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sexta-feira, novembro 30, 2012

As Trevas da Paixão - Santiago #2

Fico a observar aquele monumento que se afasta, raios! Que homem!
                -Hello! Terra chama Eloísa!!! Bem meu amor, até eu ficaria a babar-me perdidamente, acredita dava tudo para o ter na minha mesa de trabalho, bem vivo e bem duro se é que me entendes, mas raios! Toma la a porra de um lenço enquanto mando providenciar uma esfregona para limpar a inundação que fizeste. – uma voz bastante familiar puxa-me para o presente e encaro Diana que está à minha frente com um sorriso maroto enquanto ela observa as suas unhas como se admirasse de facto as garras e pensasse em como as cravar nele. – Bem bom hã? – confidencia ela toda inclinada sobre o balcão. – Nossa Senhora, aquele rabo… ai pelos deuses, eu bem que massajava aquele rabo bem bom, arranhava aquelas costas fortes, e aqueles ombros musculados… mordia-os, arranhava, lambia aquele peito…

-Diana!!! – fico chocada com ela e surpreendida comigo mesma porque já não devia ficar chocada com ela, afinal, é a Diana de quem estamos a falar, ou melhor é a Diana a falar. Por isso qual o espanto?
-Ora querida, vejo que já esqueceste aquele traste miserável e desprezível.
-Hum... não... Bem, sim... quer dizer não sei. Só sei que por momentos o esqueci sim. – confesso entre murmúrios.
-Fantástico. – Guincha ela como uma ninfomaníaca que é.
              -Diana, menos! – Sussurro assustada e vejo alguns clientes a olharem para a recepção.
-Então, para quando é?
-Desculpa? – sinto-me confusa com a questão de Diana, e por momentos sinto-me como um navio à deriva numa tempestade.
              -Ora, quando é que o vais comer? – Diana revira os olhos, e junta os cotovelos à cintura, puxando-os para trás e a cintura para a frente.
              - Por favor, é um cliente. Não vai acontecer nada. – tento dar o assunto por terminado pegando em alguns papeis e fazendo de conta que estou deveras ocupada. Mas Diana é Diana, tira-me os papeis das mãos e olha-me de sobrolho franzido.
               -Tas a gozar certo? Vais para freira, é? Aproveita ao máximo ali o menino, porque meu amor, – Diana leva a mão ao peito dramaticamente. – se ele não está caidinho por ti, eu sou o Coelhinho da Pascoa!
-Não estás na tua melhor forma – gozo
- Oh céus!!! Estou mais gorda, não estou? Eu sabia! Eu sabia! Hoje de manhã não consegui vestir o meu vestido vermelho, super justo e que me faz super, híper, mega Sexy!
Ok, toquei num assunto critico mesmo e agora sim tenho todos os clientes a olharem, que vergonha.
        -Querida, se a menina está gorda como julga, eu estou cego e ainda não dei conta, se me permite que seja sincero, a menina está uma brasa e nem sequer parece ter um miligrama de gordurinha nesse corpo fantástico.
-Oh, a sério? Obrigado – Diana sorriu toda derretida para o cliente e vejo que vai meter as garras de fora, literalmente, e atacar o pobre homem, bem pobre não, porque ninguém faz um elogio deste género sem esperar nada em troca, ou faz?
-Diana, ia-mos almoçar certo? – interrompo com esperança de salvar o homem dela, porque se ela lhe espeta as unhas, muito provavelmente o homem vai ter um AVC[1], ou não…
Eloísa para de divagar!
-Almoço? Han…Sim, não. Tínhamos?
-Yap, por isso é que vieste aqui! Maria, segura aqui as pontas antes que isto se incendeie, eu volto já. – agarro Diana pelo braço e corro com ela dali para fora.





[1] Acidente Vascular Cerebral.


O almoço não podia ter corrido pior, realmente servir de vela não é a minha vocação! Acabei por desistir e vir embora, se o homem tinha mesmo tentativas suicidas, que podia eu fazer? E para melhorar a minha tarde tinha sido mandada para a piscina interior para fazer o supervisionamento. Raios
- Por favor, se continuar a morder o lábio assim, não vai sobrar nada para eu poder morder também. – comenta uma voz cadenciada, rouca e grave ao meu ouvido, fazendo-me sobressaltar.
 Desastrada como sou, desequilibro-me e sinto-me a cair, a única coisa que vejo é água, água e água à minha frente, e como o azar nunca vem só, adivinhem lá? Não sei nadar!!! O pânico apoderou-se de mim e para evitar cair dentro da piscina, agarro-me à primeira coisa que está ao nível da minha mão, oiço um grunhido e umas mãos à minha volta e de repente água.
Imediatamente sou trazida à superfície e a única coisa que consigo fazer é tossir e cuspir água.
- Tente respirar com calma. – diz a voz um tanto ou quanto aflita. – E por favor, largue o que está agarrar, pretendo ter isso a funcionar mais uns aninhos.
- Des-culpe – digo entre tossidelas, e apercebo-me que quando estava a cair, o que tentei agarrar foi… oh céus, largo imediatamente o sexo dele e sinto-me corar até a raiz dos cabelos, não só por ter agarrado no que agarrei, mas por me dar conta que é o Santiago, o homem da recepção, que se tinha esquecido da chave no quarto… e que era lindo como tudo…
- Obrigada, já me sinto melhor. – suspira ele, visivelmente aliviado – Caramba, ia esborrachando o meu «pandinha», mais um pouco ficava incapacitado para o resto da vida.
- Desculpe, perdoe-me, mas entrei em pânico.
- Pânico? Com a água?
- Bem… a verdade é que… eu não sei nadar, e depois você assustou-me! – acuso-o, esquecendo a vergonha e fico furiosa.
- Hum... cada vez mais sexy, surpreende-me a cada minuto que passa. Pelo lado bom e verdade seja dita, pelo mau também.
- Deixe-me imaginar. – digo num tom irritado, cruzando os braços. – Bom, porque gosta de me assustar e de me ver irritada, mas mau porque que ia dando cabo dos herdeiros, certo?
-Certíssimo cara amiga, e na verdade, acho que me deve algo. – volto a sentir os braços dele à minha volta, apertando-me mais contra ele e algo.
Oh puta de sorte, ele está duro, contra mim, a bater na minha barriga como um mastro de um navio a bater numa vela, bem o mostro não bate na vela mas… Eloísa!!
-Devo? Não me parece, e se não se importa solte-me.
Ele dá uma gargalhada e os seus olhos ficam escuros de paixão.
-Sim, como desculpa por quase me ter castrado, acho que me deve um jantar. Seria uma boa forma de me mostrar de que não me estava a tentar matar, e de se mostrar arrependida.
 - Não me parece, segundo se recorda…
- Sim sofreu uma traição recentemente, eu sei disso. Mas não a pedi em namoro ou casamento. Apenas um jantar.
 E dito isto não é que o desgraçado me calou!? Muito bem, quer um jantar. Vai ter o jantar. Porque não seguir em frente e fazer como Diana, tirar partido!? Divertir-me!? Sim é isso mesmo.
- Combinado, quando, onde e a que horas? – ele mostra-me um sorriso vitorioso e beija-me na bochecha.
- Hoje às sete, o local é surpresa. E agora é melhor tira-la da piscina se não ainda fica doente. – levanta-me no ar e senta-me no rebordo da piscina.
Vejo-o a sair também e fico de queixo caído, raios o homem despido é… tudo de bom. Oh céus, ele de certo foi abençoado pelos deuses. Não consigo parar de me babar a olhar para ele, e ele apercebe-se de que o observo e dá um sorriso traquinas.
- É melhor ir mudar de roupa boneca, até logo. – Santiago vira-me as costas e vai-se embora, enquanto eu fico a observar os calções molhados colados como uma segunda pela na sua cintura e coxas e …
Eloisa!!!

