd 19[2].
Digam lá se não sabe bem, quando estamos apaixonados, ouvir músicas românticas que nos fazem soltar longos suspiros? Que nos fazem sonhar acordadas e ver o mundo todo de cor-de-rosa? Sim minha gente, sabe mesmo bem estarmos apaixonadas.
Perdi completamente a noção do tempo, deixando que o meu corpo se engelha-se totalmente debaixo de água. E só depois do cd 19 e 21[3], terem chegado ao fim e a água começar a ficar fria é que me decidi a sair da banheira e besuntar-me com uma cheirosa loção corporal de coco, que nem uma torrada com manteiga, depois de saltar da torradeira. Hummm, e por falar em comida… O meu estômago roncou, advertindo-me que depois do esforço e do relaxamento, estava na hora de comer qualquer coisa.
Vesti umas calças de malha de andar por casa, uma camisola larga do tempo da faculdade e dirigi-me à cozinha que ainda cheirava ao detergente. Tinha fome, muita fome. Mas ver a minha cozinha tão limpa e cheirosa tirou-me a vontade de cozinhar. Calcei uns ténis, peguei na carteira e enquanto conduzia em direcção ao centro da cidade liguei para o restaurante «L’Italiano» e encomendava uma generosa dose de spaghetti arrabiata[4], um dos meus muitos pratos favoritos da cozinha italiana.
Felizmente o serviço de refeições take-way não tinha muita gente e em menos de nada vi-me servida e de regresso a casa, com o cheiro maravilhoso da pasta a entranhar-se nas narinas e a agitar-me o estômago.
Confesso que detesto fazer qualquer tipo de refeição sozinha. Gosto de conversar enquanto como, discutir as noticias e a vida que os nossos governantes levam às nossas custas. No entanto, não posso deixar de referir que desta vez o jantar soube-me maravilhosamente bem e nem dei pela falta de companhia. Devia estar mesmo esfomeada, pensei, enquanto me afundava novamente no sofá, estendida sobre a parte chaise longue, com um livro nas pernas e recomeçava a minha leitura, ao mesmo tempo que me deliciava com a sobremesa bem portuguesa: uma musse de chocolate instantânea da Alsa, de chocolate preto. Ah, é verdade, adoro chocolate!
Mas a verdade é que assim que os meus olhos pousaram nas letras, e o meu cérebro começou a processar o que estava a ler, as memórias da conversa com Diana sobre o possível noivado ou a possível traição, sobrepuseram-se à leitura. Acreditem, quando sismo numa coisam, nem a paixão pela leitura leva a melhor.
Enquanto matutava no que podia ou não ser verdade fitei o brilhante anel na minha mãe, as bonitas rosas que oito dias depois ainda estavam perfeitas e cheirosas na jarra. E todas aquelas promessas trocadas, o meu corpo e o dele, envoltos num lençol amarfanhado, depois de horas e horas a fazer amor.
Mas seria fazer amor ou simplesmente sexo? Haveria realmente uma diferença entre fazer amor e fazer sexo?
A cabeça começou a latejar. Estava tudo a ser demasiado perfeito e eu andava verdadeiramente feliz e… Bolas, agora que pensava nisso, andar demasiado feliz costumava trazer-me alguns dissabores. Umas vezes nas questões laborais e profissionais. Outras vezes relacionadas com a família… Só esperava que desta vez a felicidade extrema e a iminente enxaqueca não quisesse dizer que a minha relação com Sebastião estava prestes a desabar, e o conto encantado pronto a ser transformado numa história de arrepiar.
Preocupada com todos aqueles sentimentos analisados nas últimas horas e a morrer de saudades dele, decidi enviar-lhe uma SMS. Sebastião mantinha a nossa relação em segredo, segundo ele para não haver problemas a nível profissional para ele, mas sobretudo – palavras dele – para mim. Ainda assim não consegui evitar. Antes que a enxaqueca avançasse em força escrevi rapidamente:
«Olá amor, como esta a correr tudo? Espero que o evento esteja a correr como previsto. Morro de saudades.
