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sexta-feira, outubro 26, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião #2

Umas valentes horas depois…
                Suados e ainda unidos, eu e o meu homem de pele achocolatada disfrutávamos dos últimos gemidos prazerosos que inundavam as paredes do meu quarto. Sebastião estava hospedado no hotel onde trabalho, logo era muito mau tom verem a chefe da recepção a dar check in com um hóspede que ainda por cima trabalhava parcialmente com ela.
                - És maravilhosa! – disse-me Sebastião, enquanto saia de dentro de mim, e me beijava demoradamente os lábios. – E eu que me recusei algumas vezes a trabalhar nesta zona alentejana….
                Por pouco a minha pele dos lábios não rasgaram, tamanho era o meu sorriso deliciado. Bolas! O homem para além de lindo e corpo perfeito, sabia bem como nos deixar a babar pelos elogios. E não tinha sido preciso tirar a roupa para ele me agraciar. Desde o primeiro minuto que nos conhecemos que Sebastião era assim, um eterno romântico. Um verdadeiro cavalheiro!
                - Sabes, acho que dizes isso a todas! – atirei eu, enquanto rebolava para o outro lado da cama.
                Sebastião ergueu-se sobre um braço e fitou-me seriamente. Por momentos foi como se o tivesse visto realmente ofendido com o meu comentário. Seria possível? Quer dizer, o amor existe. A paixão também… Mas… Bolas, teria eu encontrado um homem digno da letra H em maiúsculas do pé para a mão, num proeminente ataque de riso?
                - Porque é tão difícil para ti, acreditares que nós os dois…
                A sorrir, interrompi-lhe o sorriso com um demorado beijo nos lábios em jeito de desculpa e para me redimir de o ter magoado com a minha falta de jeito para acreditar naquilo que acontece muito rápido e é demasiado óbvio e bom para ser verdade, arrastei-o atrás de mim para a casa de banho, onde voltamos a fazer amor ao som da água do chuveiro.
                Sebastião amou-me entre o sabão do gel de banho e a água corredia que jorrava por cima das nossas cabeças.
Senti-me completa. Realizada. Feliz. Domada. Saciada… e muitos outros adjectivos que de momento não me lembro mas que garanto tê-los sentido a todos. Sebastião fazia magia em mim. E depois daquela hora passada dentro da cabine de duche, comecei a acreditar seriamente que Sebastião era o meu destino. O homem era bonito. Deliciosamente atraente. Inteligente. Com uma carreira em ascensão. E estava apaixonado por mim.
Que mais poderia eu desejar?
 