domingo, novembro 25, 2012

Divulgação - Lugares e Palavras de Natal

Boa Noite,
visto que o natal está a chegar, porque não um livrinho sobre o mesmo, de contos e poemas? Deixo-vos aqui a informação e não percam, afinal até mesmo no sobrenatural há um bom Natal


Divulgação:

Lugares e Palavras de Natal - uma coletânea de contos e poemas cujo tema é o Natal.

"Lançamento do livro que será no próximo dia 2 de Dezembro, pelas 17 horas. Como a maioria dos autores é da zona do Norte e da zona de Lisboa, faremos um lançamento conjunto, no mesmo dia e à mesma hora nestas duas cidades. No Porto será na Livraria Bertrand do Centro Comercial Parque Nascente e em Lisboa na Livraria Bertrand do Centro Comercial Vasco da Gama. "

Acedam a página no FB onde está a informação disponível: http://www.facebook.com/LugaresEPalavrasDeNatal

sexta-feira, novembro 23, 2012

As Trevas da Paixão - Santiago

Dias depois, e depois de uma lavagem cerebral em modo Diana, decidi e cheguei à conclusão que efectivamente não ia perder nem mais um segundo da minha vida a lamentar ter sido enganada por um merdas como ele.
                Mas se pensam que ultrapassar uma situação destas é fácil, esqueçam, porque não é! Estar perante uma situação de traição é como se nos estivessem a asfixiar muito lentamente. É como se nos espremessem os pulmões muito devagarinho, para que possamos sentir todos os passos da asfixia e guarda-los na memória.
              Mas para mim, chega de choradeiras por alguém que não merece sequer o meu desprezo!
Perguntam vocês se por ventura ele não apareceu a pedir desculpa, ou com falinhas mansas? Não. E foi melhor assim, porque com esta atitude só mostra efectivamente a raça de cão que é…
Ainda debruçada sobre o assunto, num recôndito canto da minha mente, sou puxada para o meu trabalho depois de ouvir uma leve pancada sobre o balcão da recepção. Levanto os olhos ainda um pouco aturdida e vejo um ser do sexo masculino do outro lado a observar-me com interesse a mais para o meu gosto.
Tentei conter aquele impulso que me tinha surgido entretanto de maltratar qualquer espécime do sexo oposto. Mas o meu consciente era super profissional e não me deixou meter os pés pelas mãos.
Concentra-te Eloísa. Estás a trabalhar, lembras-te?
                Assumindo a pele da minha profissão, arrumei uns documentos e levantei-me, com um sorriso profissional digno de nota.
             - Boa tarde, peço desculpa por não o ter ouvido. – apontei para a pilha de documentos – Excesso de trabalho!
Ele sorriu. E maldito fosse. Quer dizer, será que não podia encontrar nos próximos tempos homens feios e gordos e a cheirar mal?
Não! Claro que não! Tinham que aparecer homens bonitos e bem constituídos. Com vozes cadenciadas e sensuais…
Ohhhh mãezinha, quero morrer…. Choraminguei interiormente enquanto os meus olhos se deliciavam com o que viam.
O homem que estava diante de mim não tinha nada a ver com o outro, e mesmo que estivesse naquela fase de odiar todo o sexo masculino, não consegui evitar fazer comparações e tirar-lhe as medidas.
                Este homem desconhecido tinha cabelo curto e loiro, com uns olhos azuis que não pareciam de verdade. Era ligeiramente mais alto que o outro e visivelmente mais maduro, possivelmente bem mais velho. Tinha também um bom porte atlético, uns ombros largos debaixo da t-shirt simples e preta.
Discretamente, olhei para baixo, como quem procura uma esferográfica e reparei que pelas calças de fato treino e as sapatilhas devia estar a regressar do ginásio ou a dirigir-se para lá, uma vez que não estava nada transpirado. Ou talvez não transpirasse.
Eloisa! Foca-te! Concentra-te! Trabalho!
                - Ah… Hum… em que posso ajudar? – voltei a perguntar.
Ele sorriu-me de trejeito. Um sorriso malandro.
                - Assim fica muito melhor. – disse ele.
                - Como? – disse eu sem perceber nada. Aquele momento estava a começar a ficar surreal. – Desculpe, não percebi.
                O homem fez um sorriso de lábios cerrados como quem diz «eu sei uma coisa que tu não sabes», meteu as mãos descontraidamente aos bolsos e disse:
               - Não que tenha nada a ver com isso, mas no outro dia estava tão furiosa que pensei que me ia bater. – disse ele divertido.
                Bem, já podem imaginar qual foi a minha reacção. Primeiro, fiquei vermelha como um tomate. Depois, fiquei a pensar que o rapaz era maluco! Mas essa hipótese já só durou um segundo porque de imediato os meus neurónios meteram mãos à obra e fez-se luz na minha cabeça: a revista!
-Ho, desculpe…eu… - tento desculpar-me mas em vão, pois esta criatura do sexo masculino interrompe-me.
              -Por favor, nem tente. – diz ele, num tom sério. – Naquele dia vi bem que você não estava em si, é compreensível. – Tranquilizava-me
- Sim bem… - sinto-me envergonhada pelo escândalo que dei no meu próprio local de trabalho, “Maldito fosse aquele canalha mentiroso!”
-Sabe que fica encantadora corada? Acredito seriamente que tenha metido tudo o que é pila no mesmo saco. Cretinos, desumanos.
Esqueçam, não era uma pergunta, mas uma afirmação. Como se de facto esta constatação estivesse tatuada no meu rosto. Sinto as faces mais coradas pelo vocabulário usado, “pila”, sim bem sei o que isso é, quem não sabe? Mas ouvir assim? Na recepção, com clientes que possam ouvir? Nunca na vida, e sinto as faces a arderem-me.
Tento responder qualquer coisa mas a minha boca simplesmente secou e parece que ficou colada.
-Parece que a escandalizei? – questiona ele num tom meloso, olhando em volta como um amante que tenta roubar um beijo às escondidas. Eloisa! Nossa Senhora, enlouqueceste?” Repreende-me o meu subconsciente.