Tua… Eloísa.»
Confirmei para enviar e enfiei-me na cama porque sabia que ele não me ia responder. De manhã, quando regressasse da festa, contar-me-ia todos os pormenores do evento. Por enquanto, lutando com a dor que teimava em ficar mais forte, lancei duas Migraspirina[5]pela goela abaixo e deitei-me na cama vazia e fria, pedindo em surdina que o destino não me desse um desgosto.
Não com Sebastião…



[1] Cantora e compositora britânica.
[2] 19 É o álbum de estreia da cantora e compositora britânica Adele.
[3] 21 É o segundo álbum da cantora e compositora britânica Adele.
[4] Prato de pasta típico italiano, consiste num prato de esparguete com molho de tomate muito picante.
[5] Migraspirina proporciona um rápido alívio dos sintomas de enxaqueca.

sexta-feira, outubro 26, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião #2

Umas valentes horas depois…
                Suados e ainda unidos, eu e o meu homem de pele achocolatada disfrutávamos dos últimos gemidos prazerosos que inundavam as paredes do meu quarto. Sebastião estava hospedado no hotel onde trabalho, logo era muito mau tom verem a chefe da recepção a dar check in com um hóspede que ainda por cima trabalhava parcialmente com ela.
                - És maravilhosa! – disse-me Sebastião, enquanto saia de dentro de mim, e me beijava demoradamente os lábios. – E eu que me recusei algumas vezes a trabalhar nesta zona alentejana….
                Por pouco a minha pele dos lábios não rasgaram, tamanho era o meu sorriso deliciado. Bolas! O homem para além de lindo e corpo perfeito, sabia bem como nos deixar a babar pelos elogios. E não tinha sido preciso tirar a roupa para ele me agraciar. Desde o primeiro minuto que nos conhecemos que Sebastião era assim, um eterno romântico. Um verdadeiro cavalheiro!
                - Sabes, acho que dizes isso a todas! – atirei eu, enquanto rebolava para o outro lado da cama.
                Sebastião ergueu-se sobre um braço e fitou-me seriamente. Por momentos foi como se o tivesse visto realmente ofendido com o meu comentário. Seria possível? Quer dizer, o amor existe. A paixão também… Mas… Bolas, teria eu encontrado um homem digno da letra H em maiúsculas do pé para a mão, num proeminente ataque de riso?
                - Porque é tão difícil para ti, acreditares que nós os dois…
                A sorrir, interrompi-lhe o sorriso com um demorado beijo nos lábios em jeito de desculpa e para me redimir de o ter magoado com a minha falta de jeito para acreditar naquilo que acontece muito rápido e é demasiado óbvio e bom para ser verdade, arrastei-o atrás de mim para a casa de banho, onde voltamos a fazer amor ao som da água do chuveiro.
                Sebastião amou-me entre o sabão do gel de banho e a água corredia que jorrava por cima das nossas cabeças.
Senti-me completa. Realizada. Feliz. Domada. Saciada… e muitos outros adjectivos que de momento não me lembro mas que garanto tê-los sentido a todos. Sebastião fazia magia em mim. E depois daquela hora passada dentro da cabine de duche, comecei a acreditar seriamente que Sebastião era o meu destino. O homem era bonito. Deliciosamente atraente. Inteligente. Com uma carreira em ascensão. E estava apaixonado por mim.
Que mais poderia eu desejar?
 
Uma das melhores coisas que podemos ter quando trabalhamos por turnos, é desfrutar de uma bela tarde soalheira, quando todos os outros estão enfiados nos seus trabalhos, a esfolarem-se para cumprirem metas e atingir objectivos.
Tinha um livro pousado na mesa da pastelaria, ao lado da chávena de café vazia e, tomem nota, esticava os músculos dos braços – não era espreguiçar, porque isso é falta de educação - acima da cabeça, de maneira a alonga-los um pouco, quando reparei que um desconhecido avançava na minha direcção.