Uma das melhores coisas que podemos ter quando trabalhamos por turnos, é desfrutar de uma bela tarde soalheira, quando todos os outros estão enfiados nos seus trabalhos, a esfolarem-se para cumprirem metas e atingir objectivos.
Tinha um livro pousado na mesa da pastelaria, ao lado da chávena de café vazia e, tomem nota, esticava os músculos dos braços – não era espreguiçar, porque isso é falta de educação - acima da cabeça, de maneira a alonga-los um pouco, quando reparei que um desconhecido avançava na minha direcção.
                E perguntão vocês, qual é o espanto? O espanto é que para além de ser a única pessoa sentada na esplanada, o desconhecido trazia um enorme… Não, enorme não chega para descrever, talvez gigante se adeqúe melhor, ramo de rosas vermelhas na mão e quando estava a uns meros passos de distância de mim, perguntou confiante:
                - Senhorita Eloísa?
                Bem, quando referi que estava a alongar os músculos dos braços, penso que me esqueci de referir, que simultaneamente estiquei as pernas para facilitar a tarefa! Pois, imaginem agora eu sentada, naqueles prantos e o homem a falar para mim, com aquele lindo jardim preso numa mão.
                Saltei da cadeira e ainda um pouco constrangida pela situação, coloquei uma madeixa de cabelo atrás da orelha e abanei a cabeça.
                - S-sim… sou eu.
O rapaz aproximou-se, depositou-me o gigante apanhado de rosas de veludo vermelho no colo e disse simplesmente que eram para mim. E enquanto eu me via naquele estado idiota de felicidade juvenil, o rapaz fora-se embora.
                Não fosse Diana ter chegado segundos depois, penso que teria ficar um bom par de horas no meio da esplanada, de pé, a olhar para o gigante ramo de rosas vermelhas.
                - Aiiiii queeee giroooo – gritou Diana, enquanto me arrancava o ramo dos braços e o inspeccionava com o seu olho clinico – Tãooooooo lindas! Tãoooo romântico, amiga!
                Revirei os olhos enquanto me sentava. Só Diana para fazer um alarido daqueles. Pronto, está bem, eu não fiz alarido porque ainda não estava em mim. Experimentem serem surpreendidas por um jardim ambulante de rosas de veludo importadas sabe-se lá de que canto do mundo e tentem expressar-vos decente e coerentemente.
                - Fogo amiga! Isto sim, é paixão! – Diana cruzou a perna num movimento sexy, trincando o lábio inferior como só ela sabia. Como diabo fazia ela aquilo? A nossa sorte era a esplanada estar azia, caso contrário teríamos um monte de homens a fazer flirt com ela, ou namoradas e esposas a espumarem-se de raiva e ciúme. – Ontem foram bombons… Na semana passada um relógio… Amanhã será o quê? Anel de noivado!
                - Claro que não! – disse eu, enquanto mexia a mão, tentando não lhe dar crédito.
                - Claro que não! – Diana imitou a minha voz, torcendo o nariz – Ficaste cega por acaso? Bombons, flores, prendas e o melhor de tudo! – disse ela, dando enfâse – Sexo todas as noites, com preliminares e surpresas picantes. Achas o quê? Que anda a treinar para quando for a sério?
                Não! – disse eu arrependida por lhe acabar sempre por contar demasiados pormenores. – Mas é cedo e não vou sequer pensar nessas coisas. Conhecemo-nos nem há três meses…
                - E depois? – perguntou Diana incrédula, como se eu estivesse a dizer a maior das barbaridades. – Minha filha, se o sexo é bom, e eu sei que é porque tu além de mo teres dito, nota-se nessa cara fofa. Se o homem te enche de presentes como se fosses uma princesa, por que raio te interessas tanto com as datas?! São só dias… horas… minutos…
                - Bem, isto dito pela mulher que passa a vida a trocar de namorado, passa a ter outro significado. – disse eu com falsa aceitação.