 – Bem, não começamos da melhor forma. – o cavalheiro volta à sua postura normal, como um cliente normal, e não um deus debruçado no balcão. – Santiago, ao seu dispor menina.
Sorriu, enquanto fazia uma pequena vénia e eu, sem me conseguir conter, dou uma gargalhada.
                -Eloisa, e em que posso ajuda-lo? – questiono de novo, e com o bom humor ao de cima, esquecendo por momentos a traição que sofri.
-Bem Eloisa, o problema é que eu ia para o ginásio aqui do hotel, mas esqueci-me do meu Blackberry no quarto, e quando ia para busca-lo reparei que também deixei o cartão no quarto. Logo, não consigo entrar nele. – confessou dramaticamente como se o mundo estivesse a chegar ao fim e eu novamente, sem me conter, desmancho-me a rir à gargalhada, o que não é nada profissional, mas a maneira dele ser deixa-me tão à vontade que não me consigo controlar, e depois o dramatismo da situação não vem ajudar em nada.
-Por favor minha bela dama, não se ria. – pede com um olharzinho que me fez lembrar o Gato das Botas[1]  . – Esquecer-me do meu Berry[2] já é mau, mas esquecer-me do cartão para entrar no meu quarto é péssimo. Por acaso quando dei pelas falhas ainda me vi de alto a baixo – e aponta para o espelho grande que está no Hall do Hotel. – Para confirmar se não vinha com a toalha na cintura e o cabelo com champô. E ainda lhe digo mais, já que ainda se ri da minha desgraça, corri até ao parque de estacionamento com medo de ter estacionado lá um navio. – termina ele com um tom sedutor e super dramático.
Sem me conseguir conter a imaginar um navio “estacionado” no parque, desato à gargalhada desalmadamente com as lágrimas a rebolarem pelo meu rosto, as minhas bochechas começam a reclamar de tanto rir, mas não me consigo conter e quando olho para ele ainda a rir, vejo que ele também ri.
- Pelo menos já a fiz rir, já me sinto melhor. – confessa, eu por fim recomponho-me.
- Diga-me o seu nome completo e o número do quarto se faz favor. – falo entre inspirações para me tentar conter e acalmar o riso, ele diz-me o nome e o nº e eu dou-lhe outro cartão de acesso ao quarto dele. – Aqui tem, boa estadia e por favor… não se esqueça de mais nada. – sorrio
-Acredite, vou tentar não me esquecer.
 

[1] Alusão ao filme da Pixar, olhar esbugalhado do personagem do gato das botas, quando quer parecer inocente.

[2] Diminutivo de Blackberry.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Primeira entrevista ao Blogue "O Nosso Mundo Sobrenatural"


Boa Tarde minhas queridas e meus queridos leitores.
 Hoje tenho dois boas noticias para partilhar convosco, se bem que uma por boa se seja e má também (para mim)

 Primeiro: o nosso mundo sobrenatural foi entrevistado pela a administradora Rute do Blogue Rute Canhoto. Muito obrigada querida por esta oportunidade, gostei muito. E para quem não conhece este bloguinho aconselho a irem espreitar, vão gostar :)

Deixo-vos aqui o link
Livros&Blogues| Books&Blogs




Segundo: A partir de Dezembro ao que tudo indica terei muito mais tempo para fazer as actualizações e tudo o que ate agora tenho pendente aqui no blog (opiniões/sugestões). Pois e vocês perguntam-se porque não é? Bem devido a crise, o café-restaurante a onde trabalho, está a fazer uns cortes. Até que chegou as empregadas, neste caso eu. Foi dispensada, o que não quer dizer que mais tarde se melhorar não volte para lá para ir trabalhar. Assim sendo como mencionei anteriormente em Dezembro terei muito tempo livre. Boas noticias han...

Beijinhos até breve


sexta-feira, novembro 16, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião #5