                E perguntão vocês, qual é o espanto? O espanto é que para além de ser a única pessoa sentada na esplanada, o desconhecido trazia um enorme… Não, enorme não chega para descrever, talvez gigante se adeqúe melhor, ramo de rosas vermelhas na mão e quando estava a uns meros passos de distância de mim, perguntou confiante:
                - Senhorita Eloísa?
                Bem, quando referi que estava a alongar os músculos dos braços, penso que me esqueci de referir, que simultaneamente estiquei as pernas para facilitar a tarefa! Pois, imaginem agora eu sentada, naqueles prantos e o homem a falar para mim, com aquele lindo jardim preso numa mão.
                Saltei da cadeira e ainda um pouco constrangida pela situação, coloquei uma madeixa de cabelo atrás da orelha e abanei a cabeça.
                - S-sim… sou eu.
O rapaz aproximou-se, depositou-me o gigante apanhado de rosas de veludo vermelho no colo e disse simplesmente que eram para mim. E enquanto eu me via naquele estado idiota de felicidade juvenil, o rapaz fora-se embora.
                Não fosse Diana ter chegado segundos depois, penso que teria ficar um bom par de horas no meio da esplanada, de pé, a olhar para o gigante ramo de rosas vermelhas.
                - Aiiiii queeee giroooo – gritou Diana, enquanto me arrancava o ramo dos braços e o inspeccionava com o seu olho clinico – Tãooooooo lindas! Tãoooo romântico, amiga!
                Revirei os olhos enquanto me sentava. Só Diana para fazer um alarido daqueles. Pronto, está bem, eu não fiz alarido porque ainda não estava em mim. Experimentem serem surpreendidas por um jardim ambulante de rosas de veludo importadas sabe-se lá de que canto do mundo e tentem expressar-vos decente e coerentemente.
                - Fogo amiga! Isto sim, é paixão! – Diana cruzou a perna num movimento sexy, trincando o lábio inferior como só ela sabia. Como diabo fazia ela aquilo? A nossa sorte era a esplanada estar azia, caso contrário teríamos um monte de homens a fazer flirt com ela, ou namoradas e esposas a espumarem-se de raiva e ciúme. – Ontem foram bombons… Na semana passada um relógio… Amanhã será o quê? Anel de noivado!
                - Claro que não! – disse eu, enquanto mexia a mão, tentando não lhe dar crédito.
                - Claro que não! – Diana imitou a minha voz, torcendo o nariz – Ficaste cega por acaso? Bombons, flores, prendas e o melhor de tudo! – disse ela, dando enfâse – Sexo todas as noites, com preliminares e surpresas picantes. Achas o quê? Que anda a treinar para quando for a sério?
                Não! – disse eu arrependida por lhe acabar sempre por contar demasiados pormenores. – Mas é cedo e não vou sequer pensar nessas coisas. Conhecemo-nos nem há três meses…
                - E depois? – perguntou Diana incrédula, como se eu estivesse a dizer a maior das barbaridades. – Minha filha, se o sexo é bom, e eu sei que é porque tu além de mo teres dito, nota-se nessa cara fofa. Se o homem te enche de presentes como se fosses uma princesa, por que raio te interessas tanto com as datas?! São só dias… horas… minutos…
                - Bem, isto dito pela mulher que passa a vida a trocar de namorado, passa a ter outro significado. – disse eu com falsa aceitação.
                - Eloísa! Nunca pensei ouvir isso de ti! – Diana levou as costas da mão à testa, num ar tão dramático que me pergunto porque ele não seguiu teatro em vez de maquilhagem a cadáveres? Juro, quase, notem aqui o especial significado da palavra quase, que podia acreditar no sentimento de ofensa dela. – Mas sabes? Tens razão. – Diana abriu-se num dos seus perfeitos sorrisos -  Mas isso só acontece porque ainda não encontrei a minha alma gémea. Ao contrário de uma determinada pessoa que tem tudo para ser feliz e passa o tempo todo a entupir a cabeça com «Ses» e «Mas»!