                - Eloísa! Nunca pensei ouvir isso de ti! – Diana levou as costas da mão à testa, num ar tão dramático que me pergunto porque ele não seguiu teatro em vez de maquilhagem a cadáveres? Juro, quase, notem aqui o especial significado da palavra quase, que podia acreditar no sentimento de ofensa dela. – Mas sabes? Tens razão. – Diana abriu-se num dos seus perfeitos sorrisos -  Mas isso só acontece porque ainda não encontrei a minha alma gémea. Ao contrário de uma determinada pessoa que tem tudo para ser feliz e passa o tempo todo a entupir a cabeça com «Ses» e «Mas»!
                Teria Diana razão? Bem, as histórias de amor com finais felizes para todo o sempre existiam porque certamente alguém devia ter passado realmente por uma situação assim. Logo, porque não podia eu estar a viver o mesmo tipo de conto de fadas?
Já andávamos há seis meses e tenho de admitir uma coisa. Nunca fui tão feliz, bem tratada e amada em toda a minha existência que já contava com um quarto de século e uns meses. Tinha a minha profissional a correr sobre rodas. A nível económico também não me podia queixar, uma vez que desde que Sebastião começara a trabalhar para o Hotel, os investidores decidiram aumentar os funcionários. Mas era a nível pessoal que eu sentira a derradeira mudança!
Sebastião mudara-se para a minha casa. Não fazia sentido, continuar a viver no hotel, quando passava quase todas as noites na minha cama. E o melhor de tudo? Dávamo-nos super bem.
Diana riu-se quando lhe contei, Sebastião não pingava a tampa da sanita e nunca se esquecia de dar a descarga. Não deixava a pasta dos destes aberta, e nunca mexia nas minhas coisas!
                Oh sim… estava numa lua-de-mel antecipada. E por mais que chama-se louca a Diana sempre que recebia uma SMS dela a perguntar pela data do casamento, desconfiava que estaria para breve.
                E porque digo isto, perguntam vocês? Porque ontem, depois do meu turno ter terminado e visto estar uma agradável noite, ele convidou-me para passear pelas ruas, onde as lojas de roupa, calçado e ourivesarias se estendiam de um e outro lado das ruas.
Á medida que íamos avançando, ora de mãos dadas ou abraçados, Sebastião dava-me mais dicas sobre a festa que andava a organizar no hotel.
                - Então não vão usar o staff do hotel? – perguntei de testa franzida.
                - Sim, querida. Entende, isto é um evento internacional. A empresa não se pode dar ao luxo de haver lacunas ou falhas. – disse ele enquanto me beijava a testa – Está em risco muita coisa. Não só a minha carreira, como a tua, como o bom nome do hotel.
                - Sim, mas dispensar todo o pessoal? Quer dizer, trabalhamos lá porque somos competentes.
                Sebastião parou no meio da rua. A luz do luar incidia-lhe no rosto, descendo-lhe pelo pescoço, fazendo brilhar aquela pele de chocolate. Segurou-me no rosto com as mãos e depois de me ter deixado sem ar, beijando-me como só ele sabia, abraçou-me, acariciando-me as costas, enquanto me dizia.
                - Eu tentei, juro-te pelo nosso amor, que tentei fazer com que pelo menos a tua equipa ficasse. Mas os nossos superiores foram intransigentes. Mostraram-se irrefutáveis nas suas posições. Fazer pressão podia fazer com que recuassem e optassem pro outra cadeia de hotéis.
Realmente… ele tinha razão. Era preferível um anoite de folga forçada a ir todo o staff para o desemprego, e como as coisas andavam em Portugal, era melhor não arriscar.
                - Mas tu vais estar a trabalhar! – disse eu num tom muito choroso.
                - Isso mesmo, a trabalhar! – Sebastião sorriu-me – Achas que não preferia estar entre as tuas pernas?
                - Sim… mas…
                - Vou estar a trabalhar para o nosso futuro, amor! – disse ele enquanto me puxava para junto de uma vitrine onde dezenas de anéis brilharam, sobre os escaparates iluminados da ourivesaria mais cara da cidade de Évora. – Gostas de algum?
                Fiquei perplexa a olhar para ele. Senti os meus olhos inundarem-se de água. Era muita emoção e em vez de lhe dizer alguma coisa de jeito, limitei-me a abraçá-lo e a dizer-lhe ao ouvido o quanto o amava.