     Conhecem a expressão «calma, que antevê a tempestade»? Eu estava nesse estado quando a pausa da manhã chegou. A dor de cabeça tinha passado. O ritmo cardíaco tinha estabilizado. A minha irritabilidade tinha sido reduzida para níveis aceitáveis… e o café estava uma delícia. Até o pequeno pastel de nata que sobrara do evento estava divinal.
Quando regressei ao meu posto, podia ter ido directa ao balcão da recepção. Mas sou uma criatura curiosa por defeito. Ou talvez por feitio. E não resisti em espreitar as revistas da alta sociedade que estavam amontoadas nas mesinhas da sala mais oeste do hotel. Os raios de sol entravam pelas janelas altas e contínuas que proporcionavam um ar mágico àquele lugar. Fosse verão, fosse inverno, era uma delícia, ver o dia lá fora através daquelas janelas.
      Aproximei-me da primeira mesa e pesquisei as revistas, vendo aquelas que mais destaque davam ao evento. Seleccionei duas delas, voltei a espreitar o corredor: não vem ninguém, boa! Sentei-me num pequeno banco junto da janela, um sítio estratégico que me permitia ver e ouvir, caso alguém se aproxima-se da sala, e comecei a folhear as páginas da primeira revista.
      Muito glamour, muita gente bonita e bem vestida. Confesso que senti não uma, mas várias pontadas de inveja, enquanto virava as páginas e imaginava Sebastião a rodopiar e a cumprimentar todas aquelas mulheres bem vestidas, exibindo os seus fatos Gucci e vestidos Chanel. As jóias Pandora e os sapatos Prada. As bolsas falsificadas ou não, Louis Vuitton
As crónicas diziam que o evento fora um verdadeiro sucesso, dedicando uma coluna inteira ao jovem relações públicas, Sebastião!
     Sabem o que senti neste momento, ao ler o que os jornalistas escreveram sobre o meu namorado, ascendente a noivo, quase marido? Senti um enorme orgulho, uma enorme felicidade, senti…senti… Nem consigo descrever o que senti, mas digo-vos do fundo do meu coração, que não podia estar mais feliz por ver Sebastião a atingir os seus objectivos profissionais e comecei logo a magicar uma maneira bastante marota de festejar com ele o seu momento de luz. Sebastião merecia ser agraciado e mimado. E eu até sabia uma ou duas maneiras de lhe meter um sorriso tridente no rosto por umas horas.
      - Oh, sim … – disse eu para a revista que tinha no colo, histérica e morta por sair do trabalho e encontra-lo – ele vai amarrrrrr!
      Continuava a sorrir com toda a força com que os meus músculos do rosto esticavam, quando mudei de revista. Esta era mais fina, mas muito conceituada no mundo da alta sociedade. Não demorei a chegar às páginas reservadas ao evento do hotel “Estrela do Horizonte”.
      Uma pergunta, de quanto tempo acham que é o recorde mundial do Guinness no que a mudanças emocionais diz respeito? Não sabem? Pois eu fiquei a saber em primeira mão, pena não ter apontado ou levado um cronómetro para registar, porque de certeza que obtinha o título.
      Diante dos meus olhos, ali, escarrapachado nas folhas do meio da revista, quase a fazer poster, estava uma mega fotografia, cercada de muitas outras, onde os meus pobres olhos viam Sebastião por todo o lado, a beijar e a ser beijado. E desenganem-se se pensam em beijos de cumprimento, cordiais e sem afecto. Estou a falar de beijos ardentes e desavergonhados. Nojentos e sem carácter que me deixaram atónita durante um tempo. Tempo suficiente para ouvir o meu lado racional aos gritos dentro da minha cabeça a dizer sem parar para respirar: Bem feito! Bem feito! Bem feito! Bem feito!
      Fechei a revista com esperança de que, quando a voltasse a abrir, a fotografia da traição tivesse desaparecido e que aquilo que os meus olhos viram não passava de uma partida alucinogénia provocada por uma overdose de aspirinas, mas não. As fotografias não desapareçam, Sebastião continuava ali, impresso em milhentas revistas, espalhadas de norte a sul do país, mostrando ao mundo como se traía em Portugal.
     Céus! Isto não pode ser possível, não pode ser verdade.
Enquanto eu tento negar o que os meus olhos estão a ver, algo no meu peito parece partir, um frio imenso invade o meu peito, parecendo que me está a congelar por dentro.
      -Ele mentiu-me! – Oiço-me a sussurrar uma e duas vezes, alguém chama pelo meu nome, mas está tão longe que por momentos penso que estou a sonhar ou que morri de desgosto. A revista é-me retirada das mãos e as vozes que sussurram aumentam.
Meio trôpega levanto-me e quase que caio, mas alguém me agarra.
      -Estás em choque. – diz alguém.
É uma voz masculina mas não a reconheço. Consigo chegar à revista, agarro nela e vejo a imagem novamente, e dou por mim a dizer:
      - Vou mata-lo…

      Dito isto saio do hotel e procuro o meu carro, não sei como cheguei a ele, não sei como cheguei a casa. Limpo a cara com as mãos, que estão húmidas. Dirijo-me ao quarto e o silêncio é tal que se caísse uma pena iria dar a sensação que seria um terremoto.
      -Traidor. – Sussurro de novo e dou um ponta pé na porta. Esta abre-se com um estrondo quando embate na parede do quarto.
Vejo Sebastião a dar um salto na cama, ficando sentado e maravilhosamente nu à minha frente
      -Ao menos tomas-te um banho? – Pergunto, raivosa.
      -Ah? O Quê? Querida, o que se passa? – se eu não tivesse visto as fotos, até acreditava naquele olhar inocente e confuso, mas sei que ele está a mentir, a fingir descaradamente.
      -Amor, vem cá – incentiva ele dando uma palmadinha na cama. – Não me digas que a equipa partiu alguma coisa? – Questiona num tom sério.
     -Oh não, a equipa não. - Confesso com um sorriso perigoso a bailar nos meus lábios – Aliás… a equipa foi muito eficiente. – respondo-lhe com ironia e caminho na direcção da cama e por momentos tenho um déjà vu animal, sinto-me como uma leoa a observar a sua presa, e a melhor maneira de a caçar.
      -Então, porquê esse olhar? Confesso que me assustaste, era preciso abrires assim a porta? – questiona num tom meloso, mas a irritação na voz não me passa despercebida.
      -Assustei-te foi querido? – ironizo
      -Bem, um pouco. Pregaste-me um susto de morte.
      -Morte? – sorri de orelha a orelha – Engraçado, porque eu vim o caminho todo a pensar numa maneira de te matar de forma lenta…. – não termino, pois ele agarra-me pela cintura quando chego à beira da cama.
      -Espero que seja de prazer, meu anjo. – sussurra no meu ouvido e o meu estômago dá voltas.
      -Não… - afasto me – O Prazer seria só meu!
Atiro a revista contra a cara dele. Ele agarra nela e vê a foto que eu vi. Por momentos fica em silêncio, mas depois ri.
      -Querida, foi um acidente, acredita, a rapariga ficou entusiasmada e atirou-se a mim, eu afastei-me assim que consegui.
Foi a gota de água, quando termino de ouvir tal barbaridade, a raiva toma conta de mim e atiro o candeeiro contra ele.
      -Acidente, filho de uma cadela no cio? Acidente vai ser quando eu te abrir a cabeça ao meio, meu porco sarnento – grito-lhe enquanto atiro tudo o que encontro contra ele. – Fora daqui, meu merdas, falso, traidor, nojento, fora. – continuo a gritar e atirar coisas, ele tenta fugir para não lhe acertar com nada.
Aproveito e vou ao roupeiro, tiro tudo o que é dele e atiro pela janela. Sebastião fica de boca aberta a olhar para mim.
      -Sai daqui, fora da minha casa, já!
      -És louca – gritou ele em resposta
      -Oh sim, ainda não viste nada. Agora, fora!
      -Assim?– pergunta chocado - Nu?
      -Sim, assim nu, para sentires a vergonha que eu senti. – Num instante regresso da sala com um dos ferros que está na lareira e aponto a parte afiada e em bico na direcção dele. – Fora! Não me faças repetir de novo, porque se não furo-te todo ate pareceres uma fonte defeituosa!
      -Cristo, és louca! – Sebastião arregala-me os olhos como se eu fosse uma assombração e desaparece da minha casa.
Quando a porta se fecha, caio no chão a chorar.