                Teria Diana razão? Bem, as histórias de amor com finais felizes para todo o sempre existiam porque certamente alguém devia ter passado realmente por uma situação assim. Logo, porque não podia eu estar a viver o mesmo tipo de conto de fadas?
Já andávamos há seis meses e tenho de admitir uma coisa. Nunca fui tão feliz, bem tratada e amada em toda a minha existência que já contava com um quarto de século e uns meses. Tinha a minha profissional a correr sobre rodas. A nível económico também não me podia queixar, uma vez que desde que Sebastião começara a trabalhar para o Hotel, os investidores decidiram aumentar os funcionários. Mas era a nível pessoal que eu sentira a derradeira mudança!
Sebastião mudara-se para a minha casa. Não fazia sentido, continuar a viver no hotel, quando passava quase todas as noites na minha cama. E o melhor de tudo? Dávamo-nos super bem.
Diana riu-se quando lhe contei, Sebastião não pingava a tampa da sanita e nunca se esquecia de dar a descarga. Não deixava a pasta dos destes aberta, e nunca mexia nas minhas coisas!
                Oh sim… estava numa lua-de-mel antecipada. E por mais que chama-se louca a Diana sempre que recebia uma SMS dela a perguntar pela data do casamento, desconfiava que estaria para breve.
                E porque digo isto, perguntam vocês? Porque ontem, depois do meu turno ter terminado e visto estar uma agradável noite, ele convidou-me para passear pelas ruas, onde as lojas de roupa, calçado e ourivesarias se estendiam de um e outro lado das ruas.
Á medida que íamos avançando, ora de mãos dadas ou abraçados, Sebastião dava-me mais dicas sobre a festa que andava a organizar no hotel.
                - Então não vão usar o staff do hotel? – perguntei de testa franzida.
                - Sim, querida. Entende, isto é um evento internacional. A empresa não se pode dar ao luxo de haver lacunas ou falhas. – disse ele enquanto me beijava a testa – Está em risco muita coisa. Não só a minha carreira, como a tua, como o bom nome do hotel.
                - Sim, mas dispensar todo o pessoal? Quer dizer, trabalhamos lá porque somos competentes.
                Sebastião parou no meio da rua. A luz do luar incidia-lhe no rosto, descendo-lhe pelo pescoço, fazendo brilhar aquela pele de chocolate. Segurou-me no rosto com as mãos e depois de me ter deixado sem ar, beijando-me como só ele sabia, abraçou-me, acariciando-me as costas, enquanto me dizia.
                - Eu tentei, juro-te pelo nosso amor, que tentei fazer com que pelo menos a tua equipa ficasse. Mas os nossos superiores foram intransigentes. Mostraram-se irrefutáveis nas suas posições. Fazer pressão podia fazer com que recuassem e optassem pro outra cadeia de hotéis.
Realmente… ele tinha razão. Era preferível um anoite de folga forçada a ir todo o staff para o desemprego, e como as coisas andavam em Portugal, era melhor não arriscar.
                - Mas tu vais estar a trabalhar! – disse eu num tom muito choroso.
                - Isso mesmo, a trabalhar! – Sebastião sorriu-me – Achas que não preferia estar entre as tuas pernas?
                - Sim… mas…
                - Vou estar a trabalhar para o nosso futuro, amor! – disse ele enquanto me puxava para junto de uma vitrine onde dezenas de anéis brilharam, sobre os escaparates iluminados da ourivesaria mais cara da cidade de Évora. – Gostas de algum?
                Fiquei perplexa a olhar para ele. Senti os meus olhos inundarem-se de água. Era muita emoção e em vez de lhe dizer alguma coisa de jeito, limitei-me a abraçá-lo e a dizer-lhe ao ouvido o quanto o amava.