sábado, outubro 20, 2012

As Trevas da Paixão - Sebastião


- Estou-te a dizer – reclamou Diana do alto dos seus sapatos Gucci, que lhe davam a mais 15cm de altura, enquanto segundo ela, procurava captar o melhor “ar” do cadáver, através dos pincéis de blush, estojo de sombras e bases de todas as cores, que segurava nas mãos como se fosse Picasso ou Monet.
                Apresento-vos a minha amiga Diana, a única pessoa que conheço que se delicia sempre que o telefone toca a avisar que alguém tinha «batido a bota». Que mais uma pessoa se tinha mudado para a terra dos pés juntos. A única pessoa que conheço que fica com um brilho no olhar, sempre que recebe um novo hospede na sua humilde funerária “ Alma do paraíso”. Decorada com elegantes e confortáveis sofás, almofadados e de veludo negro ou vermelho, consoante as salas. Sim, ela era uma mulher de negócios, estranha, mas de negócios e com um excelente bom gosto.
                - Então não achas demasiado obvio, ele atirar-se a mim, assim, do nada? – disse eu, tentando não olhar directamente para o senhor Manuel da tasca, que estava ali, morto. Enquanto a Diana lhe retocava o brilho do nariz.
                Diana parou o movimento circular do pincel e lançou-me aquele olhar «já te viste ao espelho, por acaso?» Ela pousou as suas armas de trabalho e veio-o na minha direcção.
A sério, o barulho que aqueles saltos faziam, juntamente com aqueles olhos castanhos, capazes de nos arrancar a alma pelas narinas era ainda mais arrepiante do que o Sr. Manuel da tasca, deitado no seu eterno descanso, no aconchego do cetim creme do seu caixão de pinho.
- Acredita em mim, amiga! – Diana segurou-me no queixo e fez-me olha-la nos olhos – Tens que aproveitar a vida! Ele é um homem, por amor da santa!
- Por isso mesmo! – repliquei eu, imitando-lhe o tom de voz – Não o conheço de lado nenhum!
- Mais um motivo – disse ela com um sorriso malandro, muito mal disfarçado nos lábios – Tens de o conhecer melhor. E a oportunidade de irem jantar é formidável. Além disso, ele é rico. Bonito. Tem uma pila, que mais queres tu?!
- Diana! – disse eu exasperada.
- Eloisa, minha querida! – Diana descaiu o peso para uma só anca – Vive a vida, fode o gajo e amanhã anda cá contar-me!
- Tu não és normal,…. Juro-te que não és! – disse-lhe eu quase a perder o controlo que me impedia de me desfazer às gargalhadas.
Diana regressou ao senhor Manuel da tasca para terminar o serviço, quando me disse por cima do ombro:
- Mas não venhas muito cedo! Sabes como odeio levantar-me cedo. – Diana fez uma festinha no cabelo do cadáver – mas podes mandar SMS a dizer se foi bom ou não.
- Eu não te vou mandar SMS coisa nenhuma! – disse-lhe, enquanto procurava o telemóvel para ver as horas.
 - Não só vais mandar SMS, como me vais contar os detalhes mais tarde. – disse-me ela, apontando-me o pincel. – Tu sabes, eu adoro detalhes!
- Não amiga, - disse-lhe eu, aproximando-me dela, beijando-lhe o rosto em despedida – Tu adoras homens!
...
Sabia que estava perfeita, mas uma mulher que se prese, inventa sempre uma desculpa para incluir uns tantos «se» enquanto nos observamos ao espelho. Eu chamo-lhe humildade, mas se Diana estivesse presente chamava-lhe outra coisa.
Um jantar, era um jantar. Mas como Diana tinha dito e bem, Sebastião era um homem lindo e charmoso. Aquela pele achocolatada um verdadeiro deleite par as vistas. E mais tarde quem sabe para as mãos também.
Ajustei o vestido mais uma vez. Um vestido preto e justo, com um decote generoso nas costas, e bastante discreto na frente. Uns sapatos de salto agulha da mesma cor, o cabelo solto e um pequeno bracelete no pulso e voilá. Pronta para o primeiro jantar romântico dos últimos anos.
Claro que não sou virgem, e já tive outros relacionamentos. Mas sabem aquela sensação que é desta que assentamos? Pronto, era a sensação que tinha quando estava com Sebastião, independentemente de nos conhecer-mos há meia dúzia de dias.
Sebastião foi como um raio de sol naquele entediante dia de trabalho. E não estou a falar apenas fisicamente. O homem tinha uma cultura para lá de normal. Falava de tudo. Discordava das coisas de forma cavalheiresca e elogiava-me ao ponto de eu ficar a arder só de o ver mexer os lábios. Ainda por cima tínhamos trabalhos relacionados. Eu como recepcionista chefe do hotel, ele como relações publicas de uma famosa emprega de R.P. que estava em Évora a aprestar consultadoria a várias infra-estruturas hoteleiras.
                «- Minha querida, agora que te encontrei, eles não terão outro remédio se não contratar-me!» Disse Sebastião com aqueles olhos castanhos enormes e hipnotizantes. Sim, a nossa química tinha sido explosiva. Por pouco, muito pouco, não o tinha arrastado para dentro da sala do pessoal do hotel, lhe arrancado a roupa e fazer sexo ali mesmo, naquela mesma hora…
                - E por falar em horas… - disse eu enquanto observava as horas e abanava a mão junto das bochechas para fazer acalmar os calores.  Peguei na bolsa preta, pequena e discreta, e à medida que fui avançando pela minha casa, fui apagando as luzes que tinha acendido aquando a correria de me preparar para ele.