*** ***
 

quinta-feira, novembro 15, 2012

sexta-feira, novembro 09, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião #4

Sabem quando acordamos com a esperança que aquele mau pressentimento tivesse desaparecido e damos connosco a constatar que afinal durante as horas de sono, se intensificou ainda mais? Pois, foi exactamente isso que me aconteceu. Pensei acordar envolvida nos braços de Sebastião, com a erecção dele sempre pronta para mim, a esbarrar-me as nádegas, mas não, a única coisa que encontrei foi a mesma cama vazia de quando me deitei e um enorme sobressalto no coração quando constatei que ele ainda não tinha chegado sequer.
Verifiquei o telemóvel e nada. Nem uma mensagem, um aviso, um maldito kolmy. Nada.
                Tentei não me pôr a pensar asneiras sobre isto ou aquilo, afinal de contas um evento daquela envergadura podia muito bem ter durado até de manhã e ele ter bebido uns copos a mais e ter optado por ficar no hotel em vez de regressar a casa atrás do volante. Era isso. De certeza que tinha sido isso.
                Enquanto a máquina do café aquecia, vesti-me e maquilhei-me rapidamente. Prendi o cabelo num rabo-de-cavalo e peguei na bolsa. Comi uma torrada e bebi um pouco de café com leite. Costumava comer e beber mais, mais tinha ainda a nuvem de enxaqueca a pairar sobre mim, pelo que o sentimento de náuseas não me deixou comer como devia. Era isso, ou então eram as constantes incertezas das não notícias de Sebastião que me estavam a deixar doente.

              Os restos do mega evento do hotel “Estrela do Horizonte” eram visíveis da estrada de acesso. Carros e carros, amontoados no parque de estacionamento. Toneladas de sacos pretos, contendo lixo, amontoavam-se nas traseiras à espera que os serviços camarários viessem recolher os restos. E assim que estacionei o carro, no aparcamento específico para os funcionários, vi Sebastião a dirigir-se ao seu próprio carro. E agora?
                Não esperei pela resposta que ninguém me ia devolver. Saltei para fora do carro e como uma tolinha, corri na direcção sele, chamando-o. Sebastião voltou-se, um pouco aturdido pela minha voz um bocado estridente demais para aquelas horas da manhã, onde os raios de sol mal se viam.
                - Ei… Bom dia! – disse ele quase num murmúrio, levando os dedos longos e habilidosos às fontes. Sim, o meu grito deve tê-lo incomodado e esse aspecto veio consular o meu ego como os braços de uma mãe quando embala o seu bebé.
                - Então, como correu o evento? Oh, espera. A julgar pelas horas, deve ter sido um sucesso. – disse sem conseguir conter os meus ciúmes e paranóias. A minha cabeça pulsava cada vez mais de força. Sentia o sangue a correr dentro das minhas próprias veias, mas consegui esboçar um sorriso profissional digno de um Óscar[1].
                Sebastião observou-me durante uns segundos, tentando ver através dos meus olhos, quão furiosa estava com ele. Sabia que se ele me conhece-se bem, saberia ver que apesar do sorriso rasgado e falso interesse, estava preocupada com a nossa relação e magoada com ele por não me ter dito nada a noite toda.
                - Oh bebé, então? – ele aproximou-se e abraçou-me. Beijou-me o cimo da cabeça e deu-me um breve beijo nos lábios.
                Momento esse, que devo confessar, aproveitei para ver se existiam marcas de batom nos colarinhos da camisa, ou mesmo na pele. Aspirei profundamente mas ele apenas cheirava a Sebastião e a fumo. A minha parte romântica deu saltinhos de alegria chamando-me nomes por querer ver coisas onde não existiam. Por outro lado, o meu lado racional e inteligente alertava-me com um placar sonoro e luminoso que o pior estava para vir. Faltava-me agora decidir a qual das partes devia dar ouvidos.
                E o que é que uma mulher faz quando está apaixonada? Deixa-se ir.
                - Senti saudades tuas… a minha cama não é a mesma quando tu não estás… - disse, ainda encostada aos lábios quentes dele. Sim, eu sei, foi uma declaração pirosa, mas que se pode fazer? O amor deixa-nos assim, pirosos. Afastei-me do perigo que era a boca dele e observei-o - Então, correu bem ou mal?
                - Bem? Melhor não podia ter corrido. – disse ele com uma satisfação invejável. Uma confiança digna de reis.
No entanto o meu lado racional pisou-me o pé em alerta, ali o menino estava a falar de dois assuntos ao mesmo tempo. Conseguia sentir o subterfúgio daquela frase…
Sebastião bocejou, e desculpou-se, interrompendo o bocejo com a mão, acariciando-me depois o rosto. Pousou os olhos no relógio e franziu a testa.
              - Não entras às 6h? – mostrou-me o relógio – Já estás atrasada e eu também. A noite foi longa e eu preciso de dormir.
Sebastião beijou-me no momento que eu me preparava para lhe pedir mais pormenores sobre a noite. Mas para além do bocejo dele tinha também o meu horário de trabalho para cumprir e não queria boatos do tipo: «Chefe de recepção chega atrasada porque esteve a namorar com o R.P. no parque de estacionamento do hotel onde ambos trabalham.»
- Está bem, mas depois quero saber os pormenores todos! – disse, roubando-lhe um beijo, ficando a vê-lo entrar no imponente mercedes e posteriormente sair do hotel.