Ohhhhh, simmmmm,era tão bom ter alguém para quem nos pudéssemos aperaltar, “impiriquitar”, ter uma overdose de perfume e sorrir como uma tolinha de cada vez que nos lembramos do nome dessa pessoa! Até ficava contente por o despertador tocar de amadrugada, porque sabia que o ia encontrar no local de trabalho fosse de manhã, de tarde ou à noite.
Sim, já sei, são os sintomas da paixão que nos fazem dizer estas coisas e ter estas atitudes e era porque a paixão entre nós tinha sido tão avassaladora e instantânea que eu reagia como se estivesse com ele há uma vida…
                Sebastião chegou no mesmo instante que alcancei o último degrau de acesso à rua. O seu maravilho mercedes super desportivo SLR Mclaren dava imensamente nas vistas. Tal como Eu!
Sebastião saiu do carro e enquanto se apressava a abrir-me a porta do carro, como um perfeito cavalheiro, não pude deixar de me sentir deliciada por ser alvo daquela atenção. Daquela luxuria. Conseguia ler-lhe nos olhos: «comia-te aqui e agora.». E não era de todo má ideia, não fosse o facto de eu estar cheia de fome e de desejar com todas as minhas forças ir jantar com ele.
- Olá – disse-lhe eu enquanto me inclinava para lhe dar um beijo.
               - Olá não, anda cá! – Sebastião agarrou-me a cintura com rudeza e puxou-me para ele, mergulhando aquela língua quente e malandra dentro da minha boca, fazendo-me arquejar de desejo.
Pronto, se calhar íamos ter de adiar o jantar por umas horas…
                Beijamos na rua, completamente alheios aos que nos rodeava. Absorvidos de uma tal maneira na dança das nossas línguas que só nos separamos quando um agente da PSP se apresentou em voz alta com um barulhento desobstruir da garganta, que me deixou ainda mais vermelha.
- Considerando o tamanho de ambos – disse o agente da autoridade – Creio que entendem que a via publica não é de todo, o melhor local para este tipo de comportamento.
                Juro-vos por todas as estrelinhas que existem no céu: Não me queria rir. Juro que não. Mas é sempre mais forte do que eu. Há quem chore nas situações mais complicadas. A mim dá-me para rir à gargalhada como uma louca destrambelhada.
- Desculpe senhor agente. Lamento imenso. – Sebastião abriu a porta do carro e enquanto me enfiava no lugar do passageiro, ele desculpava-se com toda a polpa e circunstância dos meus ataques de riso. – Sabe como é… declarei o meu amor e ela ficou fora de si!
                O agente esfregou o queixo enquanto eu continuava a resfolegar o riso, ponderando se não me devia fazer o teste de alcoolémia ou drogas.
                - É melhor levar a sua noiva antes que tenham de me acompanhar ao posto. – o agente levantou a pala do chapéu num cumprimento – Passem bem.
Noiva?! Teria ouvido bem?
                Durante o curto percurso, desde a minha casa até ao restaurante de luxo que Sebastião escolhera para o nosso jantar, consegui terminar com o ataque de riso, muito provavelmente devido aquela maldita e contante palavra de cinco letras que pulsava no meu cérebro a cada batida do coração. Noiva! Noiva! Noiva
                Não! Não podia ser. Era tão cedo! Conhecíamo-nos nem há um mês, por amor de Deus! Respirei fundo quando o mercedes abrandou no parque de estacionamento privado do restaurante de luxo, e mentalizei-me de uma vez para sempre que aquilo do amor declarado tinha servido única e simplesmente para evitar uma passagem na esquadra mais próxima. Ouviste bem Eloísa? Foi uma desculpa miúda, nada mais. Deixa os filmes para o Manuel de Oliveira[1]sim?
                Sebastião abriu a porta do carro e estendeu-me a mão para me ajudar a sair. Tinha umas mãos tão macias e longas, um contraste delicioso que me deixava em brasa só de pensar no que aquelas mesmas mãos poderiam fazer por mim mais tarde… O meu estômago roncou no máximo volume. Uma coisa muito elegante, não haja dúvida nenhuma. Tentei disfarçar mas aquele líquido vermelho que me corre pelo corpo atraiçoou-me, fazendo-me ficar da cor de um tomate bem maduro.
- Não tens noção do que essa cor rosada me faz, poi não, baby? – ronronou Sebastião ao meu ouvido, enquanto me abraçava a cintura e me encaminhava para a entrada.
Eu, feita tonta, limitei-me a lançar-lhe o meu mais lânguido sorriso. Quando o empregado de mesa, elegantemente vestido, nos recebeu na entrada, enquanto Sebastião lhe dava o nome da reserva que tinha feito posteriormente, ele deslisou a mão que me segurava a cintura até ao rabo, apertando-o, fazendo-me sobressaltar-me ao lado dele, enquanto o malvado homem revestido a leite com chocolate me desafiava com o olhar libidinoso a dar-lhe uma respostas audível à atitude dele ali mesmo, diante do empregado!
                Confesso que o meu lado mais desavergonhado me gritou num megafone que lhe apertasse os tomates descaradamente… Mostrando-lhe que eu também tinha um lado negro e sem qualquer noção púdica. No entanto, ao contrário dele, eu conhecia aquele restaurante como a palma das minhas mãos, uma vez que pertencia À cadeia hoteleira para a qual trabalhava. E tudo o que não precisava era de publicidade gratuita sobre a minha vida privada, neste caso em particular amorosa.
E estando agora Sebastião, também relacionado com a minha posição laboral, decidi guardar a vingança daquele beliscão ousado para mais tarde…




[1] Cineasta português.





sexta-feira, outubro 12, 2012

As Trevas da Paixão - Eloísa


Évora, cidade maravilhosa!
Portugal é feito de muitas cidades, cada uma delas dotada de uma beleza própria e única, mas a cidade de Évora, situada na imensa calma da zona Alentejana, tem a capacidade de nos transportar para um mundo completamente diferente.
Podia começar a minha história por vos mostrar quão bonita é a cidade de Évora, com o seu famoso centro histórico, património mundial pela UNESCO. Ou falar-vos do testemunho romano impresso em cada rua que prevalece até aos dias de hoje. Podia falar das lindas e românticas ruínas do templo de Diana.
Até podia pintar a cidade de Évora de cor-de-rosa, de uma ponta à outra, tal como eu tinha imaginado. Mas isso só serviria para vos distrair da minha realidade.
O meu nome é Eloísa, tenho vinte e cinco anos, nasci, cresci e morei grande parte da minha vida em Évora. Tenho os cabelos pretos, longos, aos caracóis, que me batem no meio das costas. Tenho uns olhos cinzentos que segundo dizem, são hipnotizantes e me concedem um ar exótico. Tenho cerca de 1.70mt de altura, pele morena e os homens consideram-me curvilínea.
Trabalho no hotel “Estrela do Horizonte”, como chefe de recepção e desenganem-se, não sou apenas e só uma cara bonita.
Terminei a minha licenciatura na escola superior de gestão, hotelaria e turismo de Faro, com média de 18 valores. Sou fluente em variadas línguas, entre elas, o comum inglês, francês, espanhol e italiano.  
Mas por vezes pergunto-me, de que me adianta ter tudo isto? Um emprego estável? Sim, compensa, mas por outro lado, as folgas para o merecido descanso estão longe de estar à vista, e em termos monetários não se vê grande diferença. Logo, tempo para divertimento e novos conhecimentos são nulos. Poderia dizer que pelo meu ar exótico tenho um batalhão de rapazes atrás, mas estaria a mentir com os dentinhos todos que tenho na boca e eu não suporto mentiras. Por incrível que pareça, os homens babam-se literalmente a olhar para mim, o que me deixa deveras incomodada por vezes, vá se lá ver, ainda ontem por exemplo. Estava eu a super visionar um check in de um cliente, quando me apercebo que ele observava-me com os olhos arregalados, quase a saírem das órbitas, de boca aberta e um pouco de baba a escorrer-lhe pelo queixo.