[1] É um prémio entregue anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Sabem quando chegamos ao nosso local de trabalho e nos salta a tampa, porque quem devia ter feito o serviço não o fez? Porque segundo se lembrava, os seus queridos superiores não queriam “falhas” e por isso contrataram uma equipa especializada para que tudo corresse bem na organização do maldito evento? Pois bem, então agora, enquanto observava a confusão em que tinham transformado o guiché da recepção, dei comigo a pensar na forma mais correta e educada de os mandar chamar a dita equipa para voltar a organizar aquilo. Sinceramente apetecia-me virar costas àquela porcaria toda e ir para casa. Meter baixa médica. Inventar um funeral… Quer dizer, nem precisava de inventar, Emma tinha falecido e era estrangeira, podia muito bem ir ao funeral da desconhecida numa atitude de penetra e Diana arranjava-me sem respirar, uma declaração para entregar nos recursos humanos.
Felizmente ou infelizmente sempre fui muito profissional, reuni as tropas, arregaçamos as mangas e tratamos de organizar os cartões dos quartos, as folhas dos check in/ out. Fazer as contas do caixa da recepção e dos bares e passar todos os valores à contabilidade. Mas de uma coisa podem ter certeza, na próxima reunião de pessoal eu ia soltar os cães, ou não me chamava Eloísa.
Infelizmente o meu stress estava apenas e só a começar. Depois de termos arrumado a recepção de uma ponta a outra, depois de termos entregue as contas ao departamento de contabilidade que viu de imediato – assim como eu – que as contas não batiam certo, e de ter começado a receber os primeiros clientes da manhã, eis que o meu verdadeiro pesadelo começa.
As minhas fontes latejaram com tanta força que pensei que um aneurisma se tinha rebentado dentro da minha cabeça. A guinada tinha sindo tão intensa que perdi a visão por momentos. Equilibrei-me no balcão e uma das minhas miúdas, Isabel, foi-me buscar um copo de água.
Já repararam numa coisa, para nós portugueses, um copo de água é quase um milagre! Estamos enjoadas: bebe um copo de água que isso passa. Estamos com dores de cabeça: bebe um copo de água que isso passa. Estamos furiosos: bebe um copo de água que isso passa…
Estava já com o copo de água na mão, e com uma Isabel muito preocupada a observar-me atentamente, enquanto os músculos da minha garganta obrigavam a água a descer pelo esófago em direcção ao estômago, quando o nosso conhecido colega, Roberto, nos entrou pela recepção dentro, puxando o seu carrinho de entregas, contento as habituais revistas e jornais diários que dispúnhamos nas salas comuns, onde os nossos hospedes podiam sentar e porem-se a par das mais recentes noticias. E claro, depois do evento da noite passada, as revistas da alta sociedade não falariam certamente de outra coisa.
Isabel, esperta e pronta, como sempre, tomou conta da recepção das revistas e jornais, enquanto eu procurava dentro da minha mala a caixa das aspirinas. Pelos vistos as enxaquecas estavam de volta e antes que elas se lembrassem de me rebentar logo pela manhã, tinha que reforçar a dose. Quando regressei ao balcão principal já Roberto se tinha ido embora, deixando-me as melhoras.
Aproximei-me de Isabel, que separava as revistas da alta sociedade dos jornais diários para dar uma vista de olhos às primeiras impressões sobre o evento, quando um hóspede aos gritos, rompeu o átrio da recepção, gesticulando freneticamente na nossa direcção, mas falando o seu inglês tão serrado que nem eu nem Isabel conseguimos perceber o porquê de tanto alarido. Não cheirava a fumo, logo o hotel não devia estar a arder.
- Querida, não te importas de dispor as revistas nas salas por mim? – disse, com um pé fora do balcão – É melhor ver o que Mr. James necessita, antes que tenhamos a armada inglesa em peso não tarda nada.
Isabel riu-se da minha careta e apressou-se no seu trabalho de separação e dispersão dos respectivos jornais. Eu, pobre de mim, tive que lidar com a minha maldita dor de cabeça e com o escândalo exagerado de Mr. James, tudo, porque lhe tinham servido «Green Tea» em vez de «Grey Tea». A sério, eu devia receber um prémio, não só por ser a funcionária do ano, como por ter a capacidade de lidar com ingleses manientos e snobs[1]que não conseguem reconhecer um engano, esquecendo-se certamente que eles também são humanos… Bom, enfim. Sou a super mulher, que posso fazer?
 


[1] Pessoas que se acham superiores. Normalmente possuem títulos académicos.

 

terça-feira, novembro 06, 2012

Novidades

Ilusões 
Série Wings Vol. 3 
de Aprilynne Pike
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 304
Editor: Edições Contraponto

 Sinopse Laurel não via Tamani desde que num momento de raiva, há um ano atrás, o mandou embora. E, por muito que o seu coração ainda doa, Laurel sabe que David foi a escolha certa. Agora que a sua vida estava a voltar ao normal, Laurel descobre que um inimigo oculto está a cercá-la. Mais uma vez, Laurel vai ter de pedir ajuda a Tamani para a proteger e ajudar, uma vez que o perigo que agora ameaça Avalon é mais poderoso do que aquele que uma fada poderia imaginar - e, pela primeira vez, Laurel não pode ter a certeza de que o seu lado sairá vencedor.