Acreditem, não é a melhor imagem que vos estou a passar, mas caramba, imaginem o que me estava a acontecer e ter hospedes a ver? Não sabia se fugia agoniada ou se lhe oferecia um lenço, mas profissional como sou, tomei uma decisão rápida e entreguei-lhe um Kleenex[1], mas o desgraçado estava tão hipnotizado que foi preciso o filho dar-lhe um encontrão para ver se o pobre homem despertava, sim, não mencionei a parte de ser um Senhor já de meia idade e mais uma década, uau consigo despertar os mortos. Bom sinal ou não… só sei que dei por mim a rir à gargalhada com o meu pensamento.

- Peço imensa desculpa, meus Senhores. – disse tentando manter-me  séria e profissional – Ah, Isabel por favor, terminas aqui?

Assim que me encontro a salvo no guiché fechado, reservado aos funcionários, volto a rir até não poder mais.
São estas pequenas lembranças que me fazem rir e ao mesmo tempo me fazem sentir deprimida, momento que chego à conclusão que não tenho tudo, pois falta o essencial, o amor, alguém a quem amar, sorrir, partilhar um dia de trabalho e de futuro criar uma família, construir um lar, com filhotes e marido…

-Desculpe, não queria arranca-la dos seus pensamentos. – Interrompe uma voz agradável e simpática – Mas parece-me que a pequena viagem às suas memórias, tão depressa a fazem sorrir como encher de lágrimas esses belos olhos. O que confesso, deixa-a ainda mais bela.

Olho para o dono da voz que fez o meu coração disparar… tanto pelo susto, de não estar a contar que aparecesse alguém, como pelo tom suave e meigo, que parecia uma caricia.

Ok, desta sou eu que fico como uma tontinha de boca aberta e olhos arregalados, e acredito que sou eu, quem precisa de um Kleenex… Com urgência

M.I.N.H.A N.O.S.S.A S.E.N.H.O.RA, grito dentro da minha cabeça, enquanto a minha consciência me dá um abanão mental.

-Peço desculpa, em que posso ser útil? – idiota, ser útil? Raios te partam, estás na recepção…mais concretamente ao balcão, logo, o mais provável é o senhor querer um quarto? Censura o meu subconsciente.

Oh, cala-te! Digo para mim mesma, pode querer saber onde é o bar do hotel, não quer dizer que queira ir para um quarto…  

Relegando as observações conflituosas dos meus «EUS», observo-o olhos nos olhos e sinto-me presa pelo seu olhar, que me observa atentamente. Muito provavelmente deve achar que sou maluquinha, pensei.

O desconhecido percorre o meu corpo de alto a baixo e sinto-me a aquecer, não é que aconteça com muita frequência, mas raios, o homem é tudo de bom: um tom de pele que faz lembrar uma caneca de leite com chocolate, adoro leite com chocolate, uns olhos castanhos, uns lábios grossos que pareciam estar a gritar: beija-me, um corpo maravilhoso, que por de baixo da camisa branca, aberta no peito, mostra estar bem definido. E a parte boa é que é uns 10 centímetros mais alto que eu, logo, uma cena de sexo contra uma parede não estaria nada mal!
Céus o que se passa comigo?