Obras anteriores:


O Beijo dos Elfos 
Série Wings Vol. 1 
de Aprilynne Pike

N.º 1 da lista de best-sellers do New York Times
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 256 Editor:
Edições Contraponto




Feitiços 
Série Wings Vol. 2 
de Aprilynne Pike
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 296
Editor: Edições Contraponto

Novidades

As Brumas de Avalon 
Volume IV - O Prisioneiro da Árvore 
de Marion Zimmer Bradley
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 304
Editor: Saída de Emergência

 Sinopse No derradeiro volume deste clássico, Morgaine vai ao encontro do seu destino que a coloca contra Artur - o seu amante, irmão e agora inimigo. Ao regressar a Camelot durante o Banquete de Pentecostes, Morgaine acusa Artur de comprometer a coroa, e exige que este lhe devolva a espada mágica Excalibur. Mas Artur recusa e Morgaine tenta de tudo para o travar, nem que para isso tenha que usar as pessoas que ama para o desafiar. Quando Avalon se sente traída por Artur, Morgaine invoca a sua magia para lançar os companheiros de Artur numa demanda pelo cálice sagrado. Os eventos escapam ao controlo de todos quando Lancelet regressa e sucumbe de novo à sua paixão por Gwenhwyfar. Mas o Rei Veado tem assuntos mais importantes como a guerra decretada por Mordred que pretende usurpar o trono de Camelot. Conseguirá o mundo de Avalon sobreviver ou será forçado a desaparecer nas brumas do tempo e memória?

Obras anteriores:




As Brumas de Avalon 
Volume I - A Senhora da Magia 
de Marion Zimmer Bradley 
O clássico Arturiano que revolucionou a fantasia
Edição/reimpressão: 2012 
Páginas: 304 
Editor: Saída de Emergência






de Marion Zimmer Bradley 
Edição/reimpressão: 2012 
Páginas: 288 
Editor: Saída de Emergência








As Brumas de Avalon 
Volume III - O Rei Veado
de Marion Zimmer Bradley
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 272
Editor: Saída de Emergência

sexta-feira, novembro 02, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião #3

      - Tens certeza de que não precisas de uma licença qualquer para poderes sair com esta coisa no dedo? – perguntou Diana sem me largar a mão, observando o lindo anel de ouro branco com um enorme diamante a cintilar descaradamente como se estivesse a gritar «esqueçam a  mulher, olhem para mim».
                - Nos dias que correm só preciso de ter cuidado para não ficar sem mão, caso me tentem assaltar! – disse eu, tentando mexer a mão, sem sucesso. Diana só me largaria a mão depois de ver todos os pormenores do meu novo anel.
                - Devias fazer um seguro de vida só por causa deste menino. – disse ela, ainda a observar o anel. Depois, num aparatoso abraço, esmagou-me contra ela, gritando-me ao ouvido – Parabéns amiga! Parabéns! Estou tão feliz por vocês.
                - Calma Diana, é só um anel… - disse eu, tentando afastar-me, escusado será dizer, que sem sucesso e quase surda.
                - Um anel! Miúda, caso não tenhas reparado, este anel – Diana pegou-me na mão e ergueu-me o dedo anelar direito – Dava para eu fazer a viagem dos meus sonhos aos states[1]com direito a gastar umas boas verdinhas na 5ªavenida. Além disso, se um homem torna a liberdade de nos presentear com uma coisa destas das duas uma: Ou nos ama, ou nos anda a trair descaradamente!
                - Diana, que disparate! – consegui eu dizer depois das palavras dela me terem atingido como mil balas.
                - Os homens em geral são uns seres bastante detestáveis – disse Diana, marcando o código no painel digital, desactivando o alarme da sua funerária.
                E agora prestem atenção, porque isto é cómico, e pode ser que vocês consigam perceber, coisa que eu já desisti há imenso tempo: se a minha querida Diana guarda o dinheiro no banco e nunca tem dinheiro na funerária, porque insiste ela em ter um alarme todo xpto, caro como tudo, ali, onde só existem caixões de pinho e pontualmente cadáveres?
Eu sei que o mundo está estranho, mas ainda estou para descobrir alguém mais estranho que a minha querida amiga Diana.
Sim, em termos de estranhezas ela bate os recordes nacionais aos pontos.
                - Mas depois de tanto trabalho a paparicar-te. A seduzir-te. A mimar-te. Não acredito que seja a opção traição que ele tenha em vista. – ela abriu uma gaveta e puxou a sua agenda de pele vermelha. Folheou umas páginas e sorriu – Hoje tenho uma cliente. Por falar nisso, dás-me dois minutos? Preciso mesmo de ligar à Be. Para saber se a minha menina já vem a caminho.
                Digo-vos, ver o entusiasmo que ela tem com os mortos que lhe vêm parar às mãos é quase doentio! Não a visse eu a sair com pessoas, dentro dos parâmetros normais da sociedade, e pensaria que ela precisava de ser internada.
                - Vais gostar da Emma. É britânica. Faleceu ontem, vítima de uma paragem cardio-respiratória – Diana mordeu o polegar em ansiedade enquanto me lançava o seu melhor olhar condescendente – Tadinha!
                Digam-me lá o que se pode fazer em momentos como estes? Nada, a não ser abanar com a cabeça e sorrir-lhe. Diana era assim, incorrigível e apaixonada pelo seu trabalho.
Depois dela ter combinado com a Be, funcionária da morgue do hospital Espirito Santo, que coordenava o despacho dos cadáveres, Diana começou a remexer nas caixas dispostas nas estantes do seu bonito escritório, escolhendo as bases, paletes de sombra e blush que escolheria para Emma. Já tinha recebido por email um foto do cadáver para poder preparar os seus instrumentos.
                E enquanto ela pensava se usava uma base «Nude Pink» ou uma «Light Ivory»? Eu triturava a massa cinzenta dentro da minha cabeça, tentando não pensar na conclusão a que Diana chegara e que a mim nem me passara pela cabeça. Poderia Sebastião, o eterno galante, estar realmente a enganar-me? A comprar-me com bom sexo, bombons, flores e anéis?
Nahhhh, paranóia minha! Pensei para com os meus botões, porque os neurónios já começavam a reclamar de tanto serem massacrados. E antes que a miss Emma chegasse e eu tivesse que assistir pela enésima vez ao ritual de recepção de cadáveres, apresei-me a despedir-me da minha amiga e a regressar a casa. Bem, já que tinha uma folga extra e Sebastião não estava em casa, ia aproveitar a ausência dele para uma limpeza geral em casa. Daquelas limpezas «de fio a pavio» que nenhuma mulher gosta de fazer, mas que de tempos a tempos são extremamente necessárias… Ainda por cima se estivermos a partilhar a cama e o resto das divisões lá de casa com alguém do sexo oposto, que só por acaso dá todos os indícios de nos querer levar ao altar um dia destes.
 



[1] Estados Unidos da Améria. (U.S.A.)

Cai morta no sofá! Nem a andar em cima de saltos agulha durante 8h seguidas no hotel me deixavam naquele estado. Não sentia as pernas, as costas, os pés… e PIOR! Tinha arruinado por completo as minhas mãos. Duas unhas partidas, três comidas e as restantes… bem, não vou falar sequer das restantes. Ainda bem que o Sebastião não estava, caso contrário teria de usar luvas tal era a vergonha das minhas unhas.
Depois de ter descansado, completamente escarrapachada no sofá da sala, levantei-me a custo, enfiei-me na banheira com uns bons litros de água a escaldar e sais de banho suficientes para me relaxar até as pestanas. Acendi umas velinhas sem cheiro, só pelo prazer do efeito da chama e deixei a Adele[1]inundar-me os sentidos com as suas baladas e hinos ao amor.
- Hummm, isto sabe mesmo bemmmm – ronronei, deixando-me submergir mais um pouco na banheira ao som da faixa número 9 "Make You Feel My Love" do cd 19[2].
Digam lá se não sabe bem, quando estamos apaixonados, ouvir músicas românticas que nos fazem soltar longos suspiros? Que nos fazem sonhar acordadas e ver o mundo todo de cor-de-rosa? Sim minha gente, sabe mesmo bem estarmos apaixonadas.
Perdi completamente a noção do tempo, deixando que o meu corpo se engelha-se totalmente debaixo de água. E só depois do cd 19 e 21[3], terem chegado ao fim e a água começar a ficar fria é que me decidi a sair da banheira e besuntar-me com uma cheirosa loção corporal de coco, que nem uma torrada com manteiga, depois de saltar da torradeira. Hummm, e por falar em comida… O meu estômago roncou, advertindo-me que depois do esforço e do relaxamento, estava na hora de comer qualquer coisa.
Vesti umas calças de malha de andar por casa, uma camisola larga do tempo da faculdade e dirigi-me à cozinha que ainda cheirava ao detergente. Tinha fome, muita fome. Mas ver a minha cozinha tão limpa e cheirosa tirou-me a vontade de cozinhar. Calcei uns ténis, peguei na carteira e enquanto conduzia em direcção ao centro da cidade liguei para o restaurante «L’Italiano» e encomendava uma generosa dose de spaghetti arrabiata[4], um dos meus muitos pratos favoritos da cozinha italiana.
Felizmente o serviço de refeições take-way não tinha muita gente e em menos de nada vi-me servida e de regresso a casa, com o cheiro maravilhoso da pasta a entranhar-se nas narinas e a agitar-me o estômago.
Confesso que detesto fazer qualquer tipo de refeição sozinha. Gosto de conversar enquanto como, discutir as noticias e a vida que os nossos governantes levam às nossas custas. No entanto, não posso deixar de referir que desta vez o jantar soube-me maravilhosamente bem e nem dei pela falta de companhia. Devia estar mesmo esfomeada, pensei, enquanto me afundava novamente no sofá, estendida sobre a parte chaise longue, com um livro nas pernas e recomeçava a minha leitura, ao mesmo tempo que me deliciava com a sobremesa bem portuguesa: uma musse de chocolate instantânea da Alsa, de chocolate preto. Ah, é verdade, adoro chocolate!
Mas a verdade é que assim que os meus olhos pousaram nas letras, e o meu cérebro começou a processar o que estava a ler, as memórias da conversa com Diana sobre o possível noivado ou a possível traição, sobrepuseram-se à leitura. Acreditem, quando sismo numa coisam, nem a paixão pela leitura leva a melhor.
Enquanto matutava no que podia ou não ser verdade fitei o brilhante anel na minha mãe, as bonitas rosas que oito dias depois ainda estavam perfeitas e cheirosas na jarra. E todas aquelas promessas trocadas, o meu corpo e o dele, envoltos num lençol amarfanhado, depois de horas e horas a fazer amor.
Mas seria fazer amor ou simplesmente sexo? Haveria realmente uma diferença entre fazer amor e fazer sexo?
A cabeça começou a latejar. Estava tudo a ser demasiado perfeito e eu andava verdadeiramente feliz e… Bolas, agora que pensava nisso, andar demasiado feliz costumava trazer-me alguns dissabores. Umas vezes nas questões laborais e profissionais. Outras vezes relacionadas com a família… Só esperava que desta vez a felicidade extrema e a iminente enxaqueca não quisesse dizer que a minha relação com Sebastião estava prestes a desabar, e o conto encantado pronto a ser transformado numa história de arrepiar.
Preocupada com todos aqueles sentimentos analisados nas últimas horas e a morrer de saudades dele, decidi enviar-lhe uma SMS. Sebastião mantinha a nossa relação em segredo, segundo ele para não haver problemas a nível profissional para ele, mas sobretudo – palavras dele – para mim. Ainda assim não consegui evitar. Antes que a enxaqueca avançasse em força escrevi rapidamente:
«Olá amor, como esta a correr tudo? Espero que o evento esteja a correr como previsto. Morro de saudades.
Tua… Eloísa.»
Confirmei para enviar e enfiei-me na cama porque sabia que ele não me ia responder. De manhã, quando regressasse da festa, contar-me-ia todos os pormenores do evento. Por enquanto, lutando com a dor que teimava em ficar mais forte, lancei duas Migraspirina[5]pela goela abaixo e deitei-me na cama vazia e fria, pedindo em surdina que o destino não me desse um desgosto.
Não com Sebastião…



[1] Cantora e compositora britânica.
[2] 19 É o álbum de estreia da cantora e compositora britânica Adele.
[3] 21 É o segundo álbum da cantora e compositora britânica Adele.
[4] Prato de pasta típico italiano, consiste num prato de esparguete com molho de tomate muito picante.
[5] Migraspirina proporciona um rápido alívio dos sintomas de enxaqueca.