[1] Lenços.








sete mesinhos

Boa Noite,

para quem não sabe o Blog Livros Nas Estrelas faz hoje sete ( 7 )  meses. E como não temos passatempos, não podemos fazer um, mas.... eu e a Soraia estamos a fazer algo muito especial e só para vocês, esperamos de coração que gostem e deixem os vossos comentários.
De semana a semana será publicado aqui uma pagina, sim pagina pois um capitulo inteiro seria cansativo para vocês lerem aqui... não acham?

Deixo aqui o video que criamos para aguçar um pouco a vossa curiosidade, estejam atentas pois iremos publicar mais daqui nada um pouquinho desta historia. A história de Eloisa

Red Carpet



Olá estrelinhas!

Sim é hoje o grande dia.
Os mistérios serão revelados mais logo, quando a "Red Carpet" estiver esticadinha para vos dar as boas vindas a este nosso projecto conjunto.
Fiquem por ai....

Soraya

quinta-feira, outubro 11, 2012

uma pontinha do que ai vem...

Olá Estrelinhas,
como já foi mencionado na nossa pagina do facebook, eu (Nádia) e a Soraia, andamos a preparar algo para vocês.....lerem! Há pois é... e agora perguntam vocês, mas é sobre o que? E nos respondemos...bem, é claro que não podemos dizer ainda... mas temos um protagonista muito sofredora... coitadinha... Não percam um pouco desta historia. Que irá começar amanha a noite..... até breve

quarta-feira, outubro 10, 2012

Contagem decrescente

Bommmm Diaaaaaaa!

Hoje, dia 10 de Outubro de 2012, entramos oficialmente em contagem decrescente para a surpresa que temos vindo a preparar para vocês.

Já falta muito pouco para verem o que a Nádia Santos e Eu (Soraia Pereira), andamos a magicar no nosso tempo livre!

Fiquem por ai... já não falta tudo....

quinta-feira, outubro 04, 2012

O Anjo das Trevas de Anne Rice [Publicações Europa- América]

NOVIDADE
 Título: O Anjo das Trevas
Subtítulo: Os Cânticos do Serafim
Autora: Anne Rice
Colecção: Obras de Anne Rice
Preço: 17.50€
Pp.: 144

 A sequela d' O Tempo do Anjo

 «Sonhei com anjos. Vi-os e ouvi-os numa enorme e interminável noite galáctica. Vi as luzes que simbolizavam estes anjos, voando aqui e ali, em laivos de um brilho irresistível […] Senti amor em redor de mim neste vasto e contínuo domínio de som e luz […] E algo semelhante a tristeza apoderou-se de mim e confundiu toda a minha essência com as vozes que cantavam, porque as vozes cantavam sobre mim.» Assim começa o novo romance assombroso de Anne Rice, um thriller sobre anjos e assassinos, que nos conduz novamente aos mundos obscuros e perigosos de tempos passados. Anne Rice leva-nos para outros domínios, desta vez para o mundo de Roma no século XV, uma cidade de cúpulas e jardins suspensos, torres altas e cruzes por debaixo de nuvens sempre em mudança; colinas familiares e pinheiros altos… de Miguel Ângelo e Rafael, da Sagrada Inquisição e de Leão X, segundo filho de um Medici, dissertando sobre o trono papal… E nesta época, neste século, Toby O’Dare, antigo assassino por ordem do governo, é convocado pelo anjo Malquias para resolver um terrível crime de envenenamento e para procurar a verdade sobre a aparição de um espírito irrequieto — um diabólico dybbuk. O’Dare em breve se vê envolvido no seio de conspirações negras e contra-conspirações, rodeadas por uma ameaça sombria e ainda mais perigosa, porque o véu do terror eclesiástico a cobre. Enquanto embarca numa viagem de expiação, O’Dare é ligado ao seu próprio passado, com assuntos claros e obscuros, ferozes e ternos, com a promessa de salvação, e com uma visão mais profunda e rica do amor. Anne Rice é uma autora consagrada de diversos best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu a literatura de vampiros e